Painel no Summit debate regulação e integração como pilares para sustentabilidade
Especialistas destacam avanços da telemedicina, desafios de gestão e conectividade entre público, privado e academia

26/05/2026 às 12:51 • Atualizada em 26/05/2026 às 15:24 - há XX semanas
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O terceiro e último painel do Summit Alagoas 2050 – Saúde Digital colocou em evidência um dos debates mais estratégicos para o futuro do setor: como alinhar regulação, mercado e sustentabilidade em meio à transformação digital. Com mediação do jornalista Marcos Rodrigues, participaram da discussão o médico e deputado estadual José Wanderley; o nefrologista e coordenador de Medicina do Centro Universitário Cesmac, André Falcão; e o head de Tecnologia da Informação da Unimed Maceió, Marcelo Simões Coelho.
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Durante o debate, José Wanderley trouxe um panorama da evolução tecnológica na saúde pública em Alagoas, mesclando memória e projeção de futuro. Ele revelou que o governador Paulo Dantas deve anunciar, até o fim do ano, a duplicação dos leitos do Hospital do Coração de Alagoas, ampliando a capacidade assistencial no Estado.
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Ao relembrar sua trajetória, o parlamentar destacou os primeiros contatos com a tecnologia na medicina, quando computadores ainda rudimentares começaram a ser utilizados em procedimentos na Santa Casa de Maceió. Segundo ele, a implantação do prontuário eletrônico marcou uma virada importante, apesar das dificuldades enfrentadas à época, como o alto custo — cerca de R$ 10 milhões — para aquisição de equipamentos e capacitação de equipes, especialmente em uma rede extensa como a da capital.
Wanderley também citou a introdução de equipamentos como o de hemodinâmica e ressaltou que, atualmente, a telemedicina já está presente em todas as unidades públicas da capital e do interior.


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“Hoje conseguimos fazer diagnósticos com o suporte das salas de telemedicina, reduzindo a mortalidade e ampliando o acesso da população”, afirmou. Apesar dos avanços, ele defendeu a ampliação de recursos para regionalizar a saúde digital em todo o país, apontando a reforma tributária como uma possível oportunidade para esse avanço.
O deputado ainda compartilhou experiências internacionais, como uma conferência na Colômbia em que ouviu o ex-presidente da Costa Rica destacar investimentos em ciência e tecnologia como motor de desenvolvimento. Nesse contexto, mencionou iniciativas do governo estadual voltadas à inovação, que devem estimular a formação de pesquisadores e novas soluções em Alagoas.
Na área acadêmica, André Falcão trouxe uma visão crítica sobre a formação e a gestão em saúde digital. Ele lembrou que, ainda em 2006, implantou um sistema de teleconsulta na Uncisal, antes mesmo da consolidação de redes nacionais pelo Ministério da Saúde, além de projetos como o Jovem Doutor.

Para Falcão, a educação avançou significativamente no campo digital, especialmente durante e após a pandemia. No entanto, a gestão ainda enfrenta entraves importantes, como a falta de integração das bases de dados. “A área de gestão está atrasada. Ainda não conseguimos fazer os sistemas conversarem como deveriam”, pontuou.
Ele também chamou atenção para os desafios na assistência, destacando que a adaptação ao uso de tecnologias não ocorre de forma uniforme entre os pacientes. Por isso, defendeu a estruturação de ambientes adequados para teleconsulta, garantindo mais segurança e inclusão no atendimento.
Representando o setor privado, Marcelo Simões Coelho apresentou uma visão voltada à transformação estrutural do modelo de saúde. Para ele, a saúde digital vai além da tecnologia e exige uma revisão profunda da forma como o sistema é organizado. “A grande mudança não é tecnológica, é de modelo. Precisamos melhorar eficiência, acesso e a forma de gerir o cuidado”, afirmou.

Na Unimed Maceió, segundo ele, a transformação digital já é um dos pilares estratégicos da instituição, ao lado da sustentabilidade, experiência do usuário e integração. Um dos exemplos práticos é o desenvolvimento de uma plataforma de cuidado integrado, que conecta pacientes, médicos, serviços de saúde e a operadora em uma jornada mais fluida e inteligente.
Coelho destacou ainda que a evolução da telemedicina é essencial para esse processo, mas disse que o avanço depende da conexão entre diferentes atores. “Precisamos integrar setor público, privado, universidades e startups. Só assim conseguiremos reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e garantir sustentabilidade”, concluiu.