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Lideranças fazem Ebó coletivo em defesa da Lagoa do Abaeté

Ato foi pela defesa das condições ambientais da área que sofre com a poluição

A defesa da conhecida e histórica Lagoa do Abaeté, em Salvador, foi reverenciada num ato, na manhã de domingo, em sua defesa. Juntos lideranças populares e religiosas caminho pelas ruas de seu entorno, desde o Largo da Cira, em Itapuã para chamar a atenção para sua importância para a cultura afro.

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Vestidos de branco e com máscaras, por volta das 9h, o grupo realizou um ebó coletivo [oferenda no candomblé] para Exu, no Largo da Sereia, para pedir licença ao orixá dos caminhos. O trânsito foi interrompido nas imediações para o ritual.

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O ato é contra a construção de uma Estação Elevatória de Esgoto (EEE) às margens da Lagoa do Abaeté. A obra é feita pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) e faz parte de um plano de requalificação da região. Porém, moradores da região e lideranças religiosas questionam a execução da obra. Eles chamam atenção para possíveis problemas que a estação de esgoto pode desencadear ao meio ambiente.

Segundo a organização do movimento, representantes de diversos terreiros de Salvador estiveram presentes na caminhada, que encerrou por volta das 11h30 com outro ritual, em torno de Iroko, árvore sagrada no candomblé que fica à beira da Lagoa do Abaeté.

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"O intuito do ato é dar visibilidade a esse movimento que procura defender o Abaeté desse crime ambiental que é a construção de uma estação elevatória de esgoto às margens, a menos de 10 metros, da lagoa", disse o professor Pedro Abib, que faz parte do movimento.

"Existem outros projetos, houve uma audiência pública no dia 25, sexta-feira, pela Defensoria Pública, e lá foi apresentado um projeto alternativo que é a ligação direta do esgoto para a rede, sem necessidade da estação elevatória. Foi comprovado que existe uma alternativa. O que está faltando é o governo querer dialogar com a gente", disse Abib.

Segundo Pedro Abib, a estação elevatória representa uma ameaça à Lagoa do Abaeté devido ao histórico de extravasamento.

"A gente está tentando esse diálogo [com o governo] já há meses, buscando outras alternativas, alternativas mais sustentáveis. Existem várias estações elevatórias em Salvador e todas elas possuem um histórico de extravasamento, embora a Conder e o governo digam que tem segurança total, mas existe histórico de extravasamento. Seria um dano terrível para a Lagoa do Abaeté o extravasamento de uma estação elevatória", afirmou.

O G1 entrou em contato com a Conder, que informou que não existem fundamentos sólidos para alegar falta de transparência pública, uma vez que o projeto da estação elevatória foi amplamente discutido com a comunidade local. [Confira a nota na íntegra no final da reportagem]

Desde maio, moradores do bairro de Itapuã protestam contra essa construção. "A gente não quer essa estação. A comunidade que não quer essa estação, o povo de santo que não quer. Foi muito representativo esse ato. Todos os terreiros de Salvador estiveram aqui representados. Então, a sociedade está clamando para que o governo nos ouça. A gente quer diálogo e que a obra pare. Paremos a obra já. É preciso paralisar a obra pra gente dialogar. É isso que a gente quer", disse Abib.

Audiência Pública

Uma audiência pública foi realizada na última sexta-feira (25) e uma comissão foi formada pela Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) para acompanhar os impactos ambientais provocados pela construção da estação.

Segundo a DPE, a ideia é que a comissão busque reuniões presenciais com os órgãos envolvidos com a obra na Lagoa do Abaeté, como a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que deu autorização para a obra, além da Caixa Econômica Federal, que, segundo o órgão, liberou verba para a construção do esgoto.

Ainda de acordo com a DPE, representantes de vários movimentos sociais participaram da audiência. Um manifesto escrito por lideranças do candomblé, que pede pela preservação da lagoa, foi lido na ocasião.

A audiência de sexta ocorreu 20 dias após uma outra, que também ia discutir a situação, ser cancelada por causa de ataques virtuais.

Veja abaixo a nota da Conder, responsável pela obra, na íntegra:

Sobre o ponto central de discussão, temos a informar que está em andamento a obra de implantação da Estação Elevatória de Esgoto, em substituição ao sistema atual de fossas já superado, fiscalizada por essa Companhia e que teve início em 29/07/2020 após a emissão do Alvará de Construção.

Cumpre ressaltar que, anteriormente a autorização de execução dos serviços pela Prefeitura Municipal de Salvador, o objeto da intervenção foi devidamente analisado e aprovado pela EMBASA, bem como licenciado pelo INEMA, sendo irreais quaisquer alegações de descumprimento da legislação ambiental.

Inexiste, ainda, fundamentos sólidos para alegar falta de transparência pública, uma vez que o projeto da estação elevatória foi amplamente discutido com a comunidade local.

Além dos valores relativos à implantação do equipamento, todas as demais informações exigidas nas legislações concernentes foram devidamente dispostas nas placas informativas localizadas na frente do prédio da Administração do Parque.

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