Após trauma em congelamento de óvulos, Fhabi Hanna desabafa sobre etarismo e pressão para ser mãe
Atriz relata ter sido desacreditada por médicos por conta da idade erelembra experiência traumática

Depois de tornar pública a grave complicação que enfrentou durante o processo de congelamento de óvulos, quando sofreu uma hemorragia interna e precisou ser internada na UTI, a atriz, cantora e influenciadora Fhabi Hanna decidiu falar sobre outro tema que, segundo ela, acompanha a vida de milhares de mulheres: o etarismo e a pressão constante relacionada à maternidade.
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A artista afirma que sua decisão de congelar óvulos foi influenciada não apenas pelo desejo de preservar a possibilidade de ser mãe no futuro, mas também por anos ouvindo discursos que associam fertilidade feminina a uma suposta “idade limite”.
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“Sim, aquele conceito ultrapassado de que a mulher depois dos 35 não pode mais ter filhos influenciou. Não no início, mas existe uma grande quantidade de mulheres que acabaram desistindo de ser mãe com base em pessoas que distribuem informações falsas e não possuem experiência prática a respeito”, afirmou.
Ao longo da busca por clínicas especializadas, Fhabi relata ter enfrentado situações que abalaram sua confiança e a fizeram questionar se ainda conseguiria realizar o sonho da maternidade.


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“Saí da clínica chorando”
Uma das experiências mais marcantes aconteceu durante uma consulta médica.
“Eu visitei várias clínicas e, em uma muito famosa, um dos médicos me criticou por ter esperado tanto tempo para congelar óvulos. Me tirou a esperança de conseguir realizar o meu sonho. Lembro-me que saí de lá chorando. Foi horrível, mas eu não desisti”, contou.
Segundo a atriz, a falta de informação adequada sobre fertilidade feminina também contribuiu para aumentar sua insegurança ao longo dos anos.
“Hoje nós temos mais informação, mas antigamente os ginecologistas não informavam para as mulheres que depois dos 35 era possível congelar óvulos. Eu só tive conhecimento disso aos 38 anos através da minha mastologista”, explicou.
Ela relembra ainda que ouviu de um profissional de saúde que já não poderia realizar o procedimento.
“Aos 35 eu passei por um ginecologista que me falou: ‘Você não pode mais congelar óvulos porque já passou da idade’. Aquilo me deixou muito triste".
A mudança aconteceu quando encontrou uma médica que apresentou uma perspectiva diferente sobre o tema.
“Conheci essa médica que me incentivou e me indicou uma clínica. Daí comecei a correr atrás e hoje consegui realizar o que tanto queria e tenho uma possibilidade de ser mãe".
A cobrança invisível sobre as mulheres
Ao refletir sobre a experiência, Fhabi também abordou a pressão enfrentada por mulheres para conciliar juventude, aparência, sucesso profissional e maternidade.
“Nós mulheres somos cobradas o tempo inteiro para sermos bem-sucedidas, manter-nos jovens, sermos boas mães e cuidar da família. Tudo isso com um sorriso no rosto. E quando a pressão pesa, às vezes não conseguimos ser perfeitas e somos chamadas de loucas. Acho isso muito injusto”, desabafou.
Ela acredita que essa cobrança não está restrita ao universo artístico, embora a exposição pública amplifique seus efeitos.
“Não, a cobrança é igual. O fardo é pesado como o de qualquer outra mulher, mas no meu caso, por ser uma pessoa pública, acaba me gerando um pouco mais de ansiedade".
A atriz também criticou opiniões sobre fertilidade emitidas por pessoas que nunca enfrentaram a situação na prática.
“Muitos desses discursos são feitos por pessoas que nunca passaram por isso, que só conhecem o problema na teoria. Existe muito preconceito com questões tão delicadas como idade e doenças como endometriose. Hoje evoluímos muito na medicina e as possibilidades são grandes.”
“Hoje eu quero ser mãe mais do que nunca”
Mesmo após enfrentar uma das experiências mais difíceis de sua vida durante o congelamento de óvulos, Fhabi afirma que o episódio fortaleceu ainda mais seu desejo de ser mãe.
“Depois de tudo que passei e superei, isso só me deu mais força para querer ser mãe. Hoje é uma das coisas que eu mais quero na minha vida".
Ao final, a artista deixou uma mensagem para mulheres que convivem com inseguranças relacionadas à idade e aos próprios sonhos.
“Eu quero que as mulheres vejam que a idade não é um obstáculo, mas sim um incentivo para que elas deem o seu melhor, que usem a sabedoria que vem com a idade ao seu favor e não se limitem ao preconceito e ao medo imposto pelos outros.”
“Confiem em si, sigam seus objetivos e instintos de mulher. Isso é mais forte do que o número de anos que você tem. Corra atrás dos seus sonhos, continue lutando independente dos desafios. Lute até o fim. Aproveite cada dia, ame viver e aceitem a felicidade".
