Exercício, sono e limites são essenciais para aliviar a ansiedade eleitoral
Alienação não é a saída: segundo especialistas, o indicado é manter rotina saudável e escolher fontes confiáveis

Definir horários para consumir conteúdos, manter rotina de sono e exercícios e impor limites em discussões políticas estão entre as principais estratégias para lidar com a ansiedade no período eleitoral. Quando a crise já está instalada, a recomendação é acalmar o corpo antes de tentar organizar os pensamentos.
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Para a psicóloga clínica Aline Sampaio, o excesso de informação, sobretudo negativa, pode manter a pessoa em estado de alerta constante. Porém, a saída não é a alienação. Segundo a psicóloga, estar informado não significa precisar consumir conteúdo o tempo inteiro.
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Aline sugere escolher fontes confiáveis, reservar momentos específicos para se atualizar e questionar o que se consome. “É importante se perguntar: qual é o valor desta informação na minha vida? Como ela me nutre? O que desperta em mim?”, orienta.
Já a psiquiatra Carolina Guedes recomenda evitar muitos conteúdos na primeira hora da manhã e na última da noite. Segundo ela, o fluxo contínuo de informação mantém a amígdala, região cerebral ligada ao medo, em alerta permanente. A médica também aconselha evitar conteúdos que geram indignação sem abrir possibilidade de ação.


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O que fazer em momentos de crise
Em uma crise, com taquicardia, falta de ar e sensação de catástrofe iminente, a resposta deve ser fisiológica, e não racional. Carolina orienta que tentar “pensar direito” no meio de uma crise de ansiedade não funciona.
A psiquiatra indica respiração lenta e diafragmática, com expiração mais longa que a inspiração, que ativa o sistema parassimpático e interrompe a cascata de estresse. Só depois é possível avaliar os pensamentos e decidir como agir.
Para prevenir novas crises, a aposta é na regularidade. Carolina afirma que quanto mais o ambiente externo é caótico, mais o ambiente interno precisa de previsibilidade. Sono, alimentação, convívio social e exercício físico entram nessa rotina.
Trinta minutos de caminhada na maioria dos dias, de acordo com a psiquiatra, já produz efeito mensurável. Ela também sugere concentrar energia no que está ao alcance de cada um, como escolhas, relações e ações concretas.
Conversas com limites
Discussões políticas com familiares e amigos são um gatilho frequente. Aline defende assumir a opinião como própria e reconhecer que ela nasce de uma história pessoal.
“Um voto não resume uma pessoa”, diz. Isso não significa aceitar tudo. Quando a conversa vira sofrimento, a psicóloga recomenda pedir um tempo, mudar de assunto ou sair do ambiente, e voltar quando se sentir confortável. Ela sugere ainda investigar o que o incomoda tanto na opinião do outro.
O afastamento, quando necessário, é legítimo, segundo as especialistas. Carolina ressalta que o distanciamento se justifica diante de desrespeito, agressividade ou posições que violam a dignidade humana, mas alerta para o risco de transformá-lo em regra.
Isso empobrece o repertório emocional e pode aumentar a ansiedade. “A pergunta mais útil não é “devo me afastar?”, mas sim: “essa relação ainda tem valor que justifica o custo emocional que ela me cobra?”, afirma.
Quando buscar ajuda
Preocupar-se com o cenário político e dormir pior em períodos de tensão pode ser uma resposta esperada. O alerta surge quando a ansiedade se torna persistente e incapacitante: presente na maior parte dos dias por pelo menos seis meses, com prejuízos no trabalho, nas relações e no sono, ou com sintomas físicos sem causa orgânica.
Crises frequentes e insônia grave por mais de três semanas também pedem avaliação profissional. A psiquiatra lembra que a medicação é uma decisão individualizada, e não sinal de fraqueza. “O cérebro, como qualquer outro órgão, tem limites e merece cuidado”, resume.
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