Cinco lições do Mundial de Ginástica Artística 2026 rumo a LA28
Competição dá primeiro panorama para o cenário dos próximos Jogos Olímpicos, com Rebeca Andrade e Flávia Saraiva

As tendências do ciclo Olímpico para LA28 estão mais claras após o Campeonato Mundial de Ginástica Artística 2026. Com três esquipes já classificadas em cada gênero, os atletas desenharam em Roterdã os caminhos para os próximos dois anos.
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O país com mais medalhas foi os EUA, oito no total, enquanto a República Popular da China ficou com sete. Japão (quatro), Armênia (quatro) e a Argélia de Kaylia Nemour (dois ouros da ginasta nas barras assimétricas e na trave) aparecem logo em seguida.
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O Brasil foi o sexto, com um ouro de Rebeca Andrade no salto e um bronze de Flávia Saraiva na trave. Por mais que não tenha levado uma das vagas por equipes, a quinta colocação coloca a seleção feminina entre as maiores candidatas para as nove vagas em oferta no Mundial de 2027. A situação da masculina, no entanto, é mais delicada.
Confira abaixo cinco lições do Mundial de 2026.


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Rebeca Andrade ainda pode vencer, mesmo com "plano B"
A ausência de Rebeca Andrade das competições por quase dois anos e sua escolha por deixar o solo e não fazer a série de barras em 2026 reafirmaram a autonomia da dona de seis medalhas Olímpicas sobre o futuro de sua carreira.
Mesmo sem suas maiores dificuldades, Rebeca entregou mais uma vez, confirmando o favoritismo no salto. Ela sequer precisou do Cheng (5.6), optando por um Yurchenko com dupla pirueta (5.0) e um López (4.8).
Claire Pease, dos EUA, fez o Cheng, e mesmo assim obteve uma nota menor do que Rebeca, devido à excelência da execução da brasileira.
Com o grande objetivo de ganhar uma medalha Olímpica nas barras, Rebeca deixou seu recado. Às vezes, menos é mais.
Flávia Saraiva não veio somente 'para participar'
A medalha de bronze na trave no último dia de competição chegou como um presente para Flávia Saraiva por sua entrega durante a competição. A carioca apresentou 13 séries durante o Mundial, fazendo os quatro aparelhos nas classificatórias, na final por equipes e na decisão do individual geral.
Flávia sabia que a final da trave era sua melhor chance e montou uma série com dificuldade de 6.3 (que acabou sendo considerada como 6.1 pelos árbitros), no mesmo nível das principais favoritas.
Indo para o tudo ou nada, a carioca teve um dia de "descanso" para se dedicar totalmente à esta série. Ao acertar os movimentos e evitar uma queda, ela conquistou uma medalha que buscava há mais de uma década e ganhou confiança para tentar um pódio Olímpico individual.
Disputa por outras vagas na equipe beneficia Brasil
Caso o Brasil se classifique para LA28, as vagas da equipe serão extremamente disputadas nos próximos dois anos.
Lorrane Oliveira deu um passo importante ao avançar à decisão do individual geral após 11 anos. Em Paris 2024, ela fez um salto nas classificatórias e a série de barras duas vezes. Em Roterdã, ela cresceu no solo, incorporando o Dos Santos I em sua série, aumentando a dificuldade.
Sophia Weisberg, de 16 anos, por mais que tenha sentido nas classificatórias do Mundial, foi importante na final por equipes ao acertar a dupla pirueta. Thaís Fidelis também mostrou segurança em suas apresentações.
Com Júlia Soares em recuperação de lesão, as ginastas devem entregar o seu máximo em 2027 para tentarem garantir seus lugares em Los Angeles.
Seleção masculina tem sinal de alerta
A equipe masculina do Brasil, que levou apenas duas vagas individuais em Paris 2024, ficou em 19º neste Mundial e não teve representantes na decisão do individual geral. O acidente com Arthur Nory na barra fixa deixou a situação ainda mais difícil.
A boa notícia é que o Brasil pode contar com Caio Souza no próximo ano. Ele se lesionou e passou por cirurgia logo antes deste Mundial. Com séries nos seis aparelhos e notas consistentes, ele pode ajudar a impulsionar a equipe para a vaga Olímpica.
À espera de Simone Biles, outras estrelas brilham
Em relação às outras equipes, os EUA veem em Skye Blakely e Claire Pease seu maior potencial neste momento. Enquanto os chineses seguem sendo a equipe com maior profundidade de candidatos em provas distintas nos dois gêneros, o Japão vê sua equipe feminina voltar ao pódio após 60 anos e se aproximar da dominante masculina.
A argelina Kaylia Nemour também sai maior deste Mundial, cada vez mais candidata em todas as provas, não somente nas barras. Se não tivesse errado um salto na decisão do individual geral, sua contagem de medalhas seria ainda maior.
A maior dúvida para 2027, no entanto, é se Simone Biles retorna, quando e como. Ela virá para aumentar suas dificuldades, como fez no ciclo de Paris, ou optará uma abordagem mais pontual, como Rebeca? Em Roterdã, ela aplaudiu os outros ginastas, com a possibilidade de receber as mesmas ovações em casa em 2028.
