Alagoano conquista espaço em Harvard e incentiva nordestinos a sonharem alto
Ex-aluno de escola particular, maceioense relata trajetória de destaque na universidade norte-americana
Ser nordestino e alagoano não é um obstáculo para alcançar as universidades mais prestigiadas do mundo. Essa é a mensagem compartilhada pelo maceioense David Amorim, que construiu uma trajetória acadêmica de destaque em Harvard, nos Estados Unidos, e agora busca incentivar outros estudantes da região a acreditarem no próprio potencial.
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Natural de Maceió, David relata que foi o primeiro nordestino a presidir a Associação de Brasileiros em Harvard e o primeiro brasileiro a ingressar no mestrado em Antropologia Médica da instituição. Ao final do curso, também foi selecionado para representar os estudantes de mestrado das áreas de Artes, Ciências e Engenharia na procissão de formatura da universidade.
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Em seu relato, ele destaca que a trajetória não é um caso isolado. Segundo o alagoano, Harvard reúne diversos estudantes nordestinos em cursos de graduação, mestrado e doutorado, além de pesquisadores que desenvolvem atividades acadêmicas na instituição.
A experiência, no entanto, também foi marcada por situações de preconceito relacionadas à sua origem. Ele afirma que já enfrentou comentários discriminatórios de brasileiros por causa do sotaque e de estereótipos associados à população nordestina, incluindo insinuações de que teria vivido em condições de pobreza por ser de Alagoas.


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"Esses episódios demonstram como o preconceito regional ainda influencia a maneira como os nordestinos são vistos, inclusive dentro do próprio Brasil. A origem de uma pessoa não deve ser utilizada para questionar sua capacidade intelectual ou suas conquistas acadêmicas. Muitos estudantes do Nordeste crescem acreditando que precisam se mudar para São Paulo ou para outros Estados do Sudeste para alcançar uma formação de excelência, sem sequer considerar a possibilidade de estudar em universidades internacionais como Harvard", destaca David.
O alagoano ressalta que a falta de informação também limita os sonhos. Afinal, é difícil buscar uma oportunidade quando não se sabe que ela existe ou quando se acredita que determinada universidade está fora do próprio alcance.
"Estudantes nordestinos também podem ocupar espaços de destaque na educação internacional, sem precisar abandonar suas origens ou acreditar que oportunidades desse porte pertencem apenas a pessoas de outras regiões."
Mentoria gratuita
Além de compartilhar sua experiência, ele chama a atenção para oportunidades de preparação acadêmica. O perfil @harvardbrazil, no Instagram, divulga um programa de mentoria gratuita destinado a brasileiros interessados em se candidatar a cursos de graduação, mestrado e doutorado em Harvard.
A proposta é ajudar candidatos a compreender melhor os processos seletivos e conhecer os caminhos para disputar uma vaga na instituição. A orientação pode ser especialmente importante para estudantes que não dispõem de recursos para contratar consultorias particulares ou que não têm acesso a informações sobre candidaturas internacionais.
Outro ponto relevante é o financiamento. Harvard possui uma política de auxílio financeiro para estudantes de graduação elegíveis, com possibilidade de cobertura integral dos custos de frequência para famílias com renda anual inferior a US$ 85 mil, conforme os critérios estabelecidos pela universidade. As condições variam de acordo com a situação financeira de cada família e as regras aplicáveis ao candidato.
