Polícia Civil admite que três concursos públicos de Alagoas podem ter sido alvo de fraudes

Delegado afirmou que não há indícios de vazamento dos gabaritos das provas; operação realizada nesta quinta (21) cumpriu 83 mandados de busca e apreensão

Os três últimos concursos públicos da Segurança Pública de Alagoas podem ter sido alvo de fraudes, de acordo com a Polícia Civil de Alagoas. Os delegados que coordenaram a operação, realizada nesta quinta-feira (21), detalharam as investigações durante entrevista coletiva.

Segundo o delegado Gustavo Xavier, que coordenou a investigação, não há indícios de vazamento dos gabaritos das provas. De acordo com ele, os criminosos agiram de duas maneiras: uso de pontos eletrônicos e envio de mensagens para aparelhos celulares. Cada pessoa que contratou os serviços da quadrilha, ainda de acordo com ele, pagou em média R$ 10 mil e pagaria mais R$ 40 mil após a aprovação. O valor variava de acordo com o cargo pretendido.

O delegado Cayo Rodrigues explicou que a quadrilha colocou integrantes do grupo entre os candidatos. Essas pessoas teriam a responsabilidade de logo sair do local com o caderno de provas. Após isso, um grupo de especialistas começava a responder as questões e enviar as respostas por meio de ponto eletrônico para as pessoas que contrataram o serviço.

Xavier detalhou que foram cumpridos 83 mandados de busca e apreensão nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe, além de 12 mandados de prisão preventivas e duas prisões em flagrante no estado de Pernambuco. Uma das prisões em flagrante foi por tráfico de entorpecentes. O preso está entre os aprovados no certame da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Com este preso, os agentes apreenderam 1kg de droga. A outra prisão em flagrante foi por posse ilegal de arma de fogo.

Como resultado dos mandados de busca, 70 celulares, 18 notebooks, seis computadores, três pontos eletrônicos, sendo um na casa do homem apontado como líder da quadrilha, e R$ 129 mil reais em espécie foram apreendidos.

Sobre o modo de agir dos presos, o delegado explicou que os pontos eletrônicos usados pelos fraudadores eram muito pequenos, o que fazia com que eles não fossem identificados pelos detectores de metais usados pelos fiscais.