Coluna

Julie Alves

com Dan Nascimento

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Conheça o cantor de funk carioca, MC Smith

Completando 15 anos de carreira, ele é uma das maiores referências quando o assunto é funk

Julie Alves

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Foto: Reprodução

Nascido e criado no Morro do Caracol, no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, com 34 anos de idade e 15 de carreira, Wallace Ferreira da Mota é uma das maiores referências quando o assunto é funk. Em suas composições, ele retrata a luta contra o preconceito enfrentado diariamente por moradores de favelas. Mas quem pensa que sua carreira se resume à música está enganado. O artista participou do filme "Alemão" e uma de suas maiores paixões é o futebol society, no qual já atuou como goleiro pelo Olaria e pelo Anapolina no Campeonato Carioca. Na entrevista, conheça essas e outras facetas de MC Smith.

São 15 anos de funk que se completam neste ano. Muitas histórias pra contar?

Completei em agosto deste ano. São muitas histórias, sempre lutando contra o preconceito que sofre o morador de favela.

E o início na música?

Não foi fácil, mas depois que fiz uma brincadeira com um velho chamado Vicente, a música fez maior sucesso na comunidade, tudo mudou, fui cantar no baile, e a partir dali foi só sucesso. Aí foi tudo "relâmpago", consegui atingir o público muito rápido com minhas músicas.

Você enfrentou preconceitos? Quais foram os seus maiores desafios nesse começo de carreira?

Sim! Sofri muita opressão do poder público por ser de comunidade, periférico, e as pessoas de fora da comunidade acabavam me recriminando por não entender que o que eu passava no microfone era a visão de dentro da favela.

Você acha que ainda há criminalização do funk? Digo isso em relação à sociedade...

Sim, muita! Tentar responsabilizar a periferia por tudo que acontece de ruim é e sempre será muito comum.

Em 2010 juntamente com outros funkeiros, você foi preso sob acusação de apologia e associação ao tráfico. Quinze dias depois foi considerado inocente e liberado. Como esse incidente impactou em sua vida?

Não entendi como um impacto negativo. Entendi que naquele momento eu entrava para história do meu país por ter ficado recluso por 15 dias cantando minha realidade. Em um país que na ocasião era presidido por Lula, que um dia foi preso por expor suas ideias e o ministro da Cultura era Gilberto Gil, perseguido politicamente durante o regime militar.

Antes o funk carioca era o ritmo das favelas e agora vem ganhando o mundo. A que atribui isso?

À industrialização da música, onde a mídia como um todo percebeu que o funk, além de cultural, é de uma rentabilidade imensa.

Além de cantar funk você joga fut7. Dos dois, qual a maior paixão?

Não jogo profissionalmente. Se eu pudesse escolher, escolheria o futebol, que é minha maior paixão. Mas por questões financeiras o funk representa muito mais na minha vida.

Quais são as suas referências musicais?

A Black Music como um todo tem grande influência na minha carreira, Wilson Simonal, Tim Maia, Carlos Dafé, Tony Tornado, Mano Brown e os Racionais MC’s, Negritude Jr, Raça Negra… Os caras são minha referência, tem também Orelha e Preto, Cidinho e Doca.

Em 2014, além de ter suas músicas na trilha sonora do filme "Alemão", você também participou como ator. Conta como foi essa experiência?

Na época gerou a maior polêmica, pois um ano antes compartilhei nas redes sociais algumas fotos dos bastidores, e nelas eu segurava uma arma cenográfica. Não demorou muito para noticiarem: "Funkeiro carioca usa redes sociais para divulgar foto com armas" (risos). Mas, fora isso, foi uma experiência ímpar na minha carreira, que me fez crescer pessoal e profissionalmente.

Qual a principal mensagem que você busca transmitir em suas canções?

Procuro transmitir a verdade nua e crua. Narrar realmente a vivência do morador periférico do nosso país.

O público pode aguardar alguma novidade esse ano?

Sim. Ainda não posso detalhar, mas acredito que vai surpreender muito.

Qual mensagem você gostaria de deixar para quem te acompanha?

Vivam a verdade e cancelem a mentira.