Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara em derrota de Trump
Estão em jogo na eleição 435 cadeiras na Câmara, 35 no Senado e 36 cargos de governador. Resultado terá influência direta no governo Trump

Os Estados Unidos começaram a apuração de votos das eleições de meio de mandato, que vão definir a nova composição da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. As primeiras urnas começaram a ser fechadas às 20h dessa terça-feira (3/11), no horário de Brasília.
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Confira abaixo a apuração dos votos:
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Os democratas conseguiram maioria sobre os republicanos na disputa pelas cadeiras tanto do Senado quanto da Câmara, no que já é considerado como uma derrota histórica do do presidente Donald Trump.
No Senado, as projeções apontam 54 cadeiras ocupadas pelos democratas, contra 44 dos republicanos, até o momento. Já na Câmara, que será totalmente renovada, a diferença está em 220 a 136 para os democratas.


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Nos governos estaduais, até o momento são 28 democratas e 20 republicanos.
O resultado começou a sair na noite dessa terça, mas a conclusão pode levar dias. Nas midterms de 2022 e de 2024, o controle da Câmara só foi definido após oito dias de apuração.
Fechamento das urnas nos EUA, no horário de Brasília:
20h dessa terça-feira: Indiana e Kentucky;
21h: Geórgia, Carolina do Sul, Vermont, Virgínia e maior parte da Flórida;
21h30: Carolina do Norte, Ohio e West Virginia;
22h: Alabama, Connecticut, Delaware, Distrito de Columbia, Illinois, Kansas (maior parte), Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan (maior parte), Mississippi, Missouri, New Jersey, North Dakota (maior parte), Oklahoma, Pennsylvania, Rhode Island, South Dakota (maior parte) e Tennessee;
22h30: Arkansas;
23h: Arizona, Colorado, Louisiana, Minnesota, Nebraska, New Mexico, New York, Wisconsin e Wyoming; além das partes restantes de North Dakota, South Dakota e Texas;
0h de quarta-feira: Idaho (maior parte), Montana, Nevada e Utah;
1h: California, Washington e Oregon;
2h: Havaí;
3h: Alasca.
A eleição ocorre no momento de maior desgaste da administração do presidente republicano Donald Trump, marcado pela queda na aprovação devido ao prolongamento da guerra contra o Irã e pelo aumento do custo de vida.
No ciclo eleitoral de meio de mandato de 2026, estão em disputa 35 cadeiras no Senado, 36 cargos de governador e todas as 435 cadeiras na Câmara dos Representantes. Há também diversas propostas submetidas à votação popular (ballot measures) em todo o país, abrangendo temas que vão desde a administração eleitoral até o acesso ao aborto.
Os democratas buscam retomar o controle de ambas as casas do Congresso. Eles precisam conquistar quatro cadeiras no Senado (e manter as que já ganharam) para garantir maioria de 51 assentos e obter pelo menos 218 cadeiras para retomar a Câmara.
Trump faz último apelo por votos republicanos
Na véspera da votação, Trump intensificou a mobilização de eleitores para tentar preservar a maioria republicana no Congresso. Em discurso de aproximadamente 50 minutos no espelho-d’água do Lincoln Memorial, em Washington, na segunda-feira (2/11), o presidente classificou o pleito como o mais importante de suas vidas e voltou a atacar os democratas.
“O Partido Democrata indicou a lista de candidatos mais extremista e perigosa da história americana“, declarou.
O republicano também acusou os adversários de defenderem fronteiras abertas, aumento de impostos, restrições ao porte de armas e políticas que, segundo ele, elevariam os custos de energia e ampliariam a imigração.
Ao defender seu governo, Trump afirmou que os Estados Unidos vivem uma “era de ouro” e destacou o desempenho econômico de sua administração. O presidente também pediu que os apoiadores tratem a votação como se ele próprio estivesse na disputa.
O discurso presidencial ocorre em meio à insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida. Até mesmo estrategistas republicanos demonstraram preocupação com o fato de Trump dedicar espaço a projetos de reforma e construção de monumentos e estruturas em Washington, enquanto os americanos enfrentam dificuldades econômicas.
O que uma derrota pode significar para Trump?
Uma eventual vitória democrata em pelo menos uma das Casas do Congresso representaria uma mudança importante na relação entre o Legislativo e a Casa Branca.
Com o controle da Câmara, a oposição passaria a comandar as comissões parlamentares e teria instrumentos para convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre a administração republicana.
O governo também poderia enfrentar questionamentos sobre contratos, conflitos de interesse e medidas adotadas por meio de decretos presidenciais.
A possibilidade de um novo processo de impeachment também pode ganhar força entre os democratas. A Câmara dos Representantes tem competência para apresentar acusações contra o presidente, enquanto cabe ao Senado conduzir o julgamento político. Eventual condenação, contudo, exige o apoio de dois terços dos senadores.
No Senado, a mudança de maioria permitiria à oposição dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais, incluindo eventuais vagas na Suprema Corte.
Trump ainda poderia recorrer a ordens executivas para implementar parte de sua agenda, mas enfrentaria maior resistência institucional e dificuldades para transformar suas propostas em leis.
O resultado também deve influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028, da qual Trump não poderá participar por já ter exercido dois mandatos.
