Cientistas enterram calcinhas e cuecas para fazer experiência com o solo
Além de medir a saúde do solo na Suíça, o experimento com roupas íntimas tinha o objetivo de chamar a atenção

As roupas íntimas são peças essenciais para assegurar a higiene e a proteção dos órgãos genitais no dia a dia. No entanto, engana-se quem pensa que essas podem ser suas únicas funções. Pesquisadores da Universidade de Zurique, na Suíça, enterraram calcinhas e cuecas para demonstrar como solos saudáveis e solos empobrecidos se comportam.
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Ao desenterrar as peças, os cientistas conseguiam avaliar a saúde da terra com base no nível de decomposição do tecido: quanto mais decomposta a roupa íntima, mais saudável o solo; quanto menos decomposta, pior o seu estado.
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O principal objetivo dos pesquisadores era conscientizar a população sobre a importância do manejo correto do solo. Em vez de palestras ou campanhas tradicionais, eles optaram por essa ação curiosa para atrair a atenção do público — cerca de mil voluntários participaram do experimento.
“De modo geral, este projeto demonstra que as roupas íntimas podem servir como uma ferramenta simples e de fácil interpretação, fornecendo informações valiosas sobre o estado do solo. Além disso, elas são perfeitamente adequadas para conscientizar a sociedade sobre a importância desse recurso”, escreveram os autores no estudo.


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Análise em laboratório revela o estado do solo
O experimento ocorreu em 2021, na Suíça, quando foram enterradas mais de 2 mil calcinhas e cuecas de algodão, além de 12 mil sacos de chá. Os resultados foram publicados na revista Plants, People, Planet em 26 de agosto.
Dois meses depois, as peças foram desenterradas e levadas ao laboratório. A análise revelou que as roupas pouco degradadas pertenciam a solos com escassez de nutrientes e baixa atividade biológica. Já as peças mais decompostas estavam ligadas a solos com maior presença de organismos capazes de degradar o algodão.
Segundo os especialistas, os locais com menor qualidade de solo foram terras agrícolas, gramados e pastagens, o que evidencia o impacto do manejo da terra. Já os solos de melhor qualidade foram os de jardins particulares, onde havia minhocas, fungos e outros organismos ativos.
Por outro lado, também foram detectados altos níveis de fósforo, nitrogênio e potássio nos jardins particulares, demonstrando que uma alta fertilidade nem sempre garante um solo de boa qualidade. Além disso, taxas de decomposição excessivamente rápidas também não são, necessariamente, um bom sinal.
Na pesquisa, os cientistas batizaram a metodologia de “índice de roupas íntimas”. Segundo eles, embora existam outros experimentos que utilizam tiras de algodão para testar a saúde do solo, o uso de peças íntimas atrai mais a atenção do público por tornar a ciência mais acessível e divertida.
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