Joyce Alane transforma raízes em canções de afeto e pertencimento
Cantora pernambucana chega a Maceió com show especial do “Casa Coração”, reunindo o forró e a força do NE

Jamylle Bezerra
12/06/2026 às 8:53 • Atualizada em 12/06/2026 às 9:10 - há XX semanas
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Junho é o mês em que o Nordeste parece cantar mais alto. Entre bandeirolas, sanfonas e histórias de amor embaladas pelo forró, a música ganha um papel especial: o de reunir pessoas em torno de memórias, afetos e identidades. É justamente nesse encontro entre tradição e contemporaneidade que a cantora e compositora pernambucana Joyce Alane construiu sua trajetória. Nesta sexta-feira (12), Dia dos Namorados, ela sobe ao palco em Maceió com o show especial do projeto Casa Coração, prometendo uma noite marcada por emoção, dança e conexão com as raízes nordestinas.
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Dona de uma das vozes mais promissoras da nova cena musical brasileira, Joyce carrega Pernambuco não apenas no sotaque, mas na maneira como compõe, interpreta e enxerga a música. Para ela, existe algo que apenas um artista nordestino consegue transmitir ao público: a verdade de quem vive e sente a própria cultura. “Só um artista nordestino consegue passar a nossa força, o nosso sentimento. A gente fala com a nossa verdade porque sabe o que sente e o que coloca na música. A gente se reconhece”, diz.
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Essa autenticidade tem sido uma das marcas de sua carreira. O caminho começou na internet, onde vídeos e composições compartilhadas nas redes sociais conquistaram milhares de pessoas. Aos poucos, o que era sonho foi se transformando em profissão. Não houve um momento exato de virada, mas uma percepção gradual de que a música havia tomado conta de tudo.
“Chegou um momento em que eu não me via fazendo outra coisa. Eu já estava me entregando inteiramente à música. Quando comecei a sair da internet, fazer shows e perceber que as pessoas queriam me ver também fora das telas, entendi que aquilo tinha virado minha profissão”, relembra.


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Nos últimos anos, essa trajetória ganhou novos capítulos. Entre eles, a indicação, em 2025, ao Grammy Latino, um reconhecimento que ela recebeu como confirmação da qualidade de um trabalho construído de forma sincera e despretensiosa.
“Foi um presente muito grande. A gente sempre acredita no que faz, mas ser reconhecido também é importante. Às vezes você se pergunta se está no caminho certo. Ver meu trabalho indicado ao Grammy foi uma afirmação muito especial”, diz.
Curiosamente, o projeto que lhe rendeu a indicação nasceu sem qualquer preocupação com premiações. Casa Coração foi pensado como um retorno às referências que moldaram sua identidade musical. O trabalho reúne versões de canções que fizeram parte de sua infância e apenas uma composição inédita, construída em parceria com o cantor e compositor Oswaldinho do Acordeon.
“Os trabalhos anteriores eu estava mais focada em produzir para as pessoas. O Casa Coração eu fiz para mim. Foi um trabalho muito guiado pelo coração”, resume.
Essa valorização das origens também aparece em sua visão sobre o lugar da música nordestina no cenário nacional. Joyce acredita que artistas do Norte e do Nordeste ainda enfrentam desafios para que sua produção seja reconhecida como parte da música brasileira de forma ampla, sem ser restrita a um recorte regional.
“As pessoas colocam nossa música numa bolha, como se fosse algo típico apenas de determinado estado. Mas o forró, o brega, o beat melody também são música brasileira. A gente precisa batalhar mais para que entendam isso e nos reconheçam da forma que merecemos”, afirma.
Ao mesmo tempo, ela vê com entusiasmo o surgimento de uma nova geração de artistas nordestinos que tem encontrado maneiras de renovar tradições sem abrir mão de suas raízes.

“Tem muita gente boa chegando, respeitando a nossa cultura e trazendo novidade para ela. Estamos levando o nome da nossa região com muito orgulho e acrescentando novos elementos, novas roupagens, sem esquecer quem veio antes”, diz.
Não por acaso, quando imagina uma mesa dos sonhos para conversar sobre música, Joyce reúne três nomes que representam diferentes dimensões dessa herança cultural: Luiz Gonzaga, Chico César e Zeca Baleiro. Mais do que participar do encontro, ela prefere se imaginar ouvindo.
“Eu ficaria calada, só escutando. Acho que teria muito a aprender com eles”, afirma.
Entre as músicas que não podem faltar em seus shows está “Idiota Raiz”, parceria com João Gomes que se tornou um dos maiores sucessos de sua carreira. Nascida a partir de um projeto iniciado nas redes sociais, a canção simboliza a capacidade de Joyce de transformar experiências digitais em conexões reais com o público.
E é justamente essa proximidade que ela espera reencontrar em Maceió. A cantora guarda um carinho especial por Alagoas, estado onde já se apresentou diversas vezes e para o qual sempre gosta de retornar.
Na noite do Dia dos Namorados, a expectativa é de um show que combine romantismo, memória afetiva e, claro, muito forró.
“O público pode esperar muita emoção, muito carinho e um show preparado com muito cuidado. Vamos cantar músicas minhas, versões que a galera gosta e aquele forrózinho gostoso que não pode faltar. Tenho certeza de que todo mundo vai dançar muito”.
O show de Joyce Alane integra a programação da Prefeitura de Maceió e vai acontecer no Polo Praça Dois Leões, em Jaraguá.