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Como experiências imersivas ajudam marcas a disputar atenção na publicidade

Projeções mapeadas, DOOH 3D e animação 3D ganham espaço nas estratégias de comunicação ao transformar campanhas em experiências memoráveis


				Como experiências imersivas ajudam marcas a disputar atenção na publicidade
Publicidade ganha novas formas com projeções 3D e experiências imersivas. Foto: Divulgação

As marcas estão mudando a forma como conversam com o consumidor. Em vez de apostar só em anúncios que aparecem na tela do celular ou em outdoors tradicionais, empresas de diferentes tamanhos têm investido em experiências que o público vive, sente e, principalmente, compartilha por conta própria. Esse movimento tem nome no mercado de comunicação, marketing experiencial, e já deixou de ser um recurso pontual para ocupar espaço permanente no planejamento das marcas.

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Dois exemplos recentes ilustram essa transição. Em julho de 2026, a marca de chás Leão, que pertence à The Coca-Cola Company, projetou no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, uma narrativa visual contando a trajetória de seus 125 anos. A técnica usada se chama projection mapping, ou mapeamento de projeção, e consiste em usar projetores especiais para transformar uma superfície física, como o monumento ao Cristo Redentor, em uma tela dinâmica cheia de imagens em movimento.

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"Os 125 anos da Leão mereciam uma celebração que representasse a importância da marca para a cultura e para a história de tantas gerações de brasileiros. A projeção no Cristo Redentor foi uma forma de traduzir esse legado em um momento tão simbólico", afirma Gabriel Santos, que lidera as operações de marketing da Leão.

O segundo caso é da Pamplona Alimentos, que usou uma tecnologia chamada anamórfica em um painel digital urbano. Esse recurso cria uma ilusão de ótica, fazendo produtos e elementos gráficos parecerem sair da tela e ganhar profundidade real, como se estivessem soltos no espaço. Esse formato pertence a uma categoria maior conhecida como DOOH, sigla em inglês para Digital Out of Home, que nada mais é do que a versão digital e interativa dos velhos painéis de rua.

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Por que as marcas estão fazendo isso

A resposta tem a ver com um fenômeno batizado de economia da atenção. Com tanta informação disputando o olhar das pessoas o tempo todo, o cérebro humano passou a filtrar boa parte dos anúncios digitais, um comportamento chamado de cegueira a banners. Um levantamento da Nielsen mostra que 67% dos consumidores ignoram ativamente áreas de anúncios nas telas.

Ao mesmo tempo, ficou mais caro conquistar clientes pela internet. Restrições de privacidade, como o bloqueio de rastreamento em iPhones e o fim dos cookies de terceiros, elevaram entre 40% e 60% o custo de aquisição de clientes em campanhas digitais. Diante disso, empresas passaram a redirecionar orçamento para ativações físicas, onde conseguem captar dados diretamente do público, com consentimento, em vez de depender de rastreamento digital.

Os números comprovam essa mudança. Em 2019, o marketing experiencial representava 14% do orçamento total de marketing das grandes corporações. Em 2026, essa fatia chegou a 29%, segundo pesquisa da Bizzabo e EventTrack. Além disso, o retorno médio sobre investimento nesse tipo de ação é de 5,8 vezes o valor aplicado, superando a publicidade digital tradicional, que fica em 2,8 vezes, e a mídia convencional, com 1,5 vez.

O papel da neurociência

Existe também uma explicação biológica para o sucesso dessas experiências. Estudos de neurociência mostram que estímulos que envolvem vários sentidos ao mesmo tempo, como visão, som e movimento, ativam regiões do cérebro ligadas à formação de memórias duradouras, o hipocampo e a amígdala. Uma pesquisa da Dentsu Japan, feita com tecnologia de rastreamento ocular em 8 mil usuários, descobriu algo relevante: quando a pessoa escolhe voluntariamente prestar atenção em algo, como parar para ver uma projeção na rua, a lembrança da marca aumenta 79% em comparação a um anúncio forçado, daqueles que não dá para pular no vídeo.

O Brasil e o efeito nas redes sociais

No mercado brasileiro, o setor de live marketing, que reúne eventos, ativações e experiências promocionais, movimentou R$ 100 bilhões entre 2024 e 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Live Marketing. O país conta com cerca de 3 mil agências especializadas nesse tipo de trabalho, concentradas principalmente na região Sudeste.

Uma parte importante desse resultado vem das redes sociais. Quando uma marca cria uma experiência marcante, o público costuma registrar e compartilhar por conta própria, sem que a empresa precise pagar por isso. Esse fenômeno é chamado de mídia espontânea, ou earned media. Uma pesquisa da EventTrack mostra que 98% dos participantes de eventos presenciais produzem conteúdo para redes sociais depois de vivenciar a experiência.

"Hoje, criatividade não está apenas na mensagem. Está na forma como a marca escolhe se relacionar com as pessoas. Experiências têm o poder de transformar uma campanha em algo que o público vive, registra e compartilha espontaneamente", explica Catarine Birk, CEO da agência Fri.to, que atendeu a Leão no projeto do Cristo Redentor.

Tecnologia como ferramenta, não como fim

Para quem trabalha na parte técnica desses projetos, o ponto central não é a tecnologia em si, mas o que ela consegue provocar na memória das pessoas.

"Todos nós costumamos falar muito sobre inovação, mas poucas vezes falamos sobre memória. No fim das contas, as marcas querem ser lembradas. Se uma tecnologia ajuda a criar uma lembrança genuína, ela deixa de ser um recurso técnico e passa a fazer parte da estratégia da marca", diz Henrique Marques, fundador da Neopixel Digital, estúdio que participou da produção dos dois projetos citados.

Esse tipo de ação, no entanto, ainda tem barreiras. Projetos de projection mapping e DOOH tridimensional exigem equipamentos caros, como projetores de altíssima potência, e um processo técnico de calibração complexo, específico para cada superfície onde a imagem será exibida. Isso explica por que essas experiências costumam ser reservadas para datas ou campanhas de maior relevância dentro do calendário das marcas, e não para o uso do dia a dia.

De qualquer forma, a tendência parece consolidada. Cresce o número de empresas que tratam experiências visuais não como um efeito especial isolado, mas como parte permanente da estratégia de comunicação, ao lado da publicidade tradicional e das redes sociais.

Saiba mais

Site: https://neopixel.digital/

Instagram: https://instagram.com/neopixeldigital

LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/neopixeldigital/

YouTube: https://www.youtube.com/@neopixeldigital

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