Deolane tinha planos de mandar dinheiro do PCC para Dubai, segundo MPSP
Além da influenciadora, mais cinco pessoas foram denunciadas pelo MP

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi denunciada hoje pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) por suposto envolvimento com o PCC.
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O que aconteceu
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Deolane seria parte do núcleo financeiro da facção, de acordo com o MPSP. A denúncia foi oferecida hoje pelo promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, núcleo de Presidente Prudente.
A influenciadora tinha um plano para enviar dinheiro do PCC para Dubai, segundo a denúncia. O plano para "reestruturação criminosa de suas empresas" envolvia fundos do país conhecido por companhias que facilitam a lavagem internacional de ativos financeiros.


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Durante operação, foram apreendidos valores em dinheiro em casas de Deolane. Uma máquina de contagem de cédulas de propriedade da influenciadora também foi apreendida.
Relatórios técnicos obtidos pela investigação apontaram uma movimentação de R$ 140 milhões em contas ligadas a influenciadora. Para o MPSP, há "discrepâncias significativas" entre os valores movimentados por ela e os rendimentos declarados legalmente ao fisco.
Empresas da advogada foram utilizadas para lavagem de capitais. Foram listadas as empresas: Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda, Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda, DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda, DSDD Cobranças e Informações Cadastrais Ltda, Bezerra Produções Artísticas Ltda, e D & G Comércio em Geral Ltda.
As empresas teriam, de acordo com o MPSP, endereços inconsistentes e falta de estrutura física para as atividades declaradas oficialmente, o que levantou mais suspeitas entre a organização. As empresas de Deolane contavam com serviços de contadores de empresas ligadas a familiares de líderes do PCC, narra a investigação.
Além de Deolane, o MP denunciou mais cinco pessoas. São elas: Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção; Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, irmão de Marcola; Everton de Souza, apontado como operador financeiro da organização; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinhos de Marcola.
A defesa da influenciadora disse que "lamenta a divulgação antecipada da denúncia na imprensa. Ao UOL, o advogado Aury Lopes Júnior disse que ainda não teve acesso a acusação do MP. "Deolane não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo", conclui a manifestação. O advogado de Marcola, Paloma e Leonardo foi procurado, mas não retornou até o momento. A reportagem tenta contato com as outras defesas.
Ficou claro que familiares ou pessoas de confiança (denunciados Paloma e Everton) recebiam ordens dos líderes do Primeiro Comando da Capital (os denunciados Marcola e Alejandro) para distribuição da renda ilícita obtida com a empresa de transportes (depósitos em favor de Deolane, Everton e Paloma, a última se utilizando de interposta pessoa; apontamento sobre a porcentagem de Leonardo nas conversas), administrada diretamente por Ciro Cesar Lemos.
Trecho da denúncia
A denúncia ocorre um dia depois de Deolane ter um habeas corpus pedindo sua liberdade negado no STJ (Superior Tribunal de Justiça). A defesa alega, entre outras, que Deolane é mãe de uma criança e por isso deveria ficar presa em casa, mas os ministros entenderam que, por ora, não caberia ao STJ essa avaliação e recomendaram celeridade na análise do caso pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
A influenciadora está presa desde o dia 21 de maio, suspeita de ligação com o PCC. Ela estaria envolvida com transações para a família de Marcola, segundo o Ministério Público, e teria usado as próprias contas para transferir dinheiro de uma transportadora de cargas que, por sua vez, lavava dinheiro para a família Camacho.
