Vitória de Lula faz B3 acionar 'circuit breaker' pela 1ª vez desde 2020
Mecanismo de proteção do mercado interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas da bolsa

A surpreendente vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial derruba os ativos brasileiros. Investidores apostavam fortemente numa vitória do senador após ele ter saído na frente no primeiro turno do pleito, o que levou a uma forte valorização do mercado doméstico desde então.
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Hoje, em meio ao desmonte de posições, a B3 acionou o chamado "circuit breaker" logo na abertura dos negócios, quando o Ibovespa caiu 10% em relação ao pregão anterior.
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Com isso, as negociações de ações, derivativos e títulos de renda fixa privada foram interrompidas por 30 minutos. Durante este período, as ofertas que não estiverem participando de leilão poderão ser canceladas. Foi a primeira vez que o mecanismo foi usado desde março de 2020, em meio à pandemia de covid-19.
O "circuit breaker" é um mecanismo de proteção do mercado que interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas da bolsa. Segundo as regras da B3, caso o Ibovespa amplie as perdas para 15% após a retomada dos negócios, haverá uma nova suspensão, desta vez por uma hora.


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Apesar disso, após ter retomado os negócios após 30 minutos, o índice perdia cerca de 16%, mas as negociações não foram interrompidas. O Valor procurou a B3 e aguarda uma resposta sobre o que aconteceu.
A regra prevê ainda que, se a queda atingir 20% em relação ao fechamento anterior, a B3 poderá determinar uma terceira interrupção, por prazo a ser definido pela própria bolsa.
As regras não são aplicadas nos últimos 30 minutos do pregão. Caso a interrupção ocorra na última hora de negociação, o encerramento da sessão poderá ser prorrogado por até 30 minutos.
O mecanismo foi utilizado no país pela primeira vez em 1997, durante a crise asiática, e já foi acionado outras 23 vezes. Entre os principais momentos, segundo a B3, estão:
1997 – Crise asiática: o Ibovespa registrou queda de 10,19%;
1999 – Desvalorização do real: o Ibovespa caiu 10,29% no dia;
2008 – Crise do subprime nos Estados Unidos: houve seis interrupções em menos de um mês;
2020 – Pandemia de Covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março.
