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Está usando a caneta e ainda sente fome? Será que o medicamento está funcionando?

Entender o papel do apetite durante o uso dos medicamentos para emagrecimento é importante para evitar outro problema: comer tão pouco que o corpo deixa de receber nutrientes essenciais


				Está usando a caneta e ainda sente fome? Será que o medicamento está funcionando?

Nos últimos anos, os medicamentos que atuam sobre o GLP-1 ganharam espaço no tratamento da obesidade e passaram a fazer parte da realidade de muitas pessoas que buscam controlar o peso e melhorar a saúde metabólica.

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Com isso, também surgiu uma expectativa que merece ser discutida: a ideia de que, para o tratamento estar funcionando, a pessoa deveria simplesmente deixar de sentir fome.

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Mas não é tão simples assim.

Sentir fome em algum momento do dia não significa, por si só, que o medicamento deixou de funcionar. O apetite é influenciado por diversos fatores e não desaparece necessariamente durante o tratamento.

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O que esses medicamentos podem fazer é reduzir o apetite e, por consequência a ingestão alimentar. Eles atuam em mecanismos relacionados à regulação da fome e da saciedade e também retarda o esvaziamento do estômago.

E aqui aparece um desafio que muitas vezes recebe menos atenção: quando comer fica mais difícil, a qualidade da alimentação passa a ser ainda mais importante.

Quando comer menos não significa estar comendo bem

Imagine uma mulher que antes fazia refeições maiores, beliscava ao longo do dia e tinha dificuldade de controlar a fome.

Depois de iniciar o medicamento, seu apetite diminui. Ela passa a comer pequenas quantidades, pula refeições porque “não está com fome” e, aos poucos, percebe que está ingerindo muito menos alimentos do que antes.

À primeira vista, isso pode parecer positivo.

Afinal, a redução da ingestão de energia participa do processo de perda de peso.

Mas o corpo não deixa de precisar de proteínas, vitaminas, minerais, fibras, água e outros nutrientes simplesmente porque o apetite diminuiu.

O organismo pode precisar de menos energia durante um processo de emagrecimento, mas isso não significa que todas as necessidades nutricionais desapareçam na mesma proporção.

É justamente por isso que a alimentação precisa ser pensada com estratégia.

As orientações do Ministério da Saúde para o tratamento da obesidade destacam que a perda de peso deve buscar a redução da gordura corporal com preservação máxima da massa magra, além da adoção de hábitos alimentares saudáveis e manutenção dos resultados.

O risco de transformar “não sentir fome” em meta

Existe uma diferença importante entre ter menos fome e não conseguir comer adequadamente.

Quando a ingestão fica excessivamente reduzida, podem surgir dificuldades para atingir uma alimentação nutricionalmente adequada. Dependendo da situação, isso pode comprometer a ingestão de proteínas, fibras e micronutrientes e dificultar a preservação da massa muscular.

E preservar massa muscular é especialmente relevante durante o emagrecimento.

Isso ganha ainda mais importância para a mulher madura, que já vive uma fase em que as mudanças hormonais e do envelhecimento podem favorecer alterações na composição corporal e perda de massa muscular.

Por isso, o objetivo não deveria ser comemorar simplesmente o fato de “não sentir fome”.

A pergunta mais importante é:

“Estou conseguindo nutrir meu corpo adequadamente enquanto emagreço?”

E quando a fome aparece?

Da mesma forma, sentir fome não deve ser interpretado automaticamente como sinal de fracasso do tratamento.

A fome pode aparecer. O organismo continua tendo mecanismos de regulação do apetite, e a resposta aos medicamentos não é necessariamente igual para todas as pessoas.

Mais importante do que tentar eliminar completamente a fome é aprender a interpretar os sinais do corpo e organizar a alimentação de acordo com as necessidades daquele momento.

Afinal, tratamento da obesidade não se resume à balança.

É preciso considerar composição corporal, alimentação, atividade física, comportamento, saúde metabólica e manutenção dos resultados. O próprio Ministério da Saúde destaca que o cuidado deve ser integral e acompanhado ao longo do tempo.

A caneta é uma ferramenta, não um plano alimentar

Os medicamentos podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade quando utilizados com indicação e acompanhamento adequados.

Mas eles não determinam sozinhos o que a pessoa vai comer, como vai preservar sua massa muscular, como vai lidar com os sintomas gastrointestinais ou quais hábitos serão mantidos no futuro.

E esse talvez seja um dos maiores desafios dessa nova era do tratamento da obesidade: aprender a comer bem quando comer deixou de ser tão fácil.

Para algumas pessoas, o desafio durante o uso da medicação será controlar a fome.

Para outras, será conseguir fazer refeições adequadas mesmo diante de um apetite muito reduzido.

Em ambos os casos, a estratégia alimentar continua fazendo parte do tratamento.

Porque emagrecer não deveria significar simplesmente comer cada vez menos.

Deveria significar aprender a cuidar melhor do corpo enquanto o peso muda.

E, principalmente para a mulher madura, esse cuidado precisa considerar não apenas o número que aparece na balança, mas também a preservação da massa muscular, a qualidade da alimentação, a disposição, o intestino, a hidratação e a construção de hábitos que possam continuar fazendo parte da vida depois que o processo de emagrecimento terminar.

A caneta pode ajudar a mudar a relação com a fome. Mas é preciso aprender a usar esse novo cenário a favor da saúde — e não simplesmente contra o apetite.

Luciana Leme

Nutricionista – CRN3: 29.513

Saúde da Mulher.

Luciana Leme é nutricionista com atuação em saúde da mulher, emagrecimento e mudanças hormonais femininas, atendendo mulheres que buscam recuperar energia, qualidade de vida e equilíbrio metabólico.

@lemelunutri – instagram

@lucianalemenutri – Youtube

(11) 97247-2729

*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.

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