Governo do Rio de Janeiro pede envio do Exército para a Rocinha
Desde o início da manhã, criminosos atiram contra policiais que fazem cerco à comunidade
O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e o secretário de Segurança Pública do estado, Roberto Sá, pediram ao Ministério da Defesa para que as Forças Armadas sejam enviadas à Rocinha, na Zona Sul do Rio. Desde as 9h30 desta sexta-feira (22), a comunidade enfrenta um intenso tiroteio entre policiais e criminosos.
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"A gente está com muito indício de traficantes numa região que a gente está avançando. Temos certeza que a reação que está ocorrendo embaixo, no asfalto, é por causa disso. Nós não vamos recuar", afirmou o governador.
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Segundo ele, a operação policial já está sendo reforçada antes de o governo federal confirmar se irá autorizar o empenho das tropas federais. "Estamos entrando com os helicópteros, entrando com mais gente do Bope e com mais agentes do Choque para avançar no combate à criminalidade".
Conforme informou o repórter Edimilson Ávila, da TV Globo, o pedido de ação militar foi feito nesta manhã ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, e ao Comando Militar do Leste. Questionado se o pedido foi aceito, Pezão, que participava de um evento no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), disse que ainda não tinha a confirmação, mas "parece que vão atender".


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O G1 procurou o Palácio do Planalto e o Ministério da Defesa para comentar o pedido, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem. O Comando Militar do Leste sinalizou que o pedido será aceito. Segundo o comandante Coronel Roberto Itamar, o Estado Maior Conjunto está reunido, desde o fim da manhã, com a Secretaria de Segurança Pública para decidir como a operação será feita.
O governo do estado já conta como certo que os militares farão, ainda nesta tarde, um cerco à comunidade, que desde domingo (17) tem sido palco de disputas entre traficantes e de operações policiais. Já começou a ser montado no Centro Integrado de Comando e Controle, no Centro, um gabinete de crise para coordenar a operação.
Pezão destacou ainda que na quinta-feira os policiais do Bope conseguiram encontrar um local "com grande quantidade de armas e de drogas" na Rocinha.
Outras comunidades
Também nesta manhã houve relatos de tiros em outras favelas, como Alemão, Dona Marta, Vila Kennedy e Chapéu Mangueira. Uma criança foi baleada na Fazendinha, favela do Complexo do Alemão.
Clima de guerra na Rocinha
Criminosos fazem disparos da área de mata da Rocinha contra policiais que cercam a comunidade. Desde o início da manhã, o Batalhão de Choque da Polícia Militar fazia uma nova operação na região, a quinta em cinco dias.
Há relatos nas redes sociais de que os bandidos estão em fuga pelo Alto da Boa Vista, passando pela Vista Chinesa, um dos principais cartões postais da região.
O esquadrão antibombas da Polícia Civil também foi chamado depois que um artefato explosivo foi lançado contra os PMs. Ele não chegou a ser detonado.
Ruas e serviços fechados
Por volta das 10h, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio informou que, por conta de operação policial, a Autoestrada Lagoa-Barra foi fechada entre o Fashion Mall (desvio) e a Praça Sibelius. A autoestrada é a principal ligação entre a Zona Sul e a Zona Oeste da cidade. O túnel Zuzu Angel também foi fechado.
Durante o tiroteio, um ônibus da linha 538 foi incendiado na Estrada da Gávea. A informação é de que o ato foi criminoso, segundo o repórter Pedro Figueiredo, da TV Globo.
Quase 2,5 mil alunos da rede municipal de ensino estão sem aula na Rocinha na manhã desta sexta. São estudantes de duas creches, um Espaço de Desenvolvimento Infantil e cinco escolas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, todas as cinco unidades de saúde da Rocinha foram fechadas e estão com o atendimento suspenso.
Muitas pessoas se alojaram na 11ª DP (Rocinha). O repórter Pedro Figueiredo estava fazendo uma reportagem sobre a quinta operação policial quando foi avisado pela PM que também deveria se abrigar na delegacia.
Entenda o início dos conflitos
O clima de guerra na Rocinha começou no último domingo, quando traficantes invadiram a comunidade para tomar de um grupo rival o controle da venda de drogas. A polícia não interveio no dia, e houve um intenso tiroteio que deixou dois mortos, aterrorizou os moradores e danificou instalações de energia e distribuição de água.
Os ataques tiveram como principal mandante o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia. Atualmente, a favela é dominada pelo traficante Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, um dos presos pela invasão ao Hotel Intercontinental, em São Conrado, em 2010, e libertado em janeiro de 2012 por uma decisão da Justiça.
Os confrontos atuais se deram por um racha na aliança entre os traficantes Nem e Rogério 157. A briga começou com a morte de Ítalo de Jesus Campos, conhecido como Perninha, a mando de Rogério 157, em agosto passado. O bandido também havia sido preso em 2010 pela invasão ao hotel. Foi solto pela mesma decisão judicial que beneficiou Rogério 157 em 2012.
Ao longo desta semana, a polícia fez uma série de operações na Rocinha e outras comunidades para prender traficantes e apreender armas e drogas. A Polícia Civil oferece recompensa de R$ 30 mil por informações que levem à captura de Rogério 157.
Nesta quinta, as equipes do Bope conseguiram apreender dois fuzis, duas pistolas, três granadas, farta munição e drogas na Rocinha. No mesmo dia, novos tiroteios foram registrados na comunidade.
