Triângulo amoroso, caso extraconjugal, advogado preso: tudo o que se sabe sobre o caso de PM morto carbonizado
A policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido Antoneudo Ribeiro Lima Júnior são suspeitos de matarem o também PM Raphael Sampaio da Silva; casal está preso

O advogado Walmir Medeiros, de 62 anos, foi preso na manhã desta sexta-feira após tentar entregar um celular para a cliente — a policial militar Júlia Natália Girão Gomes, suspeita de envolvimento na morte do também PM Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um carro em Fortaleza na última terça-feira. Ela e o marido Antoneudo Ribeiro Lima Júnior estão presos desde quinta-feira, suspeitos de participação no crime. A polícia trabalha com a hipótese de que Raphael e Júlia tinham um caso extraconjugal.
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Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o advogado teria tentado facilitar a comunicação de Júlia com terceiros através do telefone. Waldmir já responde por lesão corporal dolosa no contexto da Lei Maria da Penha.
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A ocorrência foi encaminhada à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), unidade especializada da Polícia Civil, onde o advogado assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ingressar ou facilitar a entrada de aparelho de comunicação, sem autorização legal, em unidade prisional, e foi liberado. O celular foi apreendido.
A policial teve prisão preventiva e o marido prisão temporária. Ambos tinham sido presos em flagrante no dia que a vítima foi encontrada e agora, tiveram a detenção decretada pelo Poder Judiciário do Ceará.


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Investigações
O corpo de Raphael Sampaio foi localizado na manhã da terça-feira após uma testemunha acionar as forças de segurança ao avistar um veículo em chamas no Bairro Ancuri, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. O Corpo de Bombeiros foi ao local, apagou o incêndio no carro e identificou que havia um corpo no interior do automóvel. No mesmo dia, à tarde, Júlia Natália, de 27 anos, foi localizada em uma área de mata ao lado da BR-116, em Aquiraz.
Como mostrou o g1, em depoimento, Júlia Natália, que era colega de batalhão de Raphael, disse que, após encerrar o expediente, na madrugada, ela pegou uma carona com o soldado. Ao chegarem no local do crime, a PM alega que os dois foram abordados por pessoas (que ela não lembra quantas) e foi retirada do carro do colega, amarrada e colocada em um porta-malas.
A policial foi encontrada com as mãos amarradas por uma corda em uma localidade do município de Aquiraz, após sair de um matagal que fica próximo ao local onde o soldado foi encontrado morto. Em depoimento prestado à Polícia Civil, Júlia disse ter ficado amarrada durante toda a manhã, até conseguir sair da mata e pedir ajuda a moradores da região, que acionaram as forças de segurança.
No entanto, uma imagem captada por uma câmera de segurança, obtida pela TV Verdes Mares, mostra que Júlia esteve na oficina de propriedade do marido dela às 8h52, sem nenhuma amarra nas mãos. A imagem rebateu a versão apresentada pela PM.
Durante o depoimento à Polícia Civil, a agente estava com o mesmo vestido de cor rosa que apareceu nas imagens da câmera de segurança. A Civil suspeita que a PM forjou estar na cena do crime para se passar por vítima junto de Raphael, com quem ela teria tido um relacionamento amoroso.
Durante o velório de Raphael nesta quinta-feira, a tia da vítima, Rosilane Sampaio, afirmou que o sobrinho possuía um relacionamento extraconjugal com a policial presa.
Marido preso
No mesmo dia e após a prisão da PM, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, de 35 anos, foi preso em flagrante e autuado por falsificação de documento público e posse irregular de munição de arma de fogo, pois no imóvel dele foram encontrados e apreendidos documentos falsos e munições calibres.40 e 38.
Ainda conforme noticiou o g1, a advogada Karla Borges, responsável pela defesa de Antoneudo, destacou que, apesar da prisão do casal ter ocorrido no mesmo dia, a detenção do cliente dela não ocorreu por conta do homicídio do soldado, mas sim devido aos itens apreendidos na casa do homem.
— Quando a gente já estava saindo da delegacia, chamaram o Antoneudo para ser reinquirido e, nessa reinquirição, ele foi preso, na maior absurdez do mundo, em flagrante de delito, por encontrarem seis munições calibre 38 e algumas carteiras de identidade — disse Karla Borges.
Passagens pela polícia
De acordo com a SSPDS, Antoneudo já responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Já a PM suspeita responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integrar organização criminosa.
A PCCE ressalta que os antecedentes dos suspeitos presos são referentes a um inquérito instaurado em junho de 2025 pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, após denúncia formalizada por uma empresa de transporte por aplicativo. Conforme as investigações, o casal e outras 11 pessoas integravam um esquema voltado à criação de contas falsas na plataforma. O homem é apontado como o articulador da fraude, enquanto a mulher atuava como colaboradora, cedendo dados pessoais, além de instrumentos financeiros e de comunicação, para viabilizar as atividades criminosas do grupo.
Segundo a SSPDS, em setembro de 2025, o suspeito foi preso e indiciado por organização criminosa, falsa identidade, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica. Por sua vez, a policial militar foi indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
"A SSPDS ressalta ainda, por meio da PMCE, que a policial militar ingressou na corporação por meio do concurso público realizado em 2021, tendo sido convocada em 2022, período em que se encontrava gestante. A etapa de investigação social do certame foi concluída em fevereiro de 2022, não havendo registro de reprovação da candidata nessa fase. Na ocasião, a única etapa não realizada no período inicialmente previsto foi o Teste de Aptidão Física (TAF), em razão da gestação. Posteriormente, a candidata realizou o exame e foi considerada apta, prosseguindo regularmente nas demais etapas do concurso. Em 2024, realizou o Curso de Formação de Soldados e, após a conclusão, passou a integrar o efetivo da corporação na graduação de soldado, em novembro de 2024. Portanto, o ingresso da soldado na PMCE, foi anterior ao cometimento dos crimes", informaram as autoridades cearenses.
