Uefa declara boicote à Copa do Mundo e rompimento com a Fifa
Entidade europeia faz duro pronunciamento contra decisão de Infantino

A Uefa e suas 55 associações fizeram um duro pronunciamento contra o projeto de criação do FIFA Forward Enterprise (FFE). Em nota, a entidade declarou rompimento com o órgão que rege o futebol mundial por conta dos interesses comerciais da entidade.
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A FIFA Forward Enterprise é empresa avaliada em US$ 20 bilhões que concentraria os ativos comerciais da Fifa, incluindo os direitos da Copa do Mundo, da Copa do Mundo Feminina e do Mundial de Clubes. A entidade pretende vender cerca de 20% da companhia para investidores privados e levantar aproximadamente US$ 4,2 bilhões, mantendo o controle acionário da nova estrutura.
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Em nota, a Uefa afirmou que o futebol "não pode ser tratado como um produto de investimento" e afirmou que a Fifa colocou as federações nacionais em situação delicada em uma atitude antidemocrática. Diante desse cenário, a entidade europeia fez uma reunião emergencial com suas associações para discutir o tema.
"Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada. Ninguém deve ter dúvidas: a UEFA e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação. Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda", disse a Uefa em comunicado.


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Com esse comunicado, a Uefa coloca em dúvida a participações de seleções europeias na Copa do Mundo Feminina, que é organizada pela Fifa. Em outubro, as Eliminatórias da Europa para o Mundial do Brasil possuem jogos marcados para os dias 9 e 13. No entanto, não há certeza se as partidas ocorrerão nessas datas diante do forte comunicado da Uefa sobre os planos da Fifa.
Veja o comunicado da Uefa na íntegra
A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da FIFA de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com os responsáveis pela gestão do esporte. Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Esta não é uma "decisão democrática", mas sim uma governança pela intimidação – um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da gestão do futebol mundial.
Mas a nossa oposição vai muito além dos processos.
No momento em que investidores externos adquirem participações acionárias em competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se em uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que molda o futuro do futebol deixa de ser guiada pelo que é melhor para o esporte e passa a ser guiada pelo que é melhor para os acionistas.
Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cuja principal obrigação é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem ser subordinados ao retorno dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em busca de lucro.
A posição da Europa é clara. Jamais daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que simplesmente detém em custódia para a próxima geração.
Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.
Ninguém deve ter dúvidas: a UEFA e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação.
Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Este é um desses momentos.
Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda.
