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Órgão da OMS descarta imunidade de rebanho no Brasil

Organização afirmou que não aconselha que nenhum país alcance a imunidade de rebanho por meio de infecções com o coronavírus porque custaria vidas

O Brasil não alcançou a chamada imunidade rebanho contra o novo coronavírus, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas.

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"Não há evidência que o Brasil ou alguma parte do país tenha alcançado imunidade rebanho", disse o diretor para doenças infecciosas da Opas, Marcos Espinal.

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Questionado sobre a região de Manaus, Amazonas, uma das mais afetadas em todo o país, Espinal comentou um estudo que apontou que a capital tinha 14% de anticorpos na população. "Isso não é eficiente para dar imunidade rebanho", disse, informando que a taxa para se alcançar tal imunidade é de mais de 70%.

O diretor também comentou um recente estudo que concluiu que anticorpos nos infectados pelo coronavírus não duram mais que 3 ou 4 meses. Com isso, mesma que fosse alcançada, "a imunidade rebanho teria uma duração muito pequena."

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"Não estamos recomendando [nenhum país] alcançar a imunidade rebanho, porque isso custaria muitas vidas", complementou Espinal.

A imunidade de rebanho é um termo utilizado para descrever uma população que, ao atingir um número alto de pessoas resistentes a um vírus (por já terem sido infectadas ou vacinadas), cria um ambiente em que o vírus não consegue encontrar pessoas suscetíveis a serem infectadas.

A projeção de que 70% dos brasileiros pegarão a Covid-19 vem sendo repetida pelo presidente Jair Bolsonaro. O percentual é apresentado pelo presidente como um número inevitável e um argumento contra medidas de isolamento social.

Uma projeção de cientistas aponta que, caso o Brasil tenha 70% da população infectada, pode registrar 1,8 milhão de mortes em um cenário no qual o colapso do sistema de saúde afetaria também o atendimento de pacientes de outras doenças.

Brasil, México e EUA

Ainda na coletiva desta terça-feira (14), a agência informou que a região das Américas foi responsável por 60% das novas infecções em todo o mundo na última semana.

"Até 13 de julho, tínhamos 6,8 milhões de casos e 288 mil mortes nas Américas. Isso equivale a aproximadamente metade de todos os casos e mortes notificados no mundo. Na semana passada, a região registrou 60% de todos os novos casos e 64% de todas as novas mortes" ", informou a diretora da Opas, Carissa F. Etienne.

Na segunda (13), a América Latina se tornou a segunda região no mundo em números de mortes pelo coronavírus, atrás apenas do continente europeu. O Brasil é o país mais afetado na região.

Em 3 de julho, a América Latina já tinha superado a Europa em número de casos de infeção Covid-19.

América tem 50% dos casos globais

O mundo alcançou novo recorde de novos casos diários de coronavírus esta semana: segundo o relatório da OMS com dados do domingo (12), 230.370 novas infecções foram registradas em apenas 24h. Apenas Estados Unidos e Brasil foram responsáveis por metade desses casos.

"Quase 80% desses casos foram relatados em apenas 10 países e 50% vêm de apenas dois países. Embora o número de mortes diárias permaneça relativamente estável, há muito com que se preocupar", informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanon.

Segundo o relatório da OMS, o Brasil é o segundo país com maior número de novos casos diários. Entre os cinco primeiros com os maiores registros, 3 estão na América:

  • Estados Unidos, com 66.281 novos casos;
  • Brasil, com 45.048 novos casos;
  • Índia, com 28.637 novos casos;
  • África do Sul, com 13.497 novos casos;
  • México, com 6.891 novos casos.

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