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Como Ancelotti pretende aproveitar Neymar na Copa do Mundo

Jogador pode atuar em duas funções no esquema do treinador italiano


				Como Ancelotti pretende aproveitar Neymar na Copa do Mundo
Neymar deverá voltar a entrar em campo nesta quarta-feira (24). Mauro PIMENTEL/AFP

A espera está chegando ao fim. Depois de quase três anos sem vestir a camisa da Seleção Brasileira em uma partida oficial, Neymar deverá voltar a entrar em campo nesta quarta-feira (24), diante da Escócia, às 19h, em Miami. A confirmação veio do técnico Carlo Ancelotti, que garantiu a presença do camisa 10 entre os relacionados. Resta agora descobrir por quanto tempo Neymar atuará e, principalmente, em qual função.

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A resposta ajuda a explicar não apenas os planos do treinador italiano para o restante da Copa do Mundo, mas também a transformação que o próprio Neymar viveu nos últimos anos.

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Desde a Copa do Catar, em 2022, o craque enfrentou uma sequência de lesões que mudaram sua relação com o futebol. Problemas físicos recorrentes, cirurgias e longos períodos de recuperação fizeram com que o jogador perdesse espaço em campo e precisasse adaptar seu estilo de jogo. Aos 34 anos, o Neymar explosivo que desequilibrava em velocidade pelos lados já não é mais a principal versão do atleta. Em compensação, surgiu um jogador mais cerebral, capaz de controlar o ritmo da partida e atuar em zonas mais centrais.

E é justamente aí que entra a primeira possibilidade imaginada por Ancelotti.

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No atual esquema da Seleção, estruturado em um 4-4-2 com meio-campo em formato de losango, Neymar poderia ocupar a função hoje exercida por Matheus Cunha. Seria uma espécie de falso 9, jogando próximo da área adversária, mas com liberdade para circular por todo o setor ofensivo.

Nesse cenário, Casemiro seguiria como volante de contenção, com Bruno Guimarães e Lucas Paquetá pelos lados do losango. Neymar seria o vértice ofensivo da estrutura, recebendo a bola entre as linhas e participando diretamente da construção das jogadas.

A principal diferença estaria no comportamento sem a posse. Enquanto Matheus Cunha contribui intensamente na recomposição defensiva e ajuda a fechar o lado direito do campo, Neymar teria uma carga menor de marcação. A compensação precisaria vir dos companheiros. Vinícius Júnior e, principalmente, Luiz Henrique — favorito para substituir Raphinha — teriam maior responsabilidade defensiva.

Plano B para Neymar

Existe ainda uma segunda alternativa. Neymar pode atuar em uma das posições ocupadas por Vinícius Júnior ou Raphinha, especialmente quando os atacantes jogam mais por dentro do que abertos pelos lados. O camisa 10 teria liberdade para flutuar pelo corredor central, funcionando quase como um meia-atacante.

Essa possibilidade ganha força principalmente nos momentos em que o lateral-direito Danilo avança ao ataque. Nessas situações, a defesa brasileira costuma se reorganizar com uma linha de três jogadores, enquanto Raphinha (provavelmente Luiz Henrique) fecha por dentro para dar equilíbrio ao sistema. Neymar poderia executar uma função semelhante, usando sua capacidade de criação para conectar o meio-campo ao ataque.

Independentemente da escolha de Ancelotti, a tendência é que a utilização contra a Escócia seja gradual. O treinador não pretende acelerar o processo de retorno do jogador. A expectativa é que Neymar comece no banco de reservas e ganhe minutos ao longo da partida, especialmente se o Brasil conseguir construir uma vantagem no placar.

A cautela faz sentido. O camisa 10 chega à Copa na terceira rodada da fase de grupos em condições de jogo, após se recuperar de uma lesão grau 2 na panturrilha direita. Estar novamente disponível já representa uma vitória pessoal para quem conviveu com dúvidas sobre sua capacidade de voltar a competir em alto nível.

Para a Seleção, porém, a discussão vai além da recuperação. O desafio agora é encontrar o melhor encaixe para um dos jogadores mais talentosos da história do futebol brasileiro dentro de uma equipe que encontrou organização sem ele.

Líder do Grupo C com quatro pontos — mesma pontuação do Marrocos, mas com vantagem no saldo de gols —, o Brasil encara a Escócia sabendo que uma vitória pode encaminhar a classificação. E, no meio dessa disputa, surge uma das histórias mais interessantes da Copa: a tentativa de Ancelotti de reinventar Neymar para que o camisa 10 continue decisivo na Seleção em uma nova fase da carreira.

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