Remédio para diabetes pode interferir em vias de envelhecimento celular
Estudos indicam que a metformina pode reduzir estresse oxidativo, modular inflamação e influenciar o metabolismo celular

A metformina, usada há décadas no tratamento da diabetes tipo 2, tem sido investigada por possíveis efeitos além do controle da glicose. Uma revisão científica publicada em 10 de agosto na revista Aging indica que o medicamento pode atuar em processos ligados ao envelhecimento.
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O medicamento é considerado de primeira linha no tratamento da diabetes e integra a lista de essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos últimos anos, estudos passaram a investigar como ele age em diferentes sistemas do organismo.
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Mais comum em adultos, a condição está frequentemente relacionada à obesidade e ao envelhecimento.
Entre os principais sintomas estão sede excessiva, urina frequente, fadiga, visão embaçada, feridas de cicatrização lenta, fome constante e perda de peso sem causa aparente.
O tratamento envolve medicamentos para controlar a glicemia e, em alguns casos, aplicação de insulina.
Mudanças no estilo de vida, como perda de peso, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, são essenciais para o controle da doença.
Como a metformina atua nas células
Segundo os autores, a metformina ativa uma enzima chamada proteína quinase ativada por AMP (AMPK), envolvida no equilíbrio energético das células. A ativação contribui para reduzir a glicose no sangue e também interfere em outras vias metabólicas.
Entre os efeitos observados estão a redução do estresse oxidativo, melhora da resposta à insulina e aumento da autofagia — mecanismo em que a célula elimina componentes danificados. Esses resultados estão relacionados ao funcionamento celular ao longo do tempo.
A revisão também descreve a inibição da proteína mTOR, associada ao crescimento celular. Em modelos experimentais, a combinação desses efeitos foi relacionada à maior longevidade.
Sinais em estudos com humanos e animais
Parte das evidências vem de estudos em animais. Em vermes, níveis mais altos de AMPK foram associados a um maior tempo de vida, enquanto a ausência da enzima reduziu a sobrevida em camundongos.
Em humanos, os dados ainda são limitados. Um estudo de 2022 com 32 pacientes com diabetes tipo 2 encontrou indícios de envelhecimento biológico mais lento entre usuários de metformina, com diferença estimada entre 2,7 e 3,4 anos. Os autores ressaltam que esse tipo de análise não permite afirmar causa e efeito.
Outro ponto analisado envolve mudanças epigenéticas, que regulam a atividade dos genes. A metformina pode influenciar esse processo ao estabilizar a enzima TET2, o que está ligado à manutenção da integridade do DNA ao longo do tempo.
Relação com o intestino e inflamação
Os pesquisadores também destacam efeitos sobre o microbioma intestinal. Alterações nas bactérias do intestino foram associadas à redução da inflamação e a melhora de parâmetros metabólicos.
Em experimentos com animais, o uso da metformina em dietas ricas em gordura esteve ligado à menor progressão de tumores, um efeito que pode estar relacionado a essas mudanças no intestino.
Limitações e próximos estudos
Apesar do volume de pesquisas, os autores afirmam que ainda não há evidência suficiente para concluir como a metformina interfere no envelhecimento em pessoas sem diabetes. Muitos estudos analisam desfechos diferentes, como doenças cardiovasculares, câncer e mortalidade, o que dificulta uma conclusão única.
Um ensaio clínico chamado TAME está em planejamento e deve acompanhar cerca de 3 mil participantes em 14 centros de pesquisa nos Estados Unidos. A proposta é avaliar, ao longo de vários anos, se o medicamento pode influenciar o desenvolvimento de doenças relacionadas à idade.
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