Adolescente que matou 3 e feriu 13 em ataque a escolas é indiciado

Segundo a Polícia Civil, o jovem de 16 anos responderá por ato infracional análogo aos crimes de 10 tentativas de homicídio e 3 qualificados

O adolescente que disparou contra estudantes e professores em duas escolas no bairro Coqueiral, em Aracruz, no litoral norte, nesta sexta-feira (25/11), matou três pessoas e deixou 13 feridas foi indiciado pelos atos.

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) informou neste sábado (26) que o jovem apreendido responderá por ato infracional análogo aos crimes de 10 tentativas de homicídio qualificada por motivo fútil, que gerou perigoso comum e com impossibilidade de defesa da vítima e, três homicídios qualificados por motivo fútil.

O adolescente foi encaminhado ao Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), em Cariacica, na Grande Vitória. As armas apreendidas foram encaminhadas para o setor do Departamento de Criminalística – Balística da PCES, juntamente com as munições. O caso segue sob apuração da Polícia Civil.

Cinco pessoas, três mulheres e duas crianças, seguem internadas em estado grave na rede pública de saúde da Grande Vitória, Espírito Santo, após o atentado. Três pessoas morreram na hora e outras 13 sofreram ferimentos. Entre elas sete foram liberadas na hora. Seis seguem no hospital, sendo cinco em estado grave, segundo informações do jornal Folha de Vitória.

Boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), na manha deste sábado (26/11), informa que dois alunos estão em estado grave na UTI do Hospital Infantil de Vitória: um menino de 11 anos, que foi atingido no abdômen e passou por cirurgia; e uma garota de 14 anos, que está entubada, após ter sido atingida no crânio.

No Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra, três professoras, seguem internadas na UTI após passarem por cirurgias.

Mortos

As três pessoas que morreram no ataque, duas professoras e uma menina de 12 anos, começaram a ter seus corpos velados na manhã deste sábado (26).

As vítimas foram assassinadas pelo atirador de 16 anos, apreendido pela polícia. Com a arma do pai, roupa de militar e um bracelete com a suástica, símbolo do nazismo, o menino invadiu as escolas na sexta (25).

Os corpos da estudante de 12 anos e das professoras são velados na capela mortuária de Coqueiral. De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo, as três vítimas mortas são as professoras Cybelle Passos Bezerra Lara, 45 anos; Maria da Penha Pereira de Melo Banhos, 48; e a estudante Selena Sagrillo Zucoloto, 12.

A Secretaria de Estado de Educação (Sedu) informou que Cybelle era professora de matemática na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Primo Bitti e servidora efetiva desde setembro de 2018.

Maria da Penha dava aula de artes e trabalhava na mesma escola, sob contrato de designação temporária, desde março deste ano, segundo informações do jornal Folha Vitória. Elas estavam na sala dos professores durante o intervalo quando o adolescente invadiu o local e atirou.

Em seguida, o adolescente armado seguiu em direção à escola particular Centro Educacional Praia de Coqueiral, que fica a 700m do colégio público. Lá, ele começou a atirar pelos corredores e salas e atingiu a estudante Selena Sagrillo, aluna do sexto ano do ensino fundamental. Ela acabou morrendo. As aulas foram suspensas em Aracruz.

Armas e símbolo nazista

O jovem responsável pelo ataque às duas escolas tem 16 anos e usou a arma do pai, um policial militar, uma pistola .40. Ele também portava um revólver calibre .38 e usou o carro do pai para chegar e sair dos locais, sempre com a placa tampada.

Primeiro, o adolescente invadiu a EEFM Primo Bitti, da qual era aluno no turno vespertino até junho deste ano, e a escola particular Centro Educacional Praia de Coqueiral, antes conhecida como Colégio Darwin.

Câmeras de segurança flagraram o momento em que o atirador entra em uma das escolas, com um brasão vermelho em um dos braços. O governador do estado, Renato Casagrande, confirmou se tratar de um símbolo nazista. O adolescente fazia tratamento psiquiátrico, mas não se sabe se usava medicamentos.

Ataque planejado

O atentado foi planejado por, pelo menos, dois anos. O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Darey Arruda, afirmou que o suspeito não tinha alvo definido. “Essas pessoas costumam ficar isoladas e se juntar a grupos extremistas”, explicou.

Após o ataque, ele voltou para a casa, deixou o veículo e saiu. Ele foi encontrado em uma outra casa da família, no mesmo município. “Ele confessou o crime à Polícia Civil, mostrou as roupas, as armas e como tudo foi feito”, afirmou o superintendente João Francisco Filho.

Segundo as autoridades, o jovem ficou calmo durante todo o processo. Os pais, em contrapartida, “estavam destruídos” e colaboraram com a corporação.