Lula diz que Lulinha “vai ser punido” se tiver cometido crime e critica entorno de Trump
Presidente falou sobre investigações que envolvem o filho e seu ex-chefe de gabinete, além da relação com o governo Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (23/8) que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, será punido caso tenha cometido algum crime. O empresário é alvo de inquéritos da Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência em contratos com o governo federal.
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Lula declarou que trata com “muita seriedade” as investigações que envolvem tanto o filho quanto o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e afirmou que “ninguém está impune, se cometeu erro”. O presidente disse ainda que orienta Lulinha a se defender das acusações e apresentar sua versão dos fatos.
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“Meu filho sabe que, se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele”, declarou Lula. “Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado”, disse. “Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está impune, se cometeu erro”, acrescentou.
O presidente afirmou que não cabe a ele atuar como juiz, procurador ou delegado, mas garantir que as instituições possam trabalhar e que todos ajam corretamente. Ele também ressaltou que não interfere no andamento das investigações.


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“Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente. Se isso acontecer, eles serão perdoados. Mas, se alguém cometeu erro e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar”, pontuou o titular do Planalto.
A PF suspeita que a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, tenha comprado joias, oferecido presentes e pago despesas de Marcola para ampliar acesso e preservar sua influência no núcleo do governo Lula. Segundo as investigações, ela teria sido contratada por empresários interessados em obter acesso e influência no governo, inclusive por meio de Lulinha. Entre os empresários investigados está Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Marcola era considerado um homem de confiança de Lula e tinha acesso direto ao gabinete presidencial. Ele foi exonerado do cargo no Palácio do Planalto em julho. À época, a justificativa oficial era de que Marcola deixaria o governo para integrar o núcleo de coordenação da campanha de Lula à reeleição. No início de agosto, porém, após a imprensa revelar os pagamentos feitos por Roberta, Marcola também deixou a campanha.
As declarações foram dadas durante entrevista à Record. Na ocasião, o petista também falou sobre a reaproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o telefonema entre os dois na sexta-feira (21/8), quando trataram do tarifaço norte-americano imposto a produtos brasileiros exportados. Lula criticou o entorno do republicano.
Segundo Lula, a relação direta com Trump é positiva, mas ações tomadas por integrantes do governo dos EUA acabam dificultando a relação bilateral entre os dois países.
“Eu não sei se é o governo americano, se é o Trump ou se é a assessoria do Trump. Eu, às vezes, tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria. Eu disse para ele: ‘Não é possível. Nós conversamos, tudo vai bem’. A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil”, disse Lula.
Nos bastidores, o Palácio do Planalto avalia que a ala mais radical do governo Trump está no Departamento de Estado dos EUA. Nomes como o do secretário de Estado, Marco Rubio, seriam, de acordo com o governo brasileiro, responsáveis por inflar ações consideradas ideológicas e políticas contra o Brasil.
