TRE suspende nove rádios: entenda o novo confronto entre JHC e Renan Filho
JHC acusa adversário de “silenciar o povo de Deus”; Renan Filho afirma que veículos formavam um “gabinete do ódio”

A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) que suspendeu a programação normal de nove rádios e dez perfis nas redes sociais provocou um novo confronto entre os candidatos ao Governo de Alagoas JHC (PSDB) e Renan Filho (MDB).
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JHC acusou o adversário de promover um ataque contra os evangélicos e de tentar silenciar uma rádio religiosa. Renan Filho rebateu afirmando que os veículos seriam utilizados pelo candidato do PSDB para disseminar notícias falsas e os classificou como um “gabinete do ódio”.
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A suspensão foi determinada pelo desembargador eleitoral Klever Rêgo Loureiro, relator da Ação de Investigação Judicial Eleitoral nº 0601753-69.2026.6.02.0000. A medida vale até o encerramento da votação do primeiro turno, em 4 de outubro.
A ação foi ajuizada pela coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo, formada por MDB, Podemos, Agir, PSB, PSD, Avante, Federação Brasil da Esperança e Federação Renovação Solidária. Embora JHC atribua o pedido diretamente a Renan Filho, a coligação aparece formalmente como autora do processo.


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JHC fala em ataque aos evangélicos
Ao comentar a decisão, JHC direcionou as críticas a Renan Filho e afirmou que a suspensão atingiu uma emissora voltada ao público evangélico.
“Sinceramente, eu queria saber o que é que Renanzinho Calheiros tem contra o povo evangélico e o povo de Deus. Agora, ele pediu a retirada do ar de uma rádio evangélica, silenciando o povo de Deus. Silenciando pastoras, pastores, que pregam a palavra, que salvam vidas todos os dias”, declarou.
O candidato também relacionou a controvérsia ao fechamento de igrejas durante a pandemia e afirmou que Renan Filho não publicou um decreto relacionado à criação do Dia do Evangélico em Alagoas.
JHC acusou ainda o adversário de tentar interferir politicamente no meio religioso e classificou o pedido de suspensão como uma “atitude sórdida”.
“Então fica aqui o meu repúdio a essa atitude sórdida da sua parte de tirar uma rádio evangélica do ar que está para fazer o bem, para evangelizar. Vamos dizer não e um basta a esse calheirismo que quer dominar o nosso estado e silenciar o povo de Deus”, afirmou.
Renan fala em “gabinete do ódio”
Renan Filho respondeu afirmando que a decisão partiu da Justiça Eleitoral e que as emissoras e os perfis seriam utilizados para divulgar informações falsas contra seus adversários.
“A Justiça Eleitoral tirou do ar as rádios e aqueles sites que JHC utilizava para propagar notícia falsa. Tudo de propriedade dele mesmo. E, se ele não fala para as pessoas, essas rádios que saíram do ar são suas, JHC”, declarou.
O candidato do MDB classificou o conjunto de veículos como um “gabinete do ódio” e afirmou que a suspensão retirou um instrumento utilizado por JHC durante a campanha.
“Você tem um conglomerado utilizado para propagar notícia falsa. Sabe como isso se chama? Gabinete do ódio. Você perdeu o seu gabinete do ódio, tirou a tua bengala. É por isso que você está com essa cara de desesperado”, disse Renan Filho.
As afirmações de que os veículos pertencem a JHC, propagavam notícias falsas ou constituíam um “gabinete do ódio” são acusações feitas por Renan Filho. A decisão liminar não apresenta essas expressões como conclusões da Justiça Eleitoral.
O que determinou o TRE
A ordem alcança a Francês FM 106,1, Farol FM 104,3, Nova Brasil FM 106,5, Francês FM 99,1, Quilombo FM 106,7, Nova Farol FM 106,3, Farol FM 90,1, Farol FM 105,7 e Adore FM 89,3.
O TRE também determinou a suspensão dos perfis @francesnewsbr, @quilombofm, @agoraalagoas, @t82noticias, @redefrancesfm, @francesfmagreste, @francesfmcoruripee, @francesfmpenedo, @francesfmarapiraca e @francesfmdelmiro.
A programação normal das rádios foi suspensa, mas a decisão preservou a propaganda eleitoral gratuita e as demais transmissões obrigatórias por lei. As emissoras também devem divulgar, a cada 15 minutos, uma mensagem de orientação ao eleitor elaborada pela Secretaria Judiciária do TRE-AL.
O desembargador fixou multa diária de R$ 50 mil por emissora e de R$ 20 mil por perfil em caso de descumprimento. A fiscalização deverá ser realizada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com acompanhamento da Polícia Federal.
Por que houve a suspensão
Segundo a ação, foram monitoradas 2.372 inserções radiofônicas, veiculadas entre 1º de junho e 9 de setembro, e 2.313 publicações de 13 perfis, divulgadas entre 2 de março e 7 de setembro.
O levantamento apresentado pela coligação autora não identificou conteúdo desfavorável à chapa de JHC nas nove emissoras. Em sentido contrário, foram registradas milhares de inserções negativas contra candidaturas adversárias.
Ao analisar o pedido, Klever Rêgo Loureiro considerou que os documentos apresentados indicam sobreposição de dirigentes, compartilhamento de instalações e uniformidade de programação entre veículos formalmente controlados por empresas diferentes.
A decisão também menciona documentos que apontam vínculos entre dirigentes das emissoras e a administração municipal anteriormente comandada por JHC. O relator ressaltou, porém, que esse dado não é conclusivo isoladamente.
O TRE não declarou que a suspensão ocorreu por causa do conteúdo religioso das emissoras. A medida foi fundamentada em indícios de tratamento eleitoral privilegiado e possível uso indevido dos meios de comunicação.
Decisão ainda é liminar
A decisão tem caráter liminar e não representa uma conclusão definitiva sobre a existência de uso indevido dos meios de comunicação ou abuso do poder econômico.
O próprio relator destacou que a medida não atinge as candidaturas, os registros eleitorais nem a propaganda oficial dos investigados. Os responsáveis pelos veículos poderão apresentar defesa, e o caso ainda será analisado durante a instrução processual.
As medidas deverão ser reavaliadas depois do primeiro turno.
