Real Madrid abre os cofres e registra maior gasto em reforços desde 2019
Clube espanhol investiu 225 milhões de euros nas contratações

O Real Madrid mudou de patamar no mercado de transferências em 2026. Depois de duas temporadas sem conquistar os principais títulos, o clube espanhol investiu 225 milhões de euros em reforços e registrou seu maior gasto desde 2019, em uma janela que representa também uma mudança importante na estratégia adotada nos últimos anos.
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Yan Diomande, Cucurella, Carlos Espí e Dumfries foram contratados mediante pagamento de transferências, enquanto Konaté e Bernardo Silva chegaram sem custos após o encerramento de seus contratos. Somadas, as operações colocaram o Real Madrid como o principal investidor da La Liga e entre os clubes que mais gastaram no futebol europeu.
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O valor aplicado pelo clube representa mais de um terço de todo o investimento feito pelo Real Madrid em transferências nos últimos cinco anos. A janela de 2026 mostra uma mudança no perfil de jogador procurado pelo clube. O clube espanhol manteve a busca por nomes jovens e com potencial de protagonismo, mas passou a investir também em atletas mais experientes, algo que havia deixado de fazer com frequência desde 2019.
A movimentação ocorre após uma temporada que aumentou a pressão sobre o projeto esportivo. O Barcelona consolidou sua força no futebol espanhol, enquanto o Real Madrid encerrou mais um ciclo sem os principais troféus e decidiu acelerar a reformulação do elenco para a nova passagem de José Mourinho pelo comando técnico.


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Diomande lidera investimento histórico
A principal contratação da janela foi Yan Diomande. O Real Madrid pagou 125 milhões de euros fixos ao RB Leipzig pelo jogador, em uma negociação que pode alcançar 140 milhões de euros com o cumprimento de metas e variáveis.
O valor transforma Diomande na contratação mais cara da história do Real Madrid. O investimento supera os 120 milhões de euros desembolsados por Hazard em 2019 e coloca o novo reforço no topo de uma lista que também conta com Bellingham, Gareth Bale e Cristiano Ronaldo.

A aposta no jogador se encaixa em uma estratégia que o clube adotou com frequência nos últimos anos: investir alto em atletas ainda jovens, mas já preparados para assumir protagonismo imediato. Foi dessa maneira que chegaram nomes como Bellingham e Tchouaméni, duas das maiores contratações recentes do Real Madrid.
O restante do mercado, entretanto, mostra que a política deixou de ser tão rígida. Cucurella foi contratado do Chelsea por 55 milhões de euros aos 27 anos. Dumfries, de 30, chegou da Inter de Milão por 20 milhões. Carlos Espí custou outros 25 milhões ao Levante.
Até então, o Real Madrid evitava pagar transferências elevadas por jogadores já próximos ou acima dos 25 anos. Com exceção de Trent Alexander-Arnold, cuja chegada antecipada custou cerca de dez milhões de euros para permitir sua participação no Mundial de Clubes, o clube não fazia esse tipo de investimento desde 2019.
Naquele ano, Hazard e Ferland Mendy representaram justamente o último grande movimento do Real Madrid por jogadores mais experientes mediante pagamento.
Konaté e Bernardo Silva, por outro lado, mantêm outra característica tradicional da política madridista: aproveitar oportunidades de mercado envolvendo atletas em fim de contrato. A dupla chegou sem taxa de transferência após deixar Liverpool e Manchester City, respectivamente.
O resultado é uma janela que combina três caminhos diferentes. Diomande representa o investimento em uma futura estrela; Konaté e Bernardo Silva são oportunidades de mercado entre jogadores já consolidados; Cucurella e Dumfries mostram uma nova disposição do clube para pagar por atletas experientes.
O que os mercados de 2009 e 2019 ensinam ao Real Madrid
O investimento de 225 milhões de euros faz de 2026 o terceiro maior mercado comprador do Real Madrid neste século, atrás apenas das janelas de 2009 e 2019.
O verão de 2009 marcou o início de uma das maiores transformações da história recente do clube. No retorno de Florentino Pérez à presidência, o Real Madrid contratou Cristiano Ronaldo, Kaká, Benzema, Xabi Alonso, Raúl Albiol, Arbeloa e Granero.
O investimento chegou a 258,5 milhões de euros e mudou o nível esportivo do elenco. Cristiano Ronaldo se tornou o maior artilheiro da história do clube, Benzema conquistou a Bola de Ouro e nomes como Xabi Alonso e Arbeloa participaram de uma das fases mais vitoriosas da equipe.

Dez anos depois, o cenário era diferente. A saída de Cristiano Ronaldo havia encerrado uma era, e o Real Madrid respondeu com o maior investimento de sua história.
O clube movimentou mais de 300 milhões de euros nas principais contratações de 2019. Hazard foi adquirido por 120 milhões de euros, enquanto Luka Jovic, Éder Militão, Ferland Mendy e Rodrygo completaram a lista dos investimentos mais relevantes.
O desempenho daquele mercado foi desigual. Militão, Mendy e Rodrygo se tornaram peças importantes em títulos conquistados pelo Real Madrid nos anos seguintes. Rodrygo ganhou espaço no ataque e participou de campanhas decisivas na Champions League, enquanto Militão e Mendy fizeram parte da estrutura defensiva de um time campeão europeu.
Hazard e Jovic, por outro lado, não entregaram o retorno esperado. Os dois consumiram 183 milhões de euros em transferências e tiveram participação muito menor do que o clube projetava.
O belga sofreu com problemas físicos e não conseguiu repetir em Madri o desempenho que o transformou em um dos principais jogadores do Chelsea. Jovic também não se consolidou como opção ofensiva e deixou o clube sem alcançar a expectativa criada pelo alto investimento.
La Fábrica reduz o impacto da reformulação
O alto investimento de 2026, porém, não representa necessariamente uma operação de grande risco financeiro para o Real Madrid. A principal diferença em relação aos mercados de 2009 e 2019 está no volume arrecadado pelo clube. As operações envolvendo jogadores formados em Valdebebas renderam cerca de 199 milhões de euros.
A maior negociação envolveu Nico Paz. O Real Madrid exerceu uma opção de recompra antes de negociá-lo novamente com o Como, em uma operação que gerou cerca de 60 milhões de euros e ainda preservou possibilidades futuras relacionadas ao jogador.
Gonzalo García também foi vendido por 40 milhões de euros, com o clube mantendo 30% dos direitos do atleta. Víctor Muñoz rendeu outros 20 milhões, enquanto uma série de operações envolvendo jogadores formados na base ampliou a arrecadação.

Mario Gila, Álvaro Rodríguez, Álex Jiménez, César Palacios, Jacobo Ortega, Víctor Valdepeñas, Fran García, Mario Martín, Fran González e Manuel Ángel também contribuíram para um verão que se tornou o mais lucrativo da história recente do clube em vendas relacionadas a jogadores.
A estratégia reduziu drasticamente o gasto líquido. Se em 2009 o Real Madrid terminou o mercado com um saldo negativo próximo de 170 milhões de euros e, em 2019, superou os 200 milhões de euros de déficit entre compras e vendas, a diferença em 2026 ficou próxima de 25 milhões.
O clube ainda reduziu sua folha salarial com as saídas de David Alaba, Dani Carvajal e Dani Ceballos. Os dois primeiros encerraram seus contratos, enquanto Ceballos rescindiu o vínculo que ainda mantinha com o Real Madrid.
As saídas não geraram receitas em transferências, mas retiraram contratos veteranos da folha e abriram espaço para os novos reforços. A combinação explica por que o Real Madrid conseguiu realizar o terceiro maior investimento de sua história sem vender Vini Jr, Bellingham, Mbappé, Fede Valverde ou outros jogadores que formam a base do elenco.
