'Um vizinho disse para abrir a porta, pois era a polícia', confirma testemunha
Felipe Rangel Jucá teve o celular roubado no dia do crime e pediu o auxílio dos PMs, o que culminou no fato
O júri de Agnaldo Lopes de Vasconcelos, acusado de matar o capitão Rodrigo Rodrigues, em abril do ano passado, teve início por volta das 9h30 desta segunda-feira (4), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. A primeira testemunha a ser ouvida em juízo foi Felipe Rangel Jucá, a pessoa que teve o celular roubado no dia do crime. Segundo ele, um vizinho alertou o morador para abrir a porta, pois se tratava da polícia.
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Em depoimento, Felipe confirmou que teve o celular roubado, mas que começou a monitorar o aparelho pelo GPS do celular da irmã. Ele disse que foi atrás de sinal em alguns locais, até encontrar uma viatura.
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"Fomos rastreando até chegar a uma boate. Não acharam ninguém com a descrição que eu tinha passado e continuamos rastreando. Fui para outra viatura e nos locomovemos até a Santa Amélia, a um conjunto de residências. Paramos numa esquina e a maior parte do raio estava dando dentro da residência do réu. O pessoal pediu para eu ficar dentro da viatura e os policiais desceram", contou o depoente.
Na ocasião, Felipe - que presenciou o fato - informou que o giroflex estava logado e o capitão bateu à porta, identificando-se como policial. "Lá dentro, disseram que o portão estava quebrado. Nisso, saiu um vizinho e disse para ele abrir a porta porque era a polícia. Como demorou muito, o capitão pediu ajuda de um policial para ver no muro. Passaram alguns segundos ele olhando e foi quando ele viu alguém e começou a discutir que era a polícia. Aí, aconteceram os tiros".


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DEFESA
Advogado de Agnaldo, Jionísio Pita argumentou que o que houve é o acúmulo, o excesso de trabalho que culminou em um erro de atuação do capitão, que estava entre os mais preparados de Alagoas e, naquele dia, cometeu um equívoco que lhe custou a vida.
A expectativa dele é que o júri chegue à absolvição. "Agnaldo jamais saiu da sua residência, acreditando na segurança e na paz do seu lar. Jamais ele acreditava se tratar de uma ação da polícia. Há gravação do Copom [Centro de Operações da Polícia Militar] em que ele pede ajuda à polícia. Quem iria chamar a polícia um minuto depois de cometer um assassinato? O júri irá discernir que houve legítima defesa", disse o advogado.
ACUSAÇÃO
Por outro lado, a acusação, defendida pelo advogado Welton Roberto, acredita que o réu sabia da presença de um policial militar próximo a sua residência.
"Não houve precipitação da polícia. Ele estava em perseguição a um suspeito de roubar um celular. Ao chegar no local, ele se identificou como policial. O réu vê, pega a arma e, no momento em que o capitão acredita que há alguém feito refém, recebe dois tiros, um deles atingindo-o fatalmente", expõe o advogado, que acrescenta: "ele deixou órfão um filho que não vai ser criado mais pelo pai".
O júri popular é presidido pelo magistrado Anderson Passos.
