PARADO NO TEMPO

Enquanto o Nordeste avança, Alagoas não viabiliza nenhum parque de energia eólica

Em 1992, quando a primeira turbina para produção de energia eólica no Brasil estava sendo instalada em Fernando de Noronha, não se sabia que o Nordeste brasileiro iria se converter, quase três décadas à frente, numa referência na geração dessa modalidade de energia ambientalmente sustentável.

Em plena pandemia e em meio à “safra semestral de ventos”, o dia 30 de setembro do ano passado gerou um volume recorde de energia eólica na região nordestina, que detém mais de 80% dos parques eólicos do Brasil. Nessa data, a produção foi suficiente para garantir o abastecimento da região por 24 horas.

Pelos dados da Associação Brasileira de Eólica, os aerogeradores em operação mostram a competitividade de um segmento em ascensão. A energia que vem dos ventos já é a segunda fonte mais barata, perdendo apenas para as hidrelétricas, que são megaprojetos complexos e de grande impacto ambiental.

Ao Nordeste, a energia eólica vem gerando resultados positivos, que vão além dos benefícios da própria energia renovável. Há empregos diretos e indiretos, geração de renda para famílias arrendatárias de terrenos e receita para os municípios que abrigam os parques.

Incentivos fiscais, nacionalização da produção de componentes de turbinas, simplificação de procedimentos governamentais e criação da Frente Parlamentar em defesa de Energias Renováveis. São medidas que se sucedem para ajudar a impulsionar o segmento.

Já aprovado pelo Senado Federal, tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei de autoria do senador Collor, que prevê a implantação – em áreas do mar territorial - de usinas geradoras de energia por fonte eólica.

Enquanto Pernambuco e Sergipe, nossos vizinhos, aproveitam a ventania para mover dezenas de turbinas eólicas, a exemplo do que ocorrem nos demais Estados, Alagoas parou no tempo, como se aqui não houvesse vento para dinamizar nossas oportunidades.

Captar empreendimentos no setor de energia renovável só no papel, como consta no programa governamental de Renan Filho. O ótimo Atlas Eólico de Alagoas, assinado pela Eletrobras e Ufal, já faz treze anos e nunca mais passou por uma atualização.

Quando o assunto é energia eólica, Alagoas segue na orfandade, sendo o único Estado desprovido de parque instalado, apesar de possuir áreas propícias para geração de energia nessa modalidade, do litoral ao Sertão, como apontam os estudos.

A falta de empenho do Estado pode ser revelada pelo “Guia de Investimentos” do governo de Alagoas, publicado no site governamental. Lá, a energia eólica só aparece na penúltima página. E só não passa vexame por conta das informações do velho Atlas de 2008.