'Minha mãe me deixou doente de propósito durante anos, até que um médico a desmascarou'
Nina Blom passou anos sendo submetida a exames e tratamentos desnecessários até que médicos descobrissem o abuso cometido pela própria mãe.

Durante anos, Nina Blom acreditou que tinha uma doença muscular incurável. A menina, que cresceu na Holanda nas décadas de 1970 e 1980, passou por diversos exames, tratamentos e chegou a usar cadeira de rodas. Foram 16 internações e consultas médicas em poucos anos, até que um médico conseguiu identificar que o problema não estava no corpo da criança, mas na forma como a mãe conduzia a situação.
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Nina era uma criança alegre, gostava de cantar, dançar e brincar com a irmã. No entanto, segundo o relato dela, a rotina mudou quando a mãe passou a afirmar que a filha tinha graves problemas de saúde.
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A menina começou a ser levada constantemente a hospitais, onde passou por exames, incluindo procedimentos dolorosos, sem que os médicos encontrassem uma explicação para os sintomas apresentados.
Com o tempo, a mãe passou a controlar cada vez mais a vida da filha. Nina contou que foi afastada da escola, colocada em uma cadeira de rodas e mantida em casa sob a justificativa de que sofria de uma doença muscular.


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“Eu era uma menina feliz que sorria, mas minha mãe, quando me via sorrindo, ficava irritada”, relatou Nina em entrevista ao programa de rádio Outlook, da BBC.
Segundo ela, a mãe também teria imposto castigos físicos e psicológicos e, em algumas situações, criado situações para que a filha aparentasse estar doente.
Em uma das internações, a mãe teria chegado a alterar informações sobre o estado de saúde da menina, segundo o relato de Nina. A situação chamou a atenção de um pediatra, o Dr. Vrienten, que passou a desconfiar do caso e acionou o serviço de proteção de menores.
Após ser retirada da convivência dos pais, Nina passou por acompanhamento médico e psicológico. Os profissionais identificaram que ela era vítima da chamada síndrome de Münchausen por procuração, também conhecida como doença fabricada ou induzida.
A condição é considerada uma forma de abuso infantil em que um cuidador, geralmente um dos pais, exagera ou provoca sintomas de uma doença na criança para receber atenção ou cuidados médicos.

Já adulta, Nina Blom escreveu livros contando sua história e afirmou que levou anos para reconstruir a própria vida. Ela deixou de conviver com os pais e buscou tratamento para lidar com as consequências do período em que foi mantida como uma criança doente.
“Minha mãe me deixou doente por 14 anos”, afirmou Nina. Segundo ela, o que viveu foi uma forma grave de abuso infantil.
