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HOME > blogs > EDIVALDO JÚNIOR
Imagem ilustrativa da imagem Vitor Pereira revela qual foi o primeiro gesto de Paulo após derrota para JHC

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Vitor Pereira revela qual foi o primeiro gesto de Paulo após derrota para JHC


				Vitor Pereira revela qual foi o primeiro gesto de Paulo após derrota para JHC
Vitor Pereira partipa do Fala, Líder. Reprodução Youtube

O governador Paulo Dantas tentou entrar em contato com JHC assim que ficou evidente a derrota de Renan Filho na disputa pelo governo de Alagoas. O episódio foi revelado pelo secretário de Governo, Vitor Hugo Pereira, durante entrevista ao programa Fala, Líder (veja aqui), apresentado por Edivaldo Júnior na CBN Maceió.

Vitor contou que acompanhava a apuração na casa de Paulo Dantas, ao lado de integrantes do grupo político, quando os números registrados nas planilhas de acompanhamento mostraram que Renan Filho não conseguiria reverter o resultado. Segundo ele, o governador não esperou o encerramento oficial da apuração para reconhecer a vitória do adversário.

“Quando colocamos na planilha e vimos que seríamos derrotados, imediatamente o governador Paulo ligou ao governador eleito JHC e mandou uma mensagem. Eu liguei para pessoas próximas dele e já me coloquei à disposição. O nome disso é democracia”, relatou.

A declaração revela como o grupo que comandou o governo de Alagoas nos últimos 12 anos reagiu à derrota eleitoral. Paulo Dantas participou diretamente da campanha de Renan Filho, seu antecessor e principal aliado político, enquanto Vitor Pereira integrava o núcleo de coordenação da gestão estadual.

Reconhecimento da derrota

Ao relatar o episódio, Vitor destacou que o reconhecimento do resultado das urnas deve fazer parte do comportamento de qualquer liderança política, independentemente da intensidade da disputa.

Para ele, candidatos, partidos e dirigentes precisam saber ganhar e perder. A decisão do eleitor, afirmou, deve ser respeitada mesmo quando contraria as expectativas de quem participa da eleição.

“Tem que saber perder também”, disse.

O secretário apresentou a iniciativa de Paulo Dantas como exemplo desse entendimento. Segundo ele, o governador procurou JHC e o próprio secretário fez contato com pessoas ligadas ao grupo vencedor, oferecendo-se para colaborar com os encaminhamentos necessários.

Vitor classificou a atitude como um gesto republicano, de respeito à vontade popular e às instituições democráticas. “O nome disso é democracia”, reforçou.

Da disputa à transição

O relato também mostra que os primeiros contatos entre os dois grupos ocorreram ainda na noite da apuração, antes mesmo da definição formal dos procedimentos de transição. Embora tenham disputado o governo em campos políticos adversários, Paulo Dantas e JHC passaram a ter uma responsabilidade comum: assegurar a continuidade da administração estadual durante a mudança de comando.

Vitor, que ocupa a Secretaria de Governo desde o início da atual gestão, conhece diretamente as demandas administrativas e políticas que envolvem esse processo. A pasta participa da articulação com o Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas, servidores, sindicatos e outras instituições.

Durante a entrevista, o secretário definiu a Segov como uma grande sala de mediação, responsável por conciliar interesses e ajudar na condução das decisões do governo.

Segundo ele, uma das principais disputas dentro de qualquer administração ocorre em torno do orçamento, que estabelece os recursos disponíveis para investimentos, programas sociais, obras, reajustes de servidores e demais despesas.

Essa estrutura deverá passar por mudanças com a posse do novo governador, em janeiro de 2027. Na entrevista, Vitor não apresentou um cronograma para a transição, mas deixou claro que houve disposição de diálogo desde o reconhecimento da derrota.

Respeito às urnas

A defesa do resultado eleitoral ocupou parte importante da conversa. Vitor criticou lideranças que questionam a legitimidade das eleições quando são derrotadas e afirmou que o respeito às regras democráticas precisa valer para todos os partidos.

O secretário também chamou atenção para a necessidade de distinguir adversários políticos de inimigos. Na avaliação dele, divergências e disputas pelo poder são próprias da democracia, mas não justificam o desconhecimento da vontade expressa pelos eleitores.

Ao comentar a eleição em Alagoas, afirmou que o grupo de Paulo Dantas reconhece a vitória de JHC e deverá avaliar os erros cometidos na campanha antes de se preparar para as próximas disputas.

A derrota, segundo Vitor, não significa o fim da atuação política do grupo de Renan Filho, mas exige a compreensão de um novo cenário, com JHC no comando do governo estadual e uma reorganização das forças partidárias.

Um novo ciclo político

Vitor considera que a mudança de governo deverá produzir alterações na relação entre os partidos, na composição das forças políticas e na atuação dos grupos que hoje participam da administração estadual.

Ele evitou antecipar conclusões sobre o futuro dessa configuração, afirmando que será necessário observar como JHC conduzirá o governo e estabelecerá relações com prefeitos, parlamentares e demais lideranças.

“É preciso esperar um pouco, saber como vai ser o desempenho do governador eleito, saber como ele vai dialogar com a política”, afirmou.

O secretário acredita, no entanto, que o grupo de Renan Filho e Paulo Dantas continuará participando das discussões políticas em Alagoas e das próximas eleições, incluindo a disputa pela Prefeitura de Maceió em 2028.

A mudança de posição, do governo para a oposição, exigirá novos entendimentos e articulações. Mas, para Vitor Pereira, o primeiro passo já foi dado na noite da apuração, quando Paulo Dantas reconheceu a derrota e procurou o adversário.

“Tem que saber perder também”, resumiu.