Zagueiro trocou França pela Espanha após ser 'ignorado' por Deschamps
Laporte já enfrentou a França duas vezes defendendo a seleção espanhola

A semifinal da Copa do Mundo entre França e Espanha, hoje, será ainda mais simbólica para o zagueiro Aymeric Laporte. O defensor é francês de nascimento, mas se naturalizou espanhol após ser praticamente "ignorado" pelo técnico Didier Deschamps.
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História de Laporte
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Laporte nasceu em Agen, na França. Por ter ascendência basca, ele se mudou para a Espanha e surgiu com muito destaque no Athletic Bilbao, clube que só aceita jogadores nascidos ou com origem naquela região.
Mesmo muito ligado à Espanha, Laporte escolheu jogar pela França em um primeiro momento. Foram anos nas categorias de base até a primeira convocação para a seleção principal em 2016 com a "promessa" do técnico Didier Deschamps de que ele jogaria.


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"Chamei Laporte para que ele jogue. E ele vai. Sabia que ele poderia ser chamado para a Espanha", disse Deschamps, em 2016.
Laporte não entrou em campo. Mesmo assim, seguiu esperando e foi chamado mais duas vezes. Ficou no banco em ambas. Neste período, ele chegou a reforçar que sua escolha sempre seria a França, apesar de dar os primeiros indícios de desgaste com o técnico Didier Deschamps.
"Eu escolhi a França, sou francês. Eu nem tenho dupla nacionalidade. Não vou pedir por isso. O técnico da seleção nacional toma suas decisões. Não tem a ver com esporte. Se ele não me ligar, acho que é por motivos pessoais. Você tem que respeitar a decisão dele. Não vou ligar para ele para pedir uma explicação", afirmou Laporte, à TV Basque, em 2018.
A espera cansou Laporte, que decidiu se naturalizar espanhol em 2021. A decisão foi tomada ainda seguida de uma certa mágoa com Didier Deschamps. Em entrevista, o zagueiro afirmou que foi "ignorado" após mandar uma mensagem ao técnico francês. O treinador rebateu e negou que tivesse deixado o defensor no vácuo.
"Escrevi para o mesmo número que na última vez que nos falamos. Não tive uma resposta. Eu também não me senti tão importante para que a equipe da França comunicasse algo. De fato, a importância que tinha para eles estava mais na imprensa do que em qualquer outra coisa", contou Laporte, ao L'Équipe.
Mas os primeiros passos na Espanha não foram fáceis. No começo, o defensor sofreu críticas e conviveu com a desconfiança por não ter "sangue espanhol".
"Sim, isso me incomodou muito. Isso me fez parar um dia na cama e dizer para mim mesmo: 'O quão mal estou fazendo as coisas para eles ficarem me criticando?'", questionou Laporte, durante a Eurocopa de 2024.
O tempo passou, Laporte se firmou na Espanha e virou titular absoluto. Até agora, são 52 jogos com a seleção espanhola e uma Eurocopa conquistada (2024). Ele está em sua segunda Copa com a Fúria.
Por que Laporte pôde se naturalizar?
A Fifa não permite que jogadores se naturalizem depois que eles disputem seu primeiro jogo oficial por uma seleção profissional. A regra não se aplicou a Laporte porque ele não entrou em campo nos amistosos em que esteve com a seleção francesa. Qualquer segundo jogado resultaria na proibição da naturalização.
Mudanças podem acontecer mais de uma vez só na base. Laporte, por exemplo, poderia ter defendido tanto França quanto Espanha nas categorias de base quantas vezes quisesse. A posição definitiva só passaria a valer após o primeiro jogo em uma seleção profissional.
Histórico e reencontro decisivo (de novo)
Laporte já enfrentou a França duas vezes defendendo a seleção espanhola — ambas em jogos decisivos. Na primeira, em 2021, foi titular e viu os franceses vencerem a final da Liga das Nações por 2 a 1.
O defensor levou a melhor no outro jogo contra o seu país natal. Em 2024, a Espanha venceu a França por 2 a 1 na semifinal da Eurocopa com o zagueiro sendo titular.
O terceiro encontro será hoje, pela Copa do Mundo. França e Espanha se enfrentam a partir das 16h (de Brasília), em Dallas, pela semifinal do Mundial. Quem vencer, encara Argentina ou Inglaterra na decisão do próximo domingo, em Nova Jersey.
