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Benefícios das canetas emagrecedoras são limitados, aponta pesquisa

Estudo mostra que remédios contra obesidade promovem emagrecimento, mas benefícios variam entre os tratamentos e depende


				Benefícios das canetas emagrecedoras são limitados, aponta pesquisa
Eduardo Monroy Husillos/Getty Images.

Os medicamentos usados no tratamento da obesidade revolucionaram o cuidado com a doença ao proporcionar perdas de peso que, há alguns anos, eram difíceis de alcançar apenas com mudanças no estilo de vida. Porém, uma ampla revisão científica publicada nesta quarta-feira (9/7) no The BMJ mostra que o emagrecimento é apenas uma parte da resposta.

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Pesquisadores reuniram os resultados de 262 ensaios clínicos, envolvendo 99.791 adultos com sobrepeso ou obesidade, para comparar a eficácia e a segurança de 19 medicamentos. A análise avaliou não apenas a perda de peso, mas também qualidade de vida, saúde cardiovascular, função dos rins e efeitos adversos.

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Os resultados confirmam que alguns medicamentos são bastante eficazes para reduzir o peso corporal. Ao mesmo tempo, indicam que muitos benefícios para a saúde ainda variam conforme o remédio utilizado e que faltam estudos capazes de mostrar os efeitos do tratamento por períodos mais longos.

Tirzepatida e CagriSema lideraram a perda de peso

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Entre os medicamentos analisados, a tirzepatida apresentou a maior redução média do peso corporal após um ano de tratamento, com 14,9%. Logo atrás apareceu a CagriSema (que mistura cagrilintida e semaglutida), com 14,8%.

Outros medicamentos também apresentaram resultados expressivos, como a semaglutida oral, a semaglutida injetável, o orforglipron e a combinação fentermina-topiramato.

Apesar da eficácia, os pesquisadores observaram que os tratamentos associados às maiores perdas de peso também apresentaram maior frequência de efeitos adversos, principalmente problemas gastrointestinais, além de maior chance de interrupção do tratamento.

Os principais limites encontrados no estudo

Nem todos os medicamentos produzem os mesmos resultados.

Quanto maior costuma ser a perda de peso, maior também tende a ser a ocorrência de efeitos colaterais.

A maioria dos medicamentos ainda não demonstrou melhora clinicamente importante na qualidade de vida.

Apenas alguns tratamentos apresentaram benefícios consistentes para a saúde do coração.

As evidências sobre proteção dos rins ainda são limitadas.

Ainda faltam estudos capazes de mostrar os efeitos dos medicamentos após muitos anos de uso.

A escolha do tratamento deve considerar benefícios, riscos, custo, disponibilidade e as características de cada paciente.

Benefícios variam conforme o medicamento

Outro resultado importante da revisão é que os medicamentos não apresentaram o mesmo desempenho quando os pesquisadores avaliaram outros desfechos de saúde.

A semaglutida injetável foi associada à redução do risco de morte por qualquer causa, infarto e insuficiência cardíaca. Já a tirzepatida demonstrou benefício relacionado à redução do risco de insuficiência cardíaca.

Por outro lado, a maior parte dos medicamentos ainda não mostrou benefícios clinicamente relevantes na qualidade de vida, e as evidências sobre proteção da função renal continuam insuficientes.

Tratamento continua sendo individualizado

Os autores destacam que a obesidade é uma doença complexa e que nenhum medicamento deve ser considerado uma solução única para todos os pacientes.

Segundo a revisão, a escolha do tratamento deve levar em conta não apenas o potencial de emagrecimento, mas também os possíveis efeitos adversos, outras doenças já existentes, custos e preferências do paciente.

Embora o estudo não tenha comparado diretamente pessoas que mudaram hábitos de vida com aquelas que não mudaram, os pesquisadores reforçam que o tratamento da obesidade deve ser individualizado e acompanhado por profissionais de saúde.

Na prática clínica, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico continuam sendo pilares importantes para potencializar os resultados e manter a perda de peso ao longo do tempo.

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