Homem que teve parentes localizados após 13 anos em abrigo do Sertão de AL reencontra irmã e sobrinha
Momento com os parentes do DF aconteceu na Casa São Vicente de Paulo, em Santana do Ipanema

16/07/2026 às 12:36 • Atualizada em 16/07/2026 às 13:03 - há XX semanas
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Depois de mais de 40 anos sem ver os familiares e de 13 anos vivendo na Casa São Vicente de Paulo, em Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, Edson Almeida Nunes reencontrou, nesta quinta-feira (16), uma irmã e uma sobrinha que residem no Distrito Federal. Os familiares foram localizados após uma busca realizada junto aos órgãos integrantes do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (Plid) do Ministério Público Estadual (MPAL).
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O reencontro foi marcado pelas histórias trazidas pelos familiares, das quais seu Edson diz não se lembrar. De poucas palavras e com um olhar desconfiado, ele abraçou a irmã Margareth Francisca Landa de Souza e pôde, finalmente, sentir-se acolhido pela família. De acordo com Margareth, saber que o irmão estava vivo, foi uma grande surpresa.
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"Não só para mim como para toda a família foi um susto saber que ele estava vivo, foi uma mistura de sentimentos, porque no fundo, achávamos que ele tinha morrido. Já tínhamos procurado muito, por muitos anos. Sabíamos que ele morava em Taguatinga-DF e, de vez em quando, tínhamos notícias dele, mas depois ele desapareceu. Eu tenho um sentimento de gratidão muito grande por esse ambiente", afirmou Margareth, ao se referir à Casa São Vicente de Paulo e destacar que o vínculo entre Edson e os familiares precisa ser reconstruído.
A história de Edson em Alagoas começou há 13 anos, quando ele sofreu um acidente em uma rodovia federal e foi levado para o Hospital Clodolfo Rodrigues, no Sertão do Estado. Ao apresentar uma melhora, a equipe da unidade de saúde entrou em contato com o lar para que ele pudesse ser recebido no local, considerando que não existiam documentos que pudessem identificá-lo. Além disso, após o acidente, ele se tornou não verbal por um tempo, o que dificultou ainda mais a busca por informações.


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Somente cinco anos após sua chegada à Casa São Vicente é que seu Edson conseguiu falar o próprio nome e dar algumas informações, como dizer que era do Distrito Federal e que havia trabalhado em uma instituição federal. De acordo com a coordenadora da Casa São Vicente de Paulo, Lucielma Ferreira, ele apresentava um comportamento agressivo ao ingressar no lar, mas com o passar do tempo, se tornou uma pessoa doce e muito querida pelos idosos assistidos no local.
“Ele chegou aqui por meio de uma solicitação do hospital Clodolfo Rodrigues de Melo, diante do não comparecimento de familiares após ele sofrer um acidente. Foi uma situação bem difícil, porque ele era uma pessoa não verbal e que tinha traços de agressividade. No entanto, com o nosso trabalho, essa situação foi se modificando. Hoje ele é doce, mantém relação de amizade com os demais e com a equipe, além de mostrar preocupação com todos. A vinda da família traçou um misto de emoções em todos nós”, afirma.
Os rumos dessa trajetória começaram a mudar no mês de junho, quando a Polícia Civil foi até Santana do Ipanema, durante uma operação. A delegada Rebecca Cordeiro, da Delegacia de Vulneráveis, conta que esteve no lar e conheceu a história de Edson, sendo informada de que estava no local, há 13 anos. De imediato, ela acionou o Plid e foi quando começaram as buscas pelos familiares.
“Entramos em contato com o Plid e a Polícia Federal pegou os dados do prontuário feito em Alagoas, colocou no banco de dados e conseguiu localizar os familiares. Ele está no Estado, há 13 anos, mas os parentes não o viam há 40 anos. Os pais dele já morreram, mas ele ainda tem cinco irmãos vivos e todos ficaram emocionados quando descobriram que ele estava bem”, afirmou a delegada.
A coordenadora do Plid em Alagoas, promotora Marluce Falcão, explica que o programa é composto por mais de 40 órgãos que trabalham de forma conjunta e organizada sempre que alguém desaparece. E foi essa união de forças que fez as equipes chegarem aos familiares dele.
“Quando alguém desaparece, a família faz o boletim de ocorrência e esse BO chega ao Ministério Público por meio da Polícia Civil. A partir daí, acionamos uma rede de busca de desaparecidos, que tem mais de 40 órgãos que trabalham de forma concatenada e organizada. Quando uma pessoa desaparece, todos, em um só momento, tomam conhecimento e vão buscar em seus respectivos órgãos. No caso do seu Edson, pedimos apoio da Polícia Federal. Ele não tinha RG de AL e percebemos que era alguém de fora, então ele foi rapidamente identificado pela PF e, em menos de 7 horas, já tínhamos a identificação de quem era aquela pessoa. No mesmo dia, localizamos os familiares, demos a notícia e descobrimos que ele estava desaparecido há 40 anos”, conta.
De acordo com a promotora, a partir de agora, o MP do Distrito Federal, por meio do Plid, irá fazer a aproximação da família. “Hoje a família vai visitar o seu Edson para iniciar o processo de aproximação. Ele vai permanecer no abrigo, porque existe uma situação de apego afetivo com o pessoal desse lar. Quando ele estiver pronto, será feita a reinserção dele na família”, explica.