Nova técnica pode revelar o que está escrito em pergaminhos de 2 mil anos
Durante experimentos, cientistas criaram um papiro falso, o queimaram e conseguiram reler o que estava escrito

Há cerca de dois mil anos, uma violenta erupção vulcânica do Monte Vesúvio soterrou e destruiu as cidades romanas de Pompeia e Herculano. Na ocasião, vários pergaminhos da época, os quais continham escritos de filósofos antigos, foram carbonizados e enterrados, causando a perda dos materiais históricos.
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No entanto, um novo estudo liderado pela Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, afirma que há uma maneira de ler os textos perdidos: pelo chumbo presente em algumas partes do material. A aposta dos cientistas é que uma nova técnica, baseada em tecnologias de raios X e inteligência artificial (IA), será capaz de revelar pelo menos parte das mensagens gravadas nos papiros.
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Os resultados do novo estudo foram publicados na revista Plos One nessa quarta-feira (16/9).
Em outros trabalhos, a IA já tinha ajudado a decodificar digitalmente alguns pergaminhos encontrados em Herculano. Porém, o uso do raio X ainda não era bem estabelecido na área. Isso porque a maioria está escrito em tintas à base de carbono, o que a tecnologia não consegue “ler”.


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No entanto, nesse estudo, os pesquisadores sugerem que a procura na composição deve ser pelo chumbo, um elemento que o raio X consegue decodificar.
A afirmativa dos pesquisadores vem de testes bem-sucedidos. Em experimentos, eles criaram um pergaminho de papiro falso com tinta à base de chumbo e carbonizaram o material para reproduzir as condições dos materiais originais provenientes de Herculano.
Em seguida, por meio da fluorescência de raios X, os cientistas determinaram os elementos presentes na amostra e quantidades deles. Depois, foi utilizada tomografia de raios X e uma técnica para criar imagem 3D, com ajuda de um software desenvolvido especificamente para o trabalho. Dessa maneira, os especialistas conseguiram reler parte do texto no material de teste.
A leitura foi possível mesmo em partes com níveis mínimos de chumbo. Apesar de não conseguir decifrar todo o material, os pesquisadores afirmam que a técnica pode ajudar a decodificar os pergaminhos de Herculano.
“Isso proporciona um método de baixo risco para desenvolver algoritmos sem colocar em perigo os artefatos de valor inestimável”, destaca a equipe no artigo.
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