Treinar descalço faz mal? Médico explica benefícios e riscos da prática
Controle do movimento e sensação de estabilidade estão entre atrativos de quem prefere treinar descalço; médico avalia

Treinar descalço é um hábito que tem ganhado espaço entre os praticantes de exercícios físicos. A influenciadora Virginia Fonseca, por exemplo, chamou atenção ao aparecer realizando exercícios de musculação sem tênis. Apesar da popularidade, a prática exige cuidados, já que os riscos podem variar conforme o tipo de exercício, o perfil do indivíduo e o impacto da atividade.
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Os principais atrativos apontados entre os que aderem estão fatores como maior controle do movimento e sensação de mais estabilidade.
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Na avaliação do ortopedista e traumatologista Alexandre Alberi, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte, atividades voltadas ao equilíbrio e à propriocepção, bem como determinados exercícios funcionais específicos para pés e tornozelos, podem ser realizados com contato direto entre os pés e o chão.
Por outro lado, exercícios de impacto devem continuar sendo feitos com calçados adequados, principalmente por causa da sobrecarga mecânica.


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“A musculação deve ser realizada com um tênis de plataforma mais rígida e estável, evitando calçados com muito amortecimento. O tênis serve como proteção contra eventuais acidentes durante a atividade”, ressalta o especialista.
Riscos de treinar descalço
Segundo o médico, não há de fato uma grande vantagem biomecânica que justifique, de maneira geral, a realização dessas atividades sem calçado.
Existe, ainda, a possibilidade de ferimentos externos por conta da ausência de proteção e amortecimento, o que pode ocasionar em problemas mais sérios relacionados ao atrito e impacto, especialmente em atividades como a corrida.
“Além dos riscos externos, como cortes, bolhas e queimaduras, temos os riscos por sobrecarga mecânica. Quando corremos sem um tênis que auxilia na pisada e no amortecimento, podemos ficar mais predispostos a lesões, como tendinopatias do Aquiles, fraturas por estresse, edema ósseo, lesões nos ossos sesamoides e sobrecargas articulares”, explica.
Grupo de risco
O ortopedista chama atenção ainda para grupos que precisam de cuidados redobrado e, em alguns casos, não devem aderir à prática. Entre eles, pessoas com diabetes, lesões arteriais e neuropatias periféricas, condições que podem reduzir a sensibilidade dos pés e dificultar a percepção de possíveis ferimentos.
“Pessoas com deformidades nos pés que restringem a área de carga, deformidades evolutivas, lesões prévias, histórico de fraturas por estresse, osteoporose e cirurgias anteriores, caso queiram realizar atividades descalças, precisam passar por uma avaliação rigorosa com um especialista”, destaca.
Embora treinar descalço possa fazer sentido em exercícios específicos, a prática não deve ser adotada indiscriminadamente, reitera o profissional.
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