De charutos a grife: como Casares usou R$ 1 milhão do cartão do São Paulo
Ex-presidente está sendo investigado na justiça

Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, teria gastado cerca de R$ 1 milhão no corporativo do clube, e no detalhamento dos valores debitados, teria incluído restaurantes badalados, marcas de luxo e viagens internacionais. A informação foi apurada pelo 'ge' e confirmada pelo Lance!.
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O período gira entre 2021 e 2025, anos nos quais Casares cumpriu seu mandato. Inclusive, os valores tiveram um aumento exponencial com o passar do tempo. Em 2021, Casares teria movimentado cerca de R$ 20 mil. Em 2024, o valor chegou a bater R$ 428.568,52. Neste momento, o ex-presidente estava vivendo seu segundo mandato.
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Restaurantes, charutos e grifes
Entre os estabelecimentos mais frequentados por Casares com o cartão do clube está o Esch Café, uma tabacaria especializada em charutos, que também funciona como um gastro-bar. Ao longo de cinco anos de mandato, o ex-dirigente pagou a conta 71 vezes no estabelecimento, totalizando R$ 77.140,97. Vale destacar que, se em 2021 ele foi apenas uma vez ao local, em 2025, as visitas chegaram a 34.


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O registro também contou idas ao restaurante Gero, do grupo Fasano. Ao todo, foram 53 cobranças diferentes. Outro ponto também chama atenção: idas ao Café Empório Ibérico, presente em 12 faturas de 2024 (R$ 11.939,71), porém, este com um detalhe especial. Namorada de Casares, Mara Carvalho era uma das sócias do estabelecimento.
Além dos estabelecimentos, grifes como Prada também pintaram nas faturas. Gastos com cuidados pessoais, como endocrinologista e idas a um salão de beleza foram listadas.
As viagens internacionais de Casares
Parte significativa dos gastos ocorreu fora do Brasil. Em janeiro de 2025, durante a pré-temporada do São Paulo nos Estados Unidos, Casares gastou cerca de R$ 51 mil no cartão corporativo, incluindo uma compra de mais de R$ 26 mil na Prada.
Ainda em 2024, Casares esteve nos Estados Unidos como chefe da delegação da Seleção Brasileira na Copa América, a serviço da CBF. Nessa viagem, gastou quase R$ 80 mil no cartão do clube, incluindo compras em lojas como Zara, Sephora, Victoria's Secret e, novamente, Prada.
O presidente teria devolvido parte do valor, no fim de 2025. Ao todo, teriam voltado cerca de R$ 560.401,74, valor que classificou como referente a gastos pessoais. Mas outro detalhe chama atenção: os pagamentos começaram no final do ano passado, quando Casares começou a ser alvo de inquéritos da polícia civil.
O lado do São Paulo
Procurado, o São Paulo informou que o valor devolvido foi definido pelo próprio Casares e que todas as faturas de sua gestão estão sendo analisadas internamente. Segundo o clube, caso se comprove uso pessoal do cartão em outras ocasiões, também será buscado o ressarcimento correspondente.
- O valor devolvido ao São Paulo Futebol Clube foi estabelecido por Júlio Casares, presidente do clube à época. Ao assumir o clube em janeiro deste ano, Harry Massis determinou a criação de uma política para o uso do cartão corporativo do clube. Desde então, todas as faturas anteriores estão sendo analisadas. Caso seja comprovado que o cartão corporativo foi utilizado para fins pessoais, a instituição buscará o ressarcimento - disse o posicionamento enviado ao Lance!.
A defesa de Casares foi procurada, mas a reportagem ainda não obteve um retorno quanto ao posicionamento. Caso aconteça, será atualizada.
São Paulo mudou a política com cartões corporativos
Em fevereiro, o Lance! adiantou que o São Paulo criou uma nova norma para administrar o uso do cartão corporativo após a polêmica envolvendo os gastos durante a gestão de Julio Casares. O Lance! apurou que antes se prezava pelo "bom senso", mas agora uma norma foi criada. O acesso dela está disponível para todos os colaboradores do clube. Essa "notificação" tem o Compliance por trás.
Antes, existia um senso comum sobre o uso, mas seu uso não dependia especificamente de uma norma.
Parte-se do princípio que o corporativo deve ser utilizado somente para gastos que envolvam o São Paulo como clube - e não para uso pessoal.
Casares, por sua vez, segue enfrentando outras frentes de apuração. Desde abril, tramita na Comissão de Ética do clube um pedido de expulsão do quadro associativo, sob acusação de gestão temerária ou irregular.
Ele também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por saques de quase R$ 7 milhões feitos pela presidência sem justificativa aparente, além de um esquema de exploração irregular de camarotes do Morumbis. Não há relação direta entre essas investigações e as faturas do cartão corporativo.
