Caso Damião: Santos é condenado a pagar R$ 74 milhões para a Doyen
Fundo cobra valor mínimo previsto em contrato, de 18 milhões de euros, superior aos 13 milhões de euros investidos pelo grupo na contratação
A Justiça de São Paulo ordenou o Santos a pagar R$ 74.215.800 ao fundo de investimentos Doyen pelo empréstimo para a contratação do atacante Leandro Damião, que chegou à Vila Belmiro no início de 2014. É a primeira decisão sobre a cobrança, e o clube poderá recorrer.
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A pedido da Doyen, a ação corre em segredo de Justiça no Fórum Cível de São Paulo. A decisão determina o pagamento da dívida em até três dias, além dos honorários dos advogados, fixados em 10% do valor da causa (R$ 7,4 milhões). Caso o Santos não pague, o tribunal determinará penhora de bens.
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Damião assinou contrato com o Santos em dezembro de 2013. A Doyen financiou os 13 milhões de euros (cerca de R$ 53 milhões, na cotação atual) pedidos pelo Internacional. Por contrato, o clube deveria quitar a dívida, que seria acrescida de juros de 10% por ano, até o fim do contrato do atleta.
O acordo também determinava que o valor mínimo de mercado de Damião seria de 18 milhões de euros (aproximadamente R$ 73,5 milhões). A cláusula 9.2 afirma que, caso o atacante fosse considerado um "free agent" (jogador livre) pela "Fifa, CBF, ou por qualquer outra entidade, tribunal ou autoridade competente", o Santos deverá pagar à Doyen o valor previsto como mínimo - superior ao investimento feito pelo fundo.


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Como comparação: ao vender Neymar para o Barcelona, em 2013, o Santos recebeu 17,1 milhões de euros (R$ 56 milhões na cotação da época) pela transferência de sua maior revelação recente - esse valor não inclui acertos paralelos com os catalães pelo atacante.
Em janeiro deste ano,o jogador conseguiu liberação definitiva no TST(Tribunal Superior do Trabalho) para se desvincular do Santos - atualmente defende o Betis, da Espanha - após longa batalha nos tribunais. Damião pedia o rompimento de seu contrato desde o início de 2015, quando alegou atrasos de salários e outras verbas trabalhistas.
A cobrança por Damião não é a única da Doyen contra o Santos. O fundo também quer receber valores relativos a direitos econômicos do meia Felipe Anderson e do meia-atacante Geuvânio. No caso desde último, negociado com o Tianjin Quanjian, da China, em janeiro, o Santos teve que depositar R$ 17 milhões em juízo.
A atual administração do Santos, comandada pelo presidente Modesto Roma Júnior, contesta todos os acordos assinados com a Doyen pela gestão anterior, de Odílio Rodrigues.Modesto defende que os contratos, ou ao menos parte deles, desrespeitam o estatuto alvinegro.
A reportagem tentou contato com o dirigente, mas ele não atendeu às ligações. O clube, através de sua assessoria de imprensa, informou que não comentaria o caso.
