De trend em trend, até a Ucrânia: música alagoana ‘Baianá’ volta a viralizar
Canção popularizada pelo Barbatuques ganha versões ao redor do mundo e evidencia origem em folguedo alagoano

Madu Cardoso
28/03/2026 às 18:01 • Atualizada em 29/03/2026 às 9:57 - há XX semanas
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“Boa noite, povo, que eu cheguei / mais outra vez apresentar meu baianá”. Você certamente já ouviu esses versos da música Baianá, do grupo Barbatuques — seja em versões com batida eletrônica, como no remix do DJ Alok, em vídeos nas redes sociais ou ecoando em coros pelo mundo.
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Lançada em 2011, a canção atravessou fronteiras — do Brasil à Ucrânia — e, mesmo com projeção global, mantém raízes fincadas em Alagoas.
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De tempos em tempos, Baianá ressurge em trends nas redes sociais. A mais recente mostra pessoas apresentando seus bairros e cidades ao som da música, muitas vezes com imagens aéreas feitas por drones.
Mas, neste mês, um novo episódio chamou atenção: um coral feminino ucraniano viralizou ao interpretar a canção. O Caderno B conversou com a maestrina do grupo, Valentina Levchenko.


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Segundo ela, a escolha por Baianá veio da força e da energia que a música transmite.
A entrevista foi realizada em inglês, com tradução livre. “Muitas das mulheres do vídeo são de diferentes regiões da Ucrânia, especialmente do leste, e continuam trabalhando com crianças mesmo diante da realidade da guerra. Com essa música, conseguimos levar força, energia e alegria”, afirmou.
Valentina explicou que precisou adaptar o arranjo original, considerado complexo.
“Nós cantamos a estrutura principal juntas e, no refrão, dou liberdade para que cada uma encontre sua própria harmonia”, disse.
Ela conta que conheceu a música antes mesmo de sua popularização, durante uma passagem pelo Brasil, quando teve contato com Fernando Barba, do Barbatuques.
“Quando as pessoas escutam essa melodia, independentemente da cultura, o corpo responde. Existe um senso imediato de alegria, movimento e energia”, destacou.
ANTES DA UCRÂNIA, MACEIÓ
A melodia que hoje circula o mundo nasceu em Maceió, no grupo de folguedo Baianas Mensageiras de Santa Luzia, fundado em 1970 pela Mestra Maria do Carmo Barbosa e pelo Mestre Paulo Olegário.
Em entrevista ao Caderno B, Vanessa Góes — que dá continuidade ao trabalho da mestra — conta que não sabe ao certo quando a música foi incorporada pelo Barbatuques, mas recebe constantemente vídeos de artistas de diferentes países interpretando a obra.
Apesar do nome remeter à Bahia, o folguedo das baianas é uma manifestação cultural alagoana, resultado da mistura entre o Samba de Matuto e adaptações do Maracatu pernambucano.
“Tem elementos do pastoril, com as cores azul e encarnado, além das embaixadoras, da mestra e da contramestra, que fazem evoluções na dança, com instrumentos como zabumba e ganzá”, explica Vanessa.
‘É ALAGOAS’
A circulação global da música representa, para o grupo, a realização de um desejo antigo.
“Era uma expressão da Mestra: ela dizia que não queria dinheiro, queria que a voz dela ecoasse no mundo. E foi o que aconteceu. Ela não viu, mas a música está no mundo todo”, lembra Vanessa.
Para Valentina, essa troca cultural é essencial. “Gosto de misturar tradições e já usei ritmos brasileiros em músicas ucranianas. Mas faço isso com respeito. Aqui, compartilho a música brasileira e vejo como as pessoas acolhem”, disse.
Apesar do sucesso internacional, o grupo reforça a necessidade de reconhecimento da origem da canção.
“Muita gente ainda acha que é da Bahia, mas não é — é de Alagoas. O que queremos é valorização e que as pessoas reconheçam essa história”, afirma Vanessa.