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Imagem ilustrativa da imagem Maceió cobra até três vezes mais que Recife por iluminação pública

BLOG DO
Edivaldo Júnior

Maceió cobra até três vezes mais que Recife por iluminação pública


				Maceió cobra até três vezes mais que Recife por iluminação pública

A comparação entre Maceió e Recife dá uma ideia do peso da taxa de iluminação pública, a Cosip, no bolso do consumidor da capital alagoana. Na faixa residencial de 101 a 150 kWh por mês, o maceioense paga aproximadamente R$ 34,10 de Cosip. No Recife, para o mesmo consumo, o valor nominal fica em cerca de R$ 15,07.

A diferença é de 126% e cresce nas faixas seguintes. Para quem consome entre 451 e 500 kWh por mês, a cobrança chega a R$ 86,46 em Maceió. No Recife, fica em cerca de R$ 25,40. Nesse caso, a taxa cobrada em Maceió é 240% maior — mais de três vezes o valor do Recife.

A diferença começa também no limite de isenção. No Recife, consumidores residenciais que gastam até 80 kWh por mês não pagam a contribuição para iluminação pública (CIP). Em Maceió, a isenção vai somente até 60 kWh.

Isso significa que uma residência com consumo de 70 kWh, por exemplo, é isenta no Recife, mas paga R$ 25,48 por mês em Maceió.

Entre 81 e 100 kWh, Maceió cobra cerca de R$ 25,48 contra R$ 9,93 no Recife, diferença de 157%. A diferença continua em todas as faixas seguintes.

Como é calculada

As duas capitais cobram por faixa de consumo, mas usam metodologias diferentes. Em Maceió, o Código Tributário estabelece coeficientes que são multiplicados pela tarifa B4a de iluminação pública.

Em 2026, considerando a tarifa nominal de R$ 0,46828, uma residência entre 101 e 150 kWh paga cerca de R$ 34,10. O valor resulta da multiplicação do coeficiente 72,821 pela tarifa B4a. A legislação municipal estabelece ainda que consumidores residenciais até 60 kWh são isentos. Acima desse limite, a cobrança cresce de acordo com a faixa de consumo.

No Recife, a cobrança é calculada com base na chamada Tarifa Convencional de Iluminação Pública, a TCIP. O Código Tributário estabelece múltiplos da TCIP para cada faixa de consumo. Para efeito desta comparação, considerando o valor nominal da tarifa B4a de R$ 0,43938, os 10 kWh utilizados como referência correspondem a R$ 4,3938.

Para uma residência entre 101 e 150 kWh, por exemplo, a legislação do Recife estabelece 3,43 TCIP. Pelo valor nominal da tarifa, o resultado é de aproximadamente R$ 15,07.

Na faixa de 151 a 300 kWh, são 4,45 TCIP, aproximadamente R$ 19,55. Entre 301 e 500 kWh, 5,78 TCIP, cerca de R$ 25,40.

Na conta de energia em Maceió, a Cosip aparece como item financeiro específico, separado do consumo de energia e dos valores de ICMS, PIS e Cofins. Uma fatura analisada pelo Blog mostra exatamente essa separação.

O dobro

A comparação também pode ser feita a partir do tamanho das duas cidades. Recife tem cerca de 1,59 milhão de habitantes. Maceió tem pouco menos de 1 milhão. A capital pernambucana, portanto, possui quase 600 mil moradores a mais. Mesmo assim, arrecada menos com iluminação pública.

Em 2025, Maceió arrecadou R$ 194,32 milhões com a Cosip. O Recife ficou em aproximadamente R$ 154,5 milhões. A diferença é de cerca de R$ 40 milhões.

Quando o valor é dividido pela população, a distância aumenta. Maceió arrecadou aproximadamente R$ 195 por habitante com a contribuição em 2025. No Recife, o valor ficou próximo de R$ 97 por morador.

Ou seja, a arrecadação por habitante em Maceió é mais que o dobro. Isso chama atenção porque Recife tem população quase 60% maior, mas arrecada menos em valores absolutos e muito menos proporcionalmente ao número de moradores.

Debate

A comparação ganha importância depois que o governador Paulo Dantas afirmou que Maceió possui a taxa de iluminação pública mais cara do Nordeste.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Paulo disse que a arrecadação dobrou durante a gestão JHC e criticou o valor cobrado dos consumidores. O governador também afirmou que a cobrança da Cosip chegará a cerca de R$ 1 bilhão entre 2021 e 2026.

Os números mostram que a arrecadação cresceu fortemente. Em 2021, foram arrecadados R$ 124,46 milhões. Em 2022, R$ 148,27 milhões. Em 2023, a arrecadação chegou a R$ 151,57 milhões. Em 2024, avançou para R$ 180,70 milhões e, em 2025, atingiu R$ 194,32 milhões.

Somados, os cinco anos representam aproximadamente R$ 799 milhões. Para 2026, a previsão orçamentária da Prefeitura é de R$ 203,87 milhões. Até o terceiro bimestre, já haviam sido arrecadados R$ 89,64 milhões. Se a previsão se confirmar, o total acumulado desde 2021 ultrapassará R$ 1 bilhão.

É a mais cara do Nordeste?

A comparação com Recife não permite, sozinha, afirmar que Maceió possui a maior taxa de iluminação pública entre todas as capitais nordestinas. Mas revela diferenças expressivas.

Maceió começa a cobrar do consumidor residencial a partir de uma faixa menor de consumo, apresenta valores muito superiores em várias faixas e arrecada praticamente o dobro por habitante.

Entre 101 e 150 kWh, a cobrança nominal é 126% maior que no Recife. Entre 451 e 500 kWh, a diferença chega a 240%.

Em outras palavras, dependendo da faixa de consumo, o maceioense paga mais de três vezes o valor cobrado do consumidor residencial do Recife.


				Maceió cobra até três vezes mais que Recife por iluminação pública

				Maceió cobra até três vezes mais que Recife por iluminação pública