Albino diz que fez cursos de tiro para defender Israel e nega assassinato de casal em Maceió
Réu contestou depoimento de pastor sobre seu comportamento após as mortes de Débora Vitória e John Lennon

Albino Santos de Lima negou ter assassinado Débora Vitória Silva dos Santos, de 21 anos, e John Lennon Santos Ferreira, de 20, durante interrogatório realizado nesta quinta-feira (22), em Maceió. No 10º julgamento envolvendo crimes atribuídos a ele, o réu afirmou que fez cursos de tiro porque tinha o sonho de defender Israel e contestou as declarações de um pastor sobre seu comportamento após a morte do casal.
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Conhecido como o serial killer de Alagoas, Albino acumula 234 anos de reclusão em condenações por múltiplos assassinatos. Neste júri, ele responde pela morte de Débora e John Lennon, ocorrida em 18 de dezembro de 2023, no bairro do Vergel do Lago, na capital alagoana.
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Ao ser questionado pelo juiz sobre seu endereço, o acusado preferiu manter a informação em sigilo. Durante o depoimento, também falou sobre o desejo de integrar as forças de defesa de Israel e relatou que chegou a entrar em contato com a embaixada do país.
Segundo Albino, ele teria recebido a informação de que, apesar de seu currículo, não poderia integrar o Exército israelense por não possuir cidadania do país. O réu afirmou que esse objetivo o motivou a realizar cursos para aprimorar suas habilidades com armas de fogo.


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“Queria defender a terra de Deus”, declarou, ao explicar o motivo pelo qual buscou aperfeiçoamento em tiro.
Réu contesta depoimento
Durante o interrogatório, Albino negou ter demonstrado satisfação com a morte de Débora e John Lennon. A declaração foi uma resposta ao depoimento prestado anteriormente pelo pastor da igreja que ele frequentava junto com as vítimas.
A testemunha afirmou que o acusado voltou à congregação cerca de 15 dias após o duplo homicídio e fez um comentário sobre a morte do casal. Segundo o religioso, Albino teria dito: “Está vendo aí, foi comprar moto roubada, deu no que deu”.
Questionado pelo promotor de Justiça sobre o relato, o réu negou a interpretação do pastor. Segundo sua versão, ele teria procurado o religioso apenas para perguntar se sabia que John Lennon havia comprado uma motocicleta roubada.
Ao ser perguntado se o pastor estaria mentindo, Albino respondeu que não, mas afirmou que a testemunha estava enganada.
O religioso também havia relatado episódios anteriores ao crime envolvendo o comportamento do acusado na igreja. Conforme o depoimento, John Lennon o procurou em duas ocasiões para relatar situações consideradas suspeitas, incluindo uma suposta gravação de Débora por celular e o olhar fixo do réu sobre as pernas de uma menina.
O pastor afirmou que chamou Albino para conversar após as denúncias e o advertiu sobre a conduta dentro da congregação. Segundo a testemunha, o acusado ficou irritado após a primeira conversa e deixou de frequentar a igreja aproximadamente duas semanas depois do segundo episódio.
Durante as perguntas, o representante do Ministério Público confrontou o acusado sobre seu histórico criminal e fez referência aos julgamentos anteriores. O promotor também questionou se a frustração por não conseguir integrar o Exército de Israel teria relação com o início dos assassinatos atribuídos a ele.
Ao ser perguntado se lembrava da data da primeira vítima mencionada durante o interrogatório, Albino respondeu que não se recordava.
O julgamento desta quinta-feira é o 10º relacionado a crimes ocorridos em Maceió, entre 2023 e 2024.
