Prece com feitio de eleição (por Pedro Costa)
Pedindo voto

NB: A saúde me impediu de escrever nas últimas semanas, pelo que peço desculpas ao leitor.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Viver, mais que Ortega y Gasset, nos ensina que não devemos esquecer as circunstâncias. Nunca pensei que, velho, fosse pedir que alguém votasse de tal ou qual maneira. O medo do absurdo me levou, há oito anos, a implorar que não se votasse em Jair Bolsonaro. Entre outras coisas, avisei que, se é difícil concretizar a promessa de coisa boa, o mal prometido acontece sempre, e para pior. Infelizmente eu estava certo e, se os mortos não estão aqui para testemunhar, os sobreviventes vimos um genocida em seus delírios escatológicos tentar acabar a democracia.
Leia também
A eleição deste domingo é, se possível, ainda mais importante.
Minha fé na democracia me fez aceitar, com naturalidade e algumas vezes com tristeza, muitas derrotas — e algumas extraordinárias vitórias. (Estive muito próximo do movimento que fez com que, desde 1985, o Brasil tenha passado a ser uma democracia eleitoral, o que nunca tinha sido.) Não peço voto por preferir um candidato — embora prefira, e como! Peço voto para que não acabe a democracia e para que não nos tornemos uma colônia.


Renan Filho promete “governo sério e honesto” na última agenda de campanha

Renan Filho comenta Quaest, critica pesquisa anterior e volta a projetar vitória

Renan Filho encerra campanha em Maceió e afirma: “Amanhã vamos ganhar a eleição”

Ao encerrar campanha no Benedito Bentes, JHC relembra início da sua trajetória
Vamos por partes. Primeiro deixem-me falar dos dois candidatos, que a isso se resume a eleição.
Lula é um estadista. Sua extraordinária carreira, de operário a Presidente da República, foi construída com seriedade e muito trabalho. Sustentou a indignidade da prisão sem provas e sem trânsito em julgado, quando não oferecia nenhum risco à sociedade. Teve excelentes resultados em seus governos — e é necessário lembrar as dificuldades que lhe deixou FHC e a terra arrasada que recebeu em 2023 — além de um Congresso delinquente.
A carreira de Flávio Bolsonaro se destaca apenas pela delinquência. Começou como funcionário fantasma. Deputado estadual, só o que fez foi defender e acumpliciar-se com milicianos e assassinos. Senador, estendeu sua cumplicidade ao PCC e ao CV e continuou suas transações imobiliárias e financeiras inexplicadas. Cúmplice da tentativa de golpe de Estado, promove a traição à pátria, a colonização do País e um novo golpe, prometendo ser apenas um preposto do genocida e a ele transferir o governo. Por tudo isso, devia estar na cadeia há muito tempo; o fato de enviar dinheiro para um dos assassinos de Marielle Franco devia fazer que nela permanecesse.
Mas não há por que se deter nas disparidades entre os dois candidatos. Mais do que uma competição entre eles o que teremos neste domingo é um referendo: democracia ou autocracia? Entre uma democracia conquistada com dificuldade e uma autocracia há pouco ensaiada, com resultados desastrosos. Entre a democracia com independência e a autocracia com subordinação a um tirano que teve a capacidade de acabar com Estado de Direito em seu País e que, se sobreviver à demência avançada em que se encontra, logo responderá por crimes contra a humanidade.
A opção que temos é clara como água de chuva que levanta o cheiro da terra depois da seca: escolher a vida, recusar a morte. Escolher o Brasil, não o Trump. Escolher o futuro, não o desastre do passado.
Escolher Lula, com alegria e confiança!, e recusar todos os que estão ligados ao bolsonarismo.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós!
Pedro Costa. Arquiteto e escritor.
Acompanhe a matéria em Metrópoles.com
