Ambulantes avaliam mudança para novas áreas de alimentação na orla de Maceió
Vilas dos Sabores começaram a funcionar nesta quinta-feira (29)
A transferência dos ambulantes que trabalhavam no calçadão da orla de Maceió para quatro novos espaços de alimentação dividiu opiniões no primeiro dia de funcionamento, nesta quinta-feira (29). Enquanto parte dos comerciantes aprovou a iniciativa da prefeitura, outros reclamaram da concentração de vendedores que oferecem os mesmos produtos e temem que a proximidade prejudique as vendas.
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Batizados de Vilas dos Sabores, os espaços estão distribuídos entre os estacionamentos do Corpo de Bombeiros - com duas vilas -, da Feirinha do Artesanato e do Memorial. Mais de 200 ambulantes foram contemplados e poderão comercializar alimentos e outros produtos diariamente, das 10h às 22h.
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Os novos espaços fazem parte do reordenamento do comércio informal na região, conduzido pela Prefeitura de Maceió. A proposta é organizar a atividade dos ambulantes e melhorar as condições de circulação, acessibilidade e segurança na orla.
Um dos comerciantes que apontaram dificuldades foi José Manoel, que vende milho. Segundo ele, a proximidade entre carrinhos que comercializam o mesmo produto pode prejudicar as vendas. O ambulante defende que os trabalhadores tenham pontos distribuídos pelo calçadão, como ocorria anteriormente.


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“Eu tinha o meu ponto aqui na orla mesmo e sempre trabalhei sem nenhuma preocupação. A minha ideia seria que todo mundo tivesse o seu espaço no calçadão mesmo, porque aqui está meio complicado”, afirmou.
Durante a reportagem, foram identificados pelo menos sete carrinhos de milho no espaço, além de vendedores de açaí e de outros produtos. “A gente sempre tem essa regra de cada um ter o seu espaço, não ficar junto perto do outro, que é o que está acontecendo aqui: tem três carrinhos juntos de milho, isso pode afetar nossas vendas”, afirmou José Manoel.
Outro comerciante, que trabalha com churrasco grego, também avaliou que o formato anterior favorecia as vendas. Apesar disso, considerou o novo local organizado, mas defendeu uma distribuição diferente dos pontos.
A opinião não foi unânime. Um ambulante que vende pimentas e trabalha há 20 anos na orla comemorou a realocação e agradeceu à prefeitura pela iniciativa. Uma terceira comerciante preferiu aguardar alguns dias antes de avaliar os efeitos da mudança sobre o movimento de clientes e o faturamento.
Entre os consumidores, a impressão também foi positiva. Uma turista entrevistada pela reportagem disse ter gostado da concentração dos vendedores em um espaço de alimentação, onde famílias podem sentar e consumir os produtos antes de continuar o passeio pela orla.
Reordenamento
Os trabalhadores selecionados receberam coletes e crachás para facilitar a identificação. Equipes de Fiscalização de Posturas da Secretaria Municipal de Segurança Cidadã (Semsc) atuarão diariamente nos locais para evitar ocupações irregulares e manter as áreas de circulação desobstruídas.
De acordo com a diretora de Fiscalização da Semsc, Dayse Ramos, o município realizou dois censos para identificar os ambulantes, atualizou os cadastros e analisou a documentação. A seleção considerou critérios de organização e ordenamento, com prioridade para moradores de Maceió.
Os comerciantes que não foram contemplados com vagas nas Vilas dos Sabores estão sendo orientados pela Semsc a procurar outros pontos para trabalhar. Entre as alternativas estão atuar em outras praças ou permanecer em áreas de rua aberta nos fins de semana, conforme as possibilidades de ocupação.
Durante audiência pública na Câmara Municipal, na segunda-feira (26), o secretário municipal de Segurança Cidadã, Thiago Prado, afirmou que o levantamento da prefeitura identificou cerca de 300 comerciantes. No entanto, uma decisão da Justiça Federal e as limitações de espaço na orla restringem o número de vagas. Os trabalhadores que atuam com gastronomia terão cerca de 200 vagas nas novas praças de alimentação, enquanto a situação dos demais segue em análise.
A prefeitura defende que a iniciativa busca melhorar as condições de trabalho dos comerciantes e organizar o uso do espaço público. A distribuição dos ambulantes e os possíveis efeitos da mudança sobre as vendas ainda devem ser acompanhados nos próximos dias.









