Filme da Netflix sobre Caso Elize Matsunaga vai muito além do crime, afirma diretor
Rolling Stone Brasil conversou com Felipe Vellas, diretor de Elize: Sombras de Uma Mulher, longa inspirado no crime que chocou o país em 2012
O caso de Elize Matsunaga é um dos crimes mais conhecidos da história recente do Brasil. E, aproveitando o sucesso dos filmes baseados em crimes reais, Elize: Sombras de Uma Mulher, filme inspirado no caso real que chocou o país em 2012, chega à Netflix com a proposta de mergulhar na complexidade psicológica da protagonista, vivida por Lorena Comparato (Mate-Me Por Favor), explorando os acontecimentos a partir de sua perspectiva.
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Em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil, o diretor Felipe Vellas (DNA do Crime) falou sobre o que o levou a aceitar o projeto, a escolha de Lorena para o papel principal, a parceria com os roteiristas Raphael Montes (Bom Dia, Verônica) e Mariana Torres (Maysa: Quando Fala o Coração), entre outros assuntos. Confira a seguir na íntegra:
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O ambíguo interessa
Para Vellas, mergulhar na ambiguidade de Elize Matsunaga foi o que mais o motivou a dirigir o longa. “Existem documentários, livros e vários materiais sobre a Elize, mas fazer uma história ficcional pela ótica dela foi o que mais me interessou. Ela é uma personagem extremamente intrigante“, afirmou.


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O diretor destaca que até hoje não há consenso entre especialistas sobre o que motivou o crime cometido em 2012. “Os próprios médicos e legistas não chegam a um consenso se ela tem alguma patologia ou se foi uma mulher comum que agiu no impulso e no desespero“, comentou.

Muito além do crime
Para Vellas, o filme não pretende apenas reconstituir um caso policial. A produção aborda temas que permanecem atuais, como violência psicológica, relações abusivas, ciúme e sentimento de posse. “O longa fala muito sobre o relacionamento abusivo que um casamento pode ter. Achei importante contar essa história pelo momento que vivemos no país.”
Segundo o cineasta, a intenção nunca foi oferecer julgamentos ou respostas definitivas ao público. “É um filme para gerar perguntas. Tudo foi construído em cima dessa dubiedade e da complexidade da Elize.“

Lorena Comparato conquistou o papel logo no teste
A escolha de Lorena Comparato para viver Elize Matsunaga aconteceu de forma praticamente imediata. De acordo com Vellas, entre 12 e 15 atrizes participaram dos testes, mas a decisão foi tomada assim que a atriz deixou a sala. “A gente terminou o teste e falou: ‘É ela’. Foi muito óbvio.”
Além da preparação técnica, o diretor destaca o envolvimento da atriz com o projeto desde o início. “Ela chegou extremamente preparada e muito interessada em viver essa personagem.”
Vellas acredita que o principal mérito de Comparato foi transmitir ao público sentimentos contraditórios em relação à protagonista. “Vai ter momentos em que você vai adorar a Elize e outros em que vai odiá-la. Ela manipula emocionalmente o público o tempo inteiro.”

Parceria com os roteiristas
O roteiro foi desenvolvido em parceria com o escritor Rafael Montes e Mariana Torres. Segundo Vellas, o trio buscou equilibrar fidelidade aos acontecimentos reais e liberdade narrativa. “Eles conseguiram trazer uma verdade para a ficção sem se distanciar dos fatos. Ao mesmo tempo, tudo soa muito natural.“
O diretor conta que o texto passou por diversas revisões até os momentos finais da produção. “A gente foi mexendo no roteiro até em cima da hora. Foi realmente um trabalho construído a seis mãos.“

Um filme pensado para o público mundial
Embora trate de um dos casos criminais mais emblemáticos do Brasil, Vellas revela que o objetivo sempre foi produzir um thriller capaz de dialogar com espectadores de qualquer país. “Eu queria fazer um filme que prendesse alguém dos Estados Unidos, da Itália ou da Espanha, mesmo que essa pessoa nunca tivesse ouvido falar da Elize.“
O projeto também representa um marco importante em sua trajetória profissional. Depois de dirigir séries para diferentes plataformas, Elize: Sombras de Uma Mulher marca sua estreia em longas-metragens. “É meu primeiro longa e já chega pela Netflix, com alcance mundial. Como diretor, isso representa uma exposição enorme.“

Recepção do público
O diretor afirma que a repercussão do trailer superou suas expectativas e acredita que a discussão em torno do filme reforça justamente a proposta da obra. “Eu queria que fosse um filme que gerasse debate. Não estou dizendo quem está certo ou errado. A Justiça já fez esse papel. Minha preocupação foi contar essa história de forma cinematográfica.”
Para Vellas, o interesse do público também passa pela permanência dos temas abordados e pela própria figura de Elize Matsunaga. “A maior força desse projeto está justamente na complexidade da Elize. É isso que desperta a curiosidade das pessoas e faz essa história continuar relevante tantos anos depois.“
