Ataque russo mata 25 civis que tentavam sair de Zaporizhzhia em comboio, diz Ucrânia

Segundo autoridades locais, mísseis disparados por forças de Moscou atingiram carros que deixavam a cidade, uma das que a Rússia quer anexar ilegalmente.

Um ataque com mísseis atingiu nesta sexta-feira (30) um comboio de civis que tentavam sair nesta de Zaporizhzhia, uma das quatro regiões que Putin anunciará a anexação à Rússia.

O bombardeio deixou 25 mortos, muitos deles dentro de seus carros e com a mão no volante, além de dezenas de feridos e um cenário de corpos ensanguentados espalhados pelo chão. Autoridades locais atribuem à Rússia a autoria.

O comboio estava reunido em mercado de automóveis nos arredores Zaporizhzhia, preparando-se para deixar o território ucraniano para visitar parentes e entregar suprimentos em uma área controlada pela Rússia, disseram testemunhas e autoridades ucranianas.

As janelas dos carros foram estouradas pelo impacto do ataque do míssil, e as laterais foram atingidas por estilhaços, disse uma testemunha da agência de notícias Reuters.

O governador regional de Zaporizhzhia, Oleksandr Starukh, afirmou pelo aplicativo de mensagens Telegram que há ainda 28 feridos.

"Os ocupantes atacaram ucranianos indefesos. Este é outro ataque terrorista de um país terrorista", declarou.

Moscou ainda não se pronunciou sobre o ataque, que acontece no mesmo dia em que o presidente russo, Vladimir Putin, anunciará a anexação ilegal de Zaporizhzhia e outras três regiões da Ucrânia - Kherson, Donetsk e Luhansk - que foram submetidas na semana passada a um referendo de separação organizado e promovido por forças russas.

O coronel de polícia Sergey Ujryumov, chefe da unidade de descarte de explosivos do departamento de polícia de Zaporizhzhia, disse que o mercado foi atingido por três mísseis S300.

"As pessoas atingidas estavam principalmente em seus carros ou ao lado deles. Houve outras graves, mais de 10. Vocês serão informados sobre elas mais tarde", disse ele a repórteres no local.

Ujryumov disse à Reuters que os militares russos “sabem que as colunas são formadas aqui para ir aos territórios ocupados. Eles tinham as coordenadas. "Não é um ataque por coincidência. É perfeitamente deliberado", disse ele.

A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, negou ter atacado civis deliberadamente.

Vladimir Rogov, um funcionário do governo instalado pela Rússia na região de Zaporizhzhia, culpou o ataque às forças ucranianas.

"23 pessoas mortas... em ataque ucraniano ao comboio de carros na saída para parte a libertada da região de Zaporizhzhia", escreveu ele no Telegram.

Os veículos estavam lotados com pertences dos ocupantes, cobertores e malas.

Folhas de plástico foram colocadas sobre os corpos de uma mulher e um jovem em um carro verde. Um gato morto jazia ao lado do jovem no banco traseiro.

Dois corpos foram encontrados ainda em uma minivan branca na frente de outro carro, as janelas estouradas e as laterais marcadas por estilhaços.

Uma mulher que se identificou como Nataliya disse que ela e o marido estavam visitando seus filhos em Zaporizhzhia.

"Estávamos voltando para minha mãe, que tem 90 anos. Fomos poupados. É um milagre", disse ela, de pé com o marido ao lado do carro.