
Rafael Brito nasceu e cresceu no Pinheiro. Foi ali que jogou bola, andou de bicicleta, recebeu amigos e construiu boa parte das lembranças da infância e da juventude. Hoje, quando passa pela região, encontra outro cenário.
Em entrevista ao Fala, Líder (veja aqui), programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió, o deputado federal contou que costuma atravessar o antigo bairro para fugir do trânsito e, nesse caminho, passa em frente ao lugar onde ficava a casa da família.
“Minhas memórias ali são destruídas”, afirmou.
Rafael disse que a casa onde cresceu não existe mais e que a mesma realidade atingiu a vizinhança inteira. Para ele, o afundamento do solo provocado pela mineração da Braskem levou não apenas imóveis, mas uma parte importante da história de milhares de famílias.
“Eu passo sempre na frente do que era a minha casa, completamente destruída. A vizinhança completamente destruída, a casa em que eu cresci, jogava bola, andava de bicicleta, recebia os amigos”, contou.
Na entrevista, Rafael classificou o episódio como um “crime” cometido pela Braskem em Maceió. A fala apareceu logo no início da conversa, quando ele lembrava suas origens e a relação com a cidade.
A história do Pinheiro acabou abrindo caminho também para outro lado de sua trajetória. Antes da política, Rafael foi empresário. Teve distribuidora, restaurante, indústria de material de construção e participou da criação do Réveillon Celebration. Entrou na vida pública em 2015, depois de trabalhar na campanha de Renan Filho no ano anterior.
No governo, passou pelas áreas de Trabalho, Desenvolvimento, Turismo e Educação. Esta última, segundo ele, foi a experiência que mais mudou sua forma de enxergar a vida pública.
“Talvez tenha sido um choque de realidade que me tornou uma pessoa melhor”, disse, ao lembrar a passagem pela Secretaria da Educação. Hoje deputado federal, Rafael afirma que tenta levar para o mandato a visão de quem passou boa parte da vida fora da política.
Ele diz que encara a atividade pública com uma lógica parecida com a da gestão privada: olhar para resultado, entrega e para quem recebe o serviço. “O meu cliente não são só os meus eleitores, o meu cliente é a sociedade alagoana”, afirmou.
Rafael também diz que a política ocupa uma parte importante de sua vida, mas não define tudo. Ao falar sobre a rotina entre Maceió e Brasília e o tempo longe da família, afirmou que continuará na vida pública enquanto entender que pode contribuir e enquanto tiver o apoio das pessoas.
“Eu não vivo para a política. A política é uma parte da minha vida, ela não é a minha vida toda”, disse.
No fim, a entrevista acabou juntando duas histórias. A primeira é a do menino do Pinheiro que viu desaparecer a casa e o bairro onde cresceu. A segunda é a do empresário que entrou quase por acaso na política, passou pela gestão pública e hoje ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados. Duas trajetórias diferentes que, para Rafael Brito, continuam ligadas pela mesma cidade.