Natural de PE, cantor e símbolo da cultura popular: conheça a história do 'Ceguinho do Centro'
Cego desde os primeiros meses de vida, o artista venceu dificuldades e construiu uma história de mais de 40 anos nas ruas de Maceió
Conhecido por gerações de maceioenses como o "Ceguinho do Centro", o artista popular Edmilson Mendes voltou a ganhar destaque nos últimos dias após denunciar ter sido vítima de agressão enquanto trabalhava na Rua do Livramento, no Centro de Maceió. O episódio fez com que ele se afastasse temporariamente do local onde construiu uma história que já dura mais de quatro décadas.
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Natural de São Bento do Una, no agreste de Pernambuco, Edmilson ficou cego ainda nos primeiros meses de vida. A infância foi marcada por dificuldades, incluindo a rejeição do pai e agressões sofridas pelo padrasto. Ainda criança, encontrou na música uma forma de sobreviver e ajudar a família.
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Foi ouvindo as rádios-postes, comuns nas cidades do interior nordestino, que teve os primeiros contatos com a música. Mais tarde, passou a tocar em feiras livres de diversos municípios para garantir o sustento da mãe e dos seis irmãos.
Aos 12 anos, chegou sozinho a Maceió carregando apenas um velho pandeiro. Na capital alagoana, morou em um abrigo para menores e estudou na Escola de Cegos Cyro Accioly. Com o tempo, transformou a música em profissão e passou a se apresentar em espaços públicos da cidade.


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Seu primeiro palco foi a Praça Bonfim. Depois, seguiu para a antiga rodoviária de Maceió, no bairro do Poço, até se estabelecer na Rua do Livramento, onde se tornou uma das figuras mais conhecidas do Centro da capital.
No início da trajetória como artista de rua, Edmilson enfrentou resistência e chegou a ser hostilizado por comerciantes da região. Com persistência, conseguiu conquistar seu espaço e, há mais de 40 anos, leva música e animação para quem passa pelo local.
Morador da comunidade Frei Damião, no Benedito Bentes, casado e pai de três filhos, ele se considera alagoano de coração. Em 2021, realizou um antigo sonho ao lançar o primeiro CD da carreira, intitulado "Janela para o Mundo", projeto viabilizado por meio do Prêmio Zailton Sarmento, da Lei Aldir Blanc, e por doações arrecadadas por meio de uma campanha virtual.

Recentemente, porém, o artista voltou a enfrentar dificuldades. Em entrevista à TV Gazeta, Edmilson relatou ter sido agredido por um homem que costuma circular pelo Centro de Maceió. Segundo ele, o suspeito já o atacou mais de uma vez e também teria feito outras vítimas na região.
Abalado, o músico afirmou que não retornou ao trabalho desde o episódio por medo de novas agressões. A situação interrompe, ao menos temporariamente, a rotina de um artista que transformou a Rua do Livramento em seu principal palco e se tornou um dos símbolos da cultura popular maceioense.
Após vencer a pobreza, o preconceito e as dificuldades impostas pela deficiência visual, Edmilson afirma que deseja apenas voltar a fazer o que sempre fez: cantar, trabalhar e levar alegria às ruas de Maceió.
