Imagem
Menu lateral
Imagem
Imagem
GZT 94.1
GZT 101.1
GZT 101.3
MIX 98.3

Imagem
Menu lateral Busca interna do GazetaWeb
Imagem
GZT 94.1
GZT 101.1
GZT 101.3
MIX 98.3
X
compartilhar no whatsapp compartilhar no whatsapp compartilhar no facebook compartilhar no linkedin
copiar Copiado!
ver no google news

Ouça o artigo

Compartilhe

No limiar da extinção, mutum faz postura de dois ovos na Usina Utinga

Na última sexta-feira (20), a fêmea da espécie colocou dois ovos e, de forma inédita, realiza a incubação dos possíveis filhotes

Símbolo do estado de Alagoas e no limiar da extinção, o mutum mostra a força da espécie no Zooparque Pedro Nardelli, conhecido pelo Programa de Reintrodução da ave. Localizado na Usina Utinga, em Alagoas, o Zooparque abriga um casal de mutum-de-alagoas (Pauxi mitu) desde 2017.

Na última sexta-feira (20), uma notícia animadora: a fêmea da espécie realizou a postura de dois ovos e, de forma inédita, realiza a incubação dos possíveis filhotes.

Leia também

Em dezembro de 2022, a mutum já havia colocado, de forma inesperada, um ovo de 130 gramas, fato que causou comoção e alegria, pois foi um indício de que a reprodução é possível e que a ave estava madura para acasalar. Porém, diferente do cenário atual, o ovo não estava fértil. Com a nova postura, é possível que, após 42 anos, o Estado tenha a primeira reprodução do animal.

“Era razoavelmente esperado por nós que iríamos ter um evento de reprodução em algum momento, só que isso aconteceu bem antes do que a gente imaginava, o que foi muito bom. A gente tem agora essa fêmea que está chocando dois ovos e isso é uma notícia incrível, maravilhosa, porque a gente pode ter pela primeira vez uma espécie que foi extinta no Estado de Alagoas, uma espécie que só existia aqui, e que vai se reproduzir aqui de novo”, afirmou o professor da Universidade de São Paulo, Luís Fábio Silveira.

De forma inédita, os filhotes devem ser criados pela mãe. Nenhum mutum que nasceu em cativeiro, até então, foi chocado pela mãe, mas por chocadeiras elétricas. Agora, a probabilidade é de que a fêmea realize todo o processo.

“A gente decidiu deixar ela fazer o processo de incubação, ou seja, se o ovo estiver fértil e nascer, ela vai cuidar dos filhotinhos também. Mas, por enquanto, ela está fazendo uma coisa muito importante, que é expressando o comportamento natural dela, então isso também é uma parte importante do aprendizado, ela poder expressar esse comportamento de reprodução de uma forma natural, ou seja, ela construiu o ninho, botou o ovo, e está tomando conta de todo o processo”, pontuou o professor.

Importância do mutum-de-alagoas

Com a chegada do casal de mutuns à Usina Utinga, em 2017, o Instituto Para Preservação da Mata Atlântica (IPMA) e uma série de criadores, universidades, Organizações Não Governamentais (ONGs), além de órgãos dos governos federal e estadual, entre eles o Ministério Público do Estado de Alagoas, começaram a preparar a região para a reintrodução do animal na natureza.

A Utinga, do Grupo EQM, presidida por Eduardo de Queiroz Monteiro, do qual faz parte a Folha de Pernambuco, teve papel fundamental nesse processo e cedeu o terreno que se tornou o reduto da ave.

Em 2019, a ave se tornou a primeira espécie extinta na natureza a ser devolvida ao seu hábitat natural na América do Sul. Após um longo processo de reprodução em cativeiro, três casais do animal foram devolvidos para o seu lugar de origem.

“O mutum-de-alagoas é a maior ave terrestre que a gente tem em todo o Centro Pernambuco de Endemismo, que essa parte de Mata Atlântica que vai desde a margem norte do Rio São Francisco, até mais ou menos o Rio Grande do Norte. Essa parte de Mata Atlântica é também a área com o maior número de espécies ameaçadas de extinção nas Américas. É uma área muito sensível e com muitas espécies raras e ameaçadas”, destacou Luís.


				
					No limiar da extinção, mutum faz postura de dois ovos na Usina Utinga
Mutum chocando os ovos no Zooparque Pedro Nardelli. Foto: Rosa Maria Souza

Utinga e a conservação das espécies

Com um sistema de gestão ambiental com 14 programas, entre eles, a conservação da biodiversidade, a Usina Utinga apoia as ações do IPMA com relação às espécies ameaçadas.

Além disso, o local tem uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) com 960 hectares, que foi criada, principalmente, para servir de abrigo para o mutum, com o intuito de reintroduzir a ave e outras espécies, a exemplo dos papagaios-chauás, na natureza.

Na última terça-feira (24), foi realizada na Utinga uma reunião com instituições parceiras do Plano de Ação Estadual do mutum-de-alagoas. No encontro, foram discutidas questões acerca da conservação da espécie de outras como o papagaio-chauá e o macuco, que serão as próximas espécies a serem reintroduzidas na usina.

“A Usina Utinga possui projetos e ações de responsabilidade socioambiental com os colaboradores e com a comunidade local, e como forma de reafirmar o seu compromisso com meio ambiente, tem estabelecido relações com a comunidade acadêmica científica, incentivando e apoiando pesquisas em suas áreas”, reiterou a assessora de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Grupo EQM, Sônia Roda.

O mutum-de-alagoas é o carro-chefe na Usina. “Temos indivíduos de mutuns soltos na RPPN Mata do Cedro há 5 anos. Protegendo o mutum toda a biodiversidade local estará protegida. É um excelente bioindicador de qualidade de habitat, e, se o mutum está conseguindo sobreviver naturalmente na RPPN, significa que esta possui estabilidade alimentar suficiente para alimentar grandes frugívoros e outras espécies”, disse Sônia.

App Gazeta

Confira notícias no app, ouça a rádio, leia a edição digital e acesse outros recursos

Aplicativo na Google Play Aplicativo na App Store
Aplicativo na App Store

Relacionadas

X