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Brazilian Phonk cresce 62% na Europa e amplia poder global do funk

Publicações com #brazilianfunk também subiram 34% no TikTok em 2026


				Brazilian Phonk cresce 62% na Europa e amplia poder global do funk
Brazilian Phonk.

O funk brasileiro chega ao Dia Nacional do Funk deste domingo (12) com números que mostram uma expansão consistente para além do mercado nacional. No TikTok, o movimento aparece de forma mais direta na produção de vídeos feita fora do Brasil.

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O número de publicações com a hashtag #brazilianfunk cresceu 34% na Europa entre fevereiro e maio de 2026, na comparação com o período entre outubro de 2025 e janeiro deste ano. Já a hashtag #brazilianphonk avançou 62% no continente durante o mesmo intervalo, segundo dados enviados pela plataforma à Billboard Brasil.

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Para Eduardo Praça, que assumiu a liderança de parcerias do TikTok com artistas e gravadoras na América Latina, o crescimento das publicações na Europa indica que o funk começa a ser percebido menos como uma curiosidade brasileira e mais como uma referência musical disponível para criadores de qualquer país.

“O funk está deixando de ser percebido apenas como um fenômeno brasileiro para se consolidar como uma referência cultural global”, afirma Praça, em entrevista à Billboard Brasil.

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Segundo o executivo, a expansão não é impulsionada apenas por brasileiros que vivem no exterior. Criadores europeus passaram a usar as batidas do gênero em coreografias, memes, edições de vídeos, cenas esportivas e outros formatos produzidos a partir de referências locais.

“Não estamos falando apenas de brasileiros morando fora do país, mas de criadores locais descobrindo e incorporando referências do funk em seus próprios conteúdos”, diz.

Durante décadas, a internacionalização de artistas de mercados não anglófonos esteve associada à adaptação de letras, repertórios e elementos sonoros. A expansão recente do funk, do reggaeton, do K-pop e do afrobeats mostra que a identidade local pode funcionar como elemento de diferenciação, não como barreira.

“Durante muito tempo, havia uma percepção de que artistas precisavam adaptar sua música para conquistar relevância internacional”, afirma Praça. “O que observamos atualmente é que o público está cada vez mais aberto a descobrir sons, gêneros e referências culturais de diferentes partes do mundo.”

Os dados do streaming acompanham essa mudança. Em 2025, músicas cantadas em 16 idiomas diferentes chegaram ao Top 50 Global do Spotify, mais que o dobro do registrado em 2020. A plataforma afirma ainda que, em média, artistas passam a receber mais da metade de seus royalties de ouvintes localizados fora de seu país de origem apenas dois anos depois da estreia. prática, o público internacional não precisa compreender integralmente uma letra em português para se relacionar com uma batida, uma dança ou uma frase utilizada como trilha de vídeo. A música pode circular primeiro como fragmento sonoro e, depois, direcionar ouvintes para o lançamento completo e para o catálogo do artista.

O avanço do “brazilian phonk”

O crescimento de 62% nas publicações europeias com a hashtag #brazilianphonk mostra como novas classificações também estão ajudando o funk a alcançar comunidades ligadas a games, exercícios, automóveis e vídeos esportivos.

O rótulo, no entanto, não corresponde a um gênero brasileiro delimitado. Nas plataformas, “brazilian phonk” costuma reunir produções que combinam elementos do funk automotivo, das montagens, da bruxaria paulista, da música eletrônica e do phonk internacional. Em alguns casos, músicas de funk brasileiro recebem essa classificação simplesmente porque foram aceleradas, distorcidas ou incorporadas a vídeos associados ao universo do phonk.

A associação amplia o alcance, mas também pode apagar diferenças entre cenas, produtores e gêneros. Veículos internacionais já apontaram que a expressão “brazilian phonk” frequentemente é confundida com o próprio baile funk e com o funk automotivo, embora esses movimentos tenham histórias e características próprias. a o mercado brasileiro, o desafio será aproveitar a abertura criada por essas classificações sem perder a identificação dos produtores, MCs e comunidades que desenvolveram os sons utilizados nessas faixas.

Descoberta começa a virar mercado

O crescimento internacional já aparece para além das visualizações de vídeos curtos. Dados do Spotify divulgados em 2025 mostraram que os streams internacionais de artistas brasileiras como MC STER, Anitta e Bibi Babydoll aumentaram 51% durante o ano anterior.

A plataforma também registrou 11,8 bilhões de primeiras descobertas de artistas brasileiros em 2024, alta de 19%. México, Estados Unidos, Alemanha e Espanha aparecem entre os países que mais contribuíram para conectar novos ouvintes à música produzida no Brasil. elatório mais recente do Spotify, referente a 2025, colocou o funk brasileiro entre os estilos de maior crescimento financeiro da plataforma. A alta de 36% considera apenas gêneros que já movimentam mais de US$ 50 milhões em royalties, o que afasta a ideia de que o desempenho seja resultado somente de uma base inicial pequena. o não significa que todo vídeo viral será convertido automaticamente em receita ou carreira internacional. O resultado depende de distribuição, identificação correta dos titulares, estratégias de catálogo, continuidade dos lançamentos e capacidade de transformar ouvintes ocasionais em público recorrente.

O que o funk pode aprender com o reggaeton

Para Praça, a transformação do reggaeton em uma indústria internacional mostra a importância de uma atuação coordenada entre artistas, gravadoras, plataformas, empresários e comunidades de fãs.

“O gênero deixou de ser um fenômeno regional para se tornar uma força global porque conseguiu construir conexões entre diferentes mercados ao longo dos anos, sem perder sua relevância cultural”, afirma.

No primeiro semestre de 2026, as publicações com a hashtag #reggaeton cresceram 58% nos Estados Unidos em relação ao semestre anterior, segundo o TikTok. As buscas pelo nome de Bad Bunny, por sua vez, aumentaram 457% no país e 1.419% na Europa no mesmo tipo de comparação.

“O mercado brasileiro pode pensar a música de forma cada vez mais internacional desde o início, aproveitando oportunidades de colaboração e diálogo com audiências de outros países”, diz Praça.

Pensar internacionalmente, nesse caso, não significa abandonar o português, suavizar as batidas ou substituir as referências das periferias brasileiras. Os dados indicam justamente o contrário: a expansão ocorre porque o funk apresenta uma identidade reconhecível, capaz de ser usada, transformada e reinterpretada por públicos distantes de seu contexto de origem.

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