Jornalista esportivo Claudio Carsughi morre aos 93 anos
Comunicador italiano estava hospitalizado por conta de uma infecção respiratória

O jornalista e comentarista esportivo Claudio Carsughi morreu aos 93 anos. Após 27 dias internado por conta de uma infecção respiratória, o comunicador italiano faleceu nesta quinta-feira (10).
Tudo em um só lugar.
Receba as principais notícias do Gazeta Esportes no WhatsApp e fique por dentro de tudo!

A informação foi confirmada em vídeo publicado nas redes sociais por Claudia Carsughi, filha do comunicador.
Leia também
"Meu pai acabou de partir depois de 27 dias lutando contra uma infecção respiratória. Ele agora está em paz junto aos nossos antepassados. Pedimos aos fãs que orem por ele", disse Claudia.
O italiano Claudio Carsughi, que chegou ao Brasil em 1946 após a Segunda Guerra Mundial, era um dos mais renomados jornalistas esportivos do país.


Dupla invade residência e mata homem a tiros na frente da família em Arapiraca

Ufal abre 200 vagas para estudantes da rede pública se prepararem para o Enem 2027

Manches de óleo aparecem nas praias do Saco e do Francê

Homem é preso após importunar funcionária e tentar subornar policiais em Rio Largo
Com mais de 70 anos de carreira, o comunicador teve passagens pela Jovem Pan, ESPN, SporTV, Uol e Grupo Abril, sendo considerado um dos pilares na criação da revista Quatro Rodas.
Vida e carreira de Carsughi
Claudio Carsughi nasceu em Arezzo, Italia, em 13 de outubro de 1932. Com cinco anos foi com a família para Firenze e lá nasceu a paixão pelo futebol e em particular, pelo time da Fiorentina.
Após o fim da Segunda Guerra, em março de 1946, a família decidiu vir para o Brasil.
Chegaram ao Rio de Janeiro, onde ficaram por cerca de um mês, seguindo para moradia definitiva em São Paulo.

Ele então foi estudar num colégio italiano, o Dante Alighieri, onde ficou até entrar na faculdade de Engenharia Civil, a Poli (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo). Trabalhou por pouco tempo como engenheiro e depois migrou para o jornalismo, paixão antiga.
Enquanto estudava, com 13 anos já escrevia textos para o jornal italiano Corriere dele Sport, periódico em que se tornou correspondente.
Em 1950, Carsughi teve a ideia de escrever textos contando como era a movimentação dos brasileiros em relação à Copa. Ali começava a brilhante carreira como jornalista.
No início dos anos 1950, Claudio trabalhou na Rádio Cultura de Poços de Caldas, em Minas Gerais. Pouco depois, sua carreira no rádio tomou uma dimensão maior.
Em 1957, foi contratado pela Rádio Panamericana, em São Paulo, emissora que posteriormente se tornaria a Jovem Pan. Começou ligado ao futebol, mas rapidamente ampliou sua atuação. Em 1958, já comentava futebol, Fórmula 1 e assuntos relacionados à indústria automobilística.
A relação com a Pan foi interrompida algumas vezes ao longo dos anos, mas acabou se tornando uma das mais longas e marcantes histórias profissionais do rádio brasileiro. Entre 1960 e 1963, meu pai trabalhou na Rádio Bandeirantes.
Depois passou pela Rádio Record e, quando a emissora deixou de transmitir futebol, voltou àquela que foi sua casa por mais de 60 anos, a Rádio Jovem Pan.
Na imprensa escrita, também construiu uma carreira, trabalhou na Gazeta Esportiva e, em 1965, foi convidado por Mino Carta para integrar a equipe do recém-lançado “Jornal da Tarde”.
Foi correspondente do Corriere dello Sport, da revista Calcio e Ciclismo Illustrato, além da Tuttosport.
Em 1971 passou pela Editora Abril, trabalhando na revista Placar. Em seguida, em 1974, chegou à Quatro Rodas onde permaneceu por 25 anos.
Seu conhecimento técnico proporcionou avaliar de uma forma absolutamente completa cada carro que chegava às suas mãos. Claudio Carsughi foi o primeiro jornalista a ver e testar o carro Gol da Volkswagen e também a se despedir dele para a chegada do Polo.
Entre 1974 e 1990, foi responsável pela área técnica e pela avaliação de automóveis da revista, tornando-se uma das figuras mais importantes da publicação.
No rádio, participou de grandes coberturas de futebol e acompanhou cinco Copas do Mundo consecutivas como comentarista da Rádio Panamericana: 1970, 1974, 1978, 1982 e 1986.
A partir de 1995, passou a colaborar também com o jornal italiano La Stampa, especialmente na cobertura da indústria automobilística e nesse momento surgiu mais uma vertente do que seria seu trabalho como jornalista além do futebol, a indústria automobilística.
Em 1996, passou a integrar a ESPN Brasil, onde comentou Fórmula 1 e futebol até 2005. Depois, passou a trabalhar no SporTV, no programa Arena comentando Fórmula 1, motociclismo e futebol.
A histórica carreira atravessou diferentes gerações de mídia: começou no jornal impresso e no rádio, passou pelas revistas, chegou à televisão e, posteriormente, alcançou a internet.
Em 2012, ao lado da filha Claudia, foi lançado o "Site do Carsughi", reunindo em um mesmo espaço conteúdos sobre indústria automobilística, Fórmula 1, futebol e turismo.
Depois de deixar a Jovem Pan, em 2015, ele passou a produzir conteúdo também pelo UOL, com os "canais Carsughi", "UOL Carros" e UOL Esporte.
Pouco tempo depois, voltou ao rádio pela Rádio Nacional, integrando a equipe do programa "No Mundo da Bola", participando também da programação esportiva da TV Brasil.
Em 2015, a filha Claudia criou o prêmio "Carsughi L’Auto Preferita", reunindo jornalistas especializados para avaliar os principais modelos e marcas do mercado automobilístico, como uma forma de homenagear em vida a carreira brilhante que o comunicador construiu.
Em 2025, aos 93 anos, Claudio Carsughi recebeu uma homenagem na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em reconhecimento à sua trajetória e à contribuição que prestou ao jornalismo e ao automobilismo brasileiro.
Rubens Barrichello, Felipe Massa, Milton Neves e tantos outros passaram a chamá-lo de “Mestre Carsughi”. Não era apenas um apelido, era uma forma de reconhecer uma carreira construída ao longo de décadas de trabalho.
