Cessar-fogo é rompido e saída de civis é adiada em Aleppo
Acordo prevê saída de civis que se encontram na área leste da cidade. Rússia dá 2 ou 3 dias para colocar fim à resistência rebelde
Apesar do anúncio de um acordo de cessar-fogo, bombardeios continuaram a atingir bairros rebeldes da cidade de Aleppo, no norte da Síria, nesta quarta-feira (14). As tropas do governo, que já dominavam a parte ocidental da 2ª maior cidade da Síria, agora conquistaram a parte leste, dominada pela oposição.
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A retirada de civis das áreas controladas por rebeldes, que teria início no começo nesta manhã, foi adiada, segundo as agências Reuters e France Presse. Uma autoridade dos rebeldes culpou o Irã e milícias xiitas aliadas ao presidente sírio, Bashar Al-Assad, pelo adiamento, de acordo com a Reuters. É possível que a operação seja retomada na quinta-feira (15).
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Um acordo de cessar-fogo mediado pela Rússia, aliado mais poderoso de Assad, e a Turquia suspendeu por um período os confrontos na cidade e deu ao líder sírio a maior vitória até o momento em mais de cinco anos de guerra.
Porém, na manhã desta quarta-feira, forças sírias retomaram ataques contra vários bairros controlados por rebeldes, rompendo um cessar-fogo, que havia sido anunciado na terça-feira (13), segundo a CNN. A Rússia diz ter sido resposta aos ataques rebeldes.


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"Nesta manhã ocorreram 14 disparos de morteiros das tropas do regime contra o setor controlado pelos rebeldes, pela 1ª vez desde a noite de terça-feira", disse Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que a resistência rebelde deve acabar nos próximos dois a três dias. Autoridades na coalizão militar que luta em apoio a Assad não pôde ser imediatamente contatada sobre o motivo do adiamento da desocupação.
Retirada de civis
Um acordo, mediado por Rússia e Turquia, na terça-feira prevê a saída dos civis e insurgentes que se encontram no último bolsão de resistência na zona leste de Aleppo. O primeiro grupo de civis programados para sair deveria ser composto por 70 feridos e familiares - um total de 150 pessoas.
A retirada deveria ter começado às 5h (1h de Brasília) desta quarta-feira, de acordo com o OSDH.
Mais de três horas depois, no entanto, quase 20 ônibus permaneciam estacionados no bairro de Salahedin, dividido entre o regime e os rebeldes.
Os motoristas dormiam nos ônibus e não era possível observar nenhum civil ou insurgente nos arredores, ainda segundo a France Presse. Nenhuma parte envolvida - rebeldes, governo, Rússia, Turquia - apresentou uma explicação para o atraso.
Supervisão internacional
Nesta quarta-feira, o governo da França pediu a presença de observadores da ONU para supervisionar o processo em Aleppo.
"A França solicita observadores das Nações Unidas para ter a garantia de que a saída dos civis é uma prioridade, mas também para que os combatentes não sejam massacrados", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault.
Na terça, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, já havia solicitado a presença de "observadores internacionais imparciais" para supervisionar a retirada dos civis, que segundo ela "temem ser abatidos na rua ou enviados para alguns dos 'gulags' de Assad".
Abusos
Nesta terça-feira (13), a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que as forças sírias pró-governo mataram ao menos 82 civis, entre eles mulheres e crianças, no leste de Aleppo. A CNN afirmou que as tropas entraram nas casas para cometer os assassinatos, segundo relato do porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville.
