Morte em creche: bebê ficou sozinho durante confraternização de funcionários
Advogado da família afirmou que bebê ficou sozinho enquanto funcionários da creche participavam do aniversário da diretora

O bebê Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, que morreu após ficar cerca de seis minutos com a cabeça presa entre uma grade e uma parede na Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo, teria ficado sem a supervisão de funcionários no momento do acidente. Segundo o advogado da família, Erson de Oliveira, os servidores da unidade participavam de uma confraternização em comemoração ao aniversário da diretora da creche.
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O boletim de ocorrência (B.O.) registra que a diretora da creche nasceu em 22 de julho de 1990. Abdoulaye morreu na manhã da última quarta-feira (22/7), depois de ficar com a cabeça presa em uma grade.
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Ao Metrópoles, Erson de Oliveira afirmou que a confraternização aconteceu no refeitório da unidade e reunia funcionários da creche. Segundo ele, as crianças permaneceram sem supervisão enquanto os servidores participavam da comemoração. Foi nesse espaço de tempo que Abdoulaye colocou a cabeça no espaço entre uma grade e uma parede e ficou preso.
“Eles estavam no refeitório, juntaram todos os funcionários e deixaram as crianças à própria sorte”, afirmou o advogado.


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De acordo com Erson de Oliveira, o acidente aconteceu em uma sala utilizada para atividades como aulas de ballet. No local, havia um espelho protegido por uma estrutura metálica fixada à parede. Segundo ele, o bebê colocou a cabeça no espaço entre essa estrutura e a alvenaria, onde acabou ficando preso.
Ainda de acordo com o advogado, Abdoulaye permaneceu preso por cerca de seis minutos até ser retirado por funcionários da creche. “Ela ficou lutando pela vida durante seis minutos”, disse Erson de Oliveira.
Bebê morto em creche
Na manhã de quarta-feira (22/7), um bebê de 1 ano e 4 meses participava de uma atividade recreativa na Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo, quando colocou a cabeça no espaço entre uma grade e uma parede.
Segundo o boletim de ocorrência, o bebê permaneceu com a cabeça presa por aproximadamente sete minutos até ser retirado por funcionários da instituição.
Após ser resgatado, o bebê foi levado para a UPA Mooca, onde recebeu atendimento médico. Apesar das tentativas, a morte foi confirmada na unidade de saúde.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás). Perícias foram solicitadas ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML).
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), cinco funcionários da creche são investigados, entre eles a diretora, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro funcionário da instituição.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) afirmou que presta assistência à família da criança, disse colaborar com a apuração e informou que adotará as medidas cabíveis após a conclusão das investigações.
Cinco funcionários são investigados
Após a morte do bebê Abdoulaye, a Polícia Civil passou a investigar a conduta de cinco funcionários da Creche Luz do Brás. Entre os investigados estão a diretora da unidade, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro funcionário da instituição.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é apurado pelo 8º Distrito Policial (Brás). A investigação busca esclarecer como o acidente aconteceu, qual era a responsabilidade de cada profissional no momento em que a criança ficou presa e se houve falha na supervisão do bebê.
Além dos depoimentos dos funcionários e de testemunhas, a Polícia Civil também requisitou perícia ao Instituto de Criminalística (IC), responsável por analisar o local do acidente, e exames ao Instituto Médico Legal (IML), que devem ajudar a esclarecer a causa da morte. Imagens das câmeras de segurança da creche também fazem parte da apuração.
O que diz a prefeitura
Questionada pelo Metrópoles sobre a informação de que funcionários participavam de uma confraternização no momento da morte de Abdoulaye, a Secretaria Municipal de Educação (SME) não respondeu diretamente se havia uma comemoração na unidade. Em nota, a pasta afirmou que instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso, independentemente da investigação conduzida pela Polícia Civil.
A pasta informou que, caso sejam confirmadas irregularidades, adotará as medidas cabíveis, incluindo o possível descredenciamento da organização responsável pela administração da creche. A SME acrescentou que a sala onde ocorreu o acidente permanece interditada para análise técnica e que equipes do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (Naapa) prestam assistência à família da criança, além de oferecer acolhimento às demais crianças, familiares e funcionários da unidade.
